“Na última reunião do Conselho Universitário de 2015, foi submetido à análise e votação o programa Parceiros da USP. A proposta foi saudada por vários conselheiros, embora com resistências de representantes de categorias, de servidores e discentes, que viam nesta proposta uma forma de submissão da universidade a interesses privados, com perda de sua indep. No entanto, a maioria prevaleceu 81 x 10 e duas abstenções.

A aprovação reflete a opinião dominante na USP de que tem que ampliar suas relações com os diferentes setores da sociedade, tanto nas suas ações quanto na busca de financiamento, de que a universidade deveria buscar fontes adicionais de financiamento. As três universidades paulistas terão de buscar modelos de financiamento complementares àquele que garantiu nossa sobrevivência até o momento. Isto já acontece em grande parte, a Fapesp garante anualmente a entrada na USP de valor equivalente a 10% do nosso orçamento, da ordem de R$ 540 milhões, que constitui um aporte considerável à nossa pesquisa.

Fiel a esta concepção, e apoiada na maciça aprovação por parte da universidade, a presente administração tem promovido constante contato com os mais diversos setores da sociedade, tanto na cidade de São Paulo como no Estado e mais amplamente. Reitor, vice-reitor, pró-reitores temos nos reunido e debatido questões conceituais e práticas da vida acadêmica e da gestão universitária com governadores, ministros, senadores, deputados estaduais e federais, membros do Judiciário, prefeitos, vereadores, federações de setores da economia, diretores de órgãos de pesquisa, de ciência, de tecnologia, reitores de universidades, embaixadores, membros dos movimentos sociais, empresários, diretores de empresas públicas e empresas privadas, nacionais ou multinacionais, reis, príncipes, presidentes de república, favelados, prelados, militares e artistas”.

Convida todos a visitarem a exposição “Adornos do Brasil Indígena - Resistências Contemporâneas”, parceria USP-SESC.

[Exemplo dessa perspectiva foi a] “Participação do reitor da USP na última semana como presidente de uma reunião internacional com mais de 3 mil participantes, entre empreendedores, estudantes, investidores, reitores, artistas, esportistas, ministros de Estado e governantes, em Santiago de Compostela na Espanha, visando a promoção do conceito de Universidade Empreendedora.

Especificamente em relação à meta de estreitar nossas relações com ex-alunos da universidade, além das iniciativas de algumas unidades, como a

Escola Politécnica, que já conta com um fundo patrimonial formado e mantido por politécnicos, nós iniciamos recentemente dois programas voltados para o conjunto da USP. Primeiro, a criação de um escritório para incentivar o contato dos nossos ex-alunos, escritório esse, ou programa, denominado USP Alumni. E segundo, o programa denominado USP do Futuro.

Neste caso, visitei pessoalmente alguns ex-alunos da Universidade de São Paulo, todos empresários bem sucedidos, e os convidei a participarem mais ativamente da vida da nossa universidade. Ouvi suas opiniões sobre a USP, e desde logo detectei o grande respeito e imensa gratidão que eles têm pela sua universidade. Todos querem oferecer sugestões. Todos querem ajudar. Inclusive, eventualmente, financeiramente. Seria interessante ouvi-los? Por que não? São pessoas formadas pela nossa universidade e que alcançaram sucesso na sociedade, por meio de atividades altamente construtivas. São construtores da sociedade. São exemplos que queremos ver repetidos entre nossos alunos graduados. Garantem a criação e manutenção de milhares de empregos, e as atividades econômicas das empresas que eles dirigem geram impostos que ajudam a manter essa universidade.

Entendem, ainda, que além dos impostos que geram para manter a USP, podem contribuir ainda mais com recursos financeiros para o sucesso da USP. E por que eles fariam isso? Porque eles têm interesse no sucesso da USP, que forma recursos humanos altamente qualificados, capazes de atender às suas necessidades, a necessidade das empresas que dirigem, a necessidade da sociedade. Porque o interesse das empresas que dirigem é interesse da sociedade. E também podem gerar soluções interessantes de inovação para aumentar a competitividade das empresas brasileiras. E é isso que as universidades fazem no mundo todo. Assim, eles se dispuseram a fazer uma doação para pagar o contrato de uma empresa de consultoria especializada, para examinar dois aspectos da nossa universidade: a sua estrutura e gestão, em especial financeira e administrativa. Todos sabem que não andamos bem das finanças nos últimos anos. Depois eu vou apresentar alguns gráficos. E segundo, estruturar um arcabouço de projeção futura.

Os documentos que tratam disto seguiram os trâmites habituais, sendo o convênio aprovado na COP, comissão deste Conselho Universitário, em 2 de agosto. E no dia 5 de setembro, a pedido de nossos ex-alunos, visitamos o governador do Estado para dar conhecimento a ele do projeto e ouvir sua opinião, como estão sendo ouvidas opiniões de numerosos outros atores, internos e externos da universidade. O trabalho está em andamento, e obviamente o seu resultado, se entendermos que possa contribuir para melhorar a gestão ou planejamento, serão dados [sic] a conhecer futuramente às diferentes instâncias da universidade. Como hoje, primeira oportunidade depois desses desenvolvimentos, eu comuniquei o [sic] Conselho Universitário.

Obviamente que me surpreendeu que alguns setores da universidade tenham tratado do tema como se houvesse algo de estranho ou de acobertado neste processo. Não, não há. Esteve na ordem do dia da COP, como eu disse. A reunião fez parte da agenda, que é pública, do governador do Estado. Esta é a primeira reunião do Co após termos firmado o convênio e os trabalhos se iniciarem. Fizeram circular comentários excêntricos, como se nós estivéssemos organizando um complô para estabelecer o ensino pago. Assunto obviamente de competência do Congresso Nacional. Nós não nos qualificamos ainda para fazermos modificações da Constituição da República Federativa do Brasil.

Mas, se me surpreenderam os comentários, porque disparatados ou inconsistentes com aquilo que é vontade majoritária da universidade, não servirão absolutamente para nos desviar. Esta tentativa de provocar intranquilidade e um ambiente de contestação e de conflito na universidade é absolutamente incompatível com o momento atual. Um momento de tranquilidade na universidade, de pacificação, de crescimento da universidade. Um momento [em] que começamos, externamente, a recuperar a visão positiva que sempre cercou esta instituição. Vivemos em uma universidade vibrante, democrática, progressista, amplamente reconhecida e respeitada no exterior e na sociedade brasileira. Se a discussão e a discordância fazem parte da vida democrática, especialmente na universidade, o clima de desconfiança, de denúncias permanentes e repetitivas, de mudança contínua de foco de agitação, isto não faz. Não movimentos artificiais que interessam apenas a pequenos grupos políticos, mas não à coletividade.

Quero reiterar com firmeza, para que não reste qualquer dúvida, que esta administração continuará a ouvir e a interagir com todos os setores da sociedade, e continuará buscando apoio de seus ex-alunos. Estou convicto de que somente o diálogo com todos fará que a defesa da USP seja feita pela própria sociedade, que desta forma garantirá nossa sobrevivência. Caso contrário, meus caros, nosso destino seria o pior que existe: é nos tornarmos irrelevantes, ninguém se importar conosco”.

Comprometimento e redução de gastos

“Por favor coloque os slides que quero mostrar algumas coisas interessantes. Isso já foi mostrado na reunião dos dirigentes mas não ao Conselho. [Apresenta slides que indicam o crescimento do comprometimento das 3 universidades paulistas] Conseguimos conter o crescimento exagerado que vinha ocorrendo, mas continuamos próximos de 100%.

Comprometimento financeiro global - Custo total da USP [mostra gráfico com evolução dos gastos com pessoal, precatório, custeio e investimentos]: em julho de 2015 chegamos a comprometer 125% do que recebemos: Quer dizer, recebemos doze repasses por ano do governo estadual, e gastamos quinze.

Vejam a enorme queda que nós conseguimos fazer principalmente dessas despesas que são mais administráveis: custeio, investimento, economia que a Reitoria junto com todos os dirigentes, fizeram... Resultado do esforço conjunto, da Reitoria e dos diretores.

O que destroi a Universidade é um comprometimento além daquilo que se pode pagar. Porque desse não há salvação. O que me surpreende é que muitos que estão extremamente preocupados com a autonomia da Universidade de São Paulo e acham que conversar com ex-alunos pode comprometer a autonomia da Universidade de São Paulo, passaram anos vendo este crescimento explosivo das nossas finanças, que estão quase que destruindo a Universidade de São Paulo, não falaram nada. Não estavam preocupados com a nossa perda de autonomia, que é o resultado inexorável se nós não estabelecermos controle sobre as nossas finanças”.