SinTPq


 
Trabalhadores e trabalhadoras do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) entraram em greve nesta segunda-feira (26/7), contra a decisão do governo estadual de manter os salários congelados pelo terceiro ano consecutivo. "O governo estadual diz valorizar a ciência, mas está oferecendo 0% de reajuste nos salários e benefícios dos pesquisadores do IPT, justamente em meio a uma disparada na inflação", informa o Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SinTPq), que representa a categoria. Uma nova assembleia será realizada nesta terça-feira (27/7) para definir os rumos do movimento.
 
No dia 21/7, o SinTPq e o IPT realizaram audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). "Durante a mediação, o instituto seguiu a orientação do governo estadual (GESP) e ambas as partes se mantiveram intransigentes na proposta de 0% de reajuste. Como se o congelamento salarial não fosse descaso suficiente, IPT e GESP também se recusaram a conceder o comum acordo para instauração de dissídio coletivo", relatou o sindicato. "Dessa forma, não restam alternativas. Agora é greve a partir de segunda-feira (26), com retomada da assembleia permanente".
 
Priscila Leal, pesquisadora do IPT e diretora do SinTPq presente à mobilização na porta do instituto, considera inadmissível a atitude do GESP. "Nós estamos acumulando mais de 11% de perda salarial. Uma inflação nesse nível, com os preços de gás, de energia elétrica, de supermercados, não dá mais. Os trabalhadores do IPT resolveram fazer essa greve porque simplesmente não dá mais para aguentar o desrespeito com o trabalhador, com a pesquisa e a ciência no Estado de São Paulo [que é] oferecer zero por cento de recomposição inflacionária pelo terceiro ano seguido".
 
Ainda de acordo com Priscila, o maior patrimônio do sistema de ciência e tecnologia de São Paulo é o pesquisador. "Quantos anos demora para [se] formar um pesquisador?", questiona. Camisetas produzidas pelo SinTPq trazem os dizeres "Respeito 0%, Reconhecimento 0%, Responsabilidade 0%, Reajuste 0%".
 
Procurada, a direção do IPT preferiu não comentar a greve.