Moradoras e moradores do Conjunto Residencial da USP (Crusp) promoveram nesta quinta-feira (27/5) um cortejo pelo câmpus da Cidade Universitária do Butantã em homenagem ao estudante R.L.S. A concentração estudantil ocorreu às 15h30min na Praça do Relógio e foi realizada sob a chamada “Não esqueceremos nossos irmãos”.

R. foi morto por suicídio na tarde de terça-feira (25/5), por volta de 17h30min. Moradora(e)s do Crusp e integrantes da Guarda Universitária tentaram prestar socorro, mas o jovem não resistiu. R. era aluno do sexto ano do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e residia no Crusp.

O Departamento de Geografia suspendeu as aulas nesta quarta-feira (26/5) e realizou uma reunião virtual da comunidade no final da tarde para refletir sobre a perda do aluno.

O Centro de Estudos Geográficos Filipe Varea Leme manifestou pêsames aos familiares e colegas mais próximos e informou que oferece, em parceria com a FFLCH e o Escritório de Saúde Mental da USP, “espaços de acolhimento para aqueles que precisem, em especial aos colegas que residem no Crusp”.

A Superintendência de Assistência Social (SAS) informou, por meio da Assessoria de Imprensa da Reitoria, que R. era acompanhado por uma assistente social e recebia atendimento psicológico do Escritório de Saúde Mental desde 2019.

Em relação ao acompanhamento oferecido aos alunos e alunas, um morador do CRUSP disse à reportagem que “a SAS está promovendo algumas atividades, como rodas de conversa, mas com adesão muito baixa”.

Situação dos moradores do Crusp torna-se ainda mais precária na pandemia

As condições estruturais dos blocos da moradia vêm piorando nos últimos anos, porém a situação agravou-se desde o início da pandemia. Exatamente há um ano, em maio de 2020, oito entidades — entre elas a Adusp, o DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” e a Rede Não Cala! — enviaram um ofício ao reitor Vahan Agopyan e à SAS no qual afirmavam que “o distanciamento da realidade do Crusp por parte dos órgãos administrativos da Universidade faz com que os moradores se sintam abandonados”.

Entre as medidas propostas para melhorar a situação dos residentes estavam o “acesso ilimitado à Internet para todas(os) que estão no Crusp e instalação imediata da Internet Wi-Fi” e a “estruturação do atendimento à saúde” mediante articulação do Centro de Saúde-Escola Butantã (CSEB) e do Hospital Universitário (HU), “para oferecimento de atendimento de plantão (orientação, consulta, prescrição de receitas e acesso à medicação), acompanhamento de questões de saúde mental”.

Até hoje, vários blocos da moradia ainda não contam com o serviço de Internet. “No meu bloco a instalação foi paralisada e também não há nenhuma cozinha funcionando”, relatou ao Informativo Adusp um morador do Crusp. Há muitas queixas quanto a infiltrações e também não houve nenhuma melhoria nas lavanderias, outro problema que se arrasta há anos. “As coisas estão cada vez piores”, reforçou uma moradora.

Relatório da Rede Não Cala! apontou “falhas severas” na moradia estudantil

Em março, a Rede Não Cala! entregou à SAS um relatório sobre trabalho desenvolvido junto às e aos estudantes desde maio de 2020. No relatório, a Rede registra preocupação com questões relativas à estrutura, violência e saúde, inclusive saúde mental, alertando para a gravidade dos problemas.

Apesar das iniciativas institucionais, aponta o relatório, há “falhas severas” que impactam a vida de moradores e moradoras, como a precariedade das instalações e o esgarçamento de regras de convivência e mediações cotidianas.

“Afirmamos, no entanto, com convicção, que as(os) estudantes da moradia estudantil em uma universidade da importância da USP precisam e merecem contar com estrutura física de qualidade articulada com lugares institucionais de diálogo e mediação constantes e respeitosos”, defende o coletivo no documento.

Ao Informativo Adusp, a coordenação da Rede Não Cala! pontuou que as ações desenvolvidas pela Reitoria têm sua relevância, mas ainda são insuficientes diante da demanda e do contexto não somente do Crusp, mas de toda a universidade. É importante o fomento de ações de saúde mental, com fortalecimento e ampliação de espaços de atenção e contratação de mais profissionais para dar suporte à comunidade uspiana, considera a Rede.

Além disso, é fundamental a diminuição de elementos estressores como competitividade, produtivismo e contextos de violência simbólicos pautados nas desigualdades ligadas aos marcadores sociais da diferença.

Caso você precise de apoio, saiba onde procurar

O Escritório de Saúde Mental da USP está realizando atendimento online, via Google Meet, e também pode ser contatado pelo e-mail escritoriodesaudemental@usp.br.

O Instituto de Psicologia (IP) oferece a toda a comunidade USP o Programa de Apoio Psicológico Online (Papo).

No câmpus de Ribeirão Preto, o Centro de Orientação Psicológica (Copi) pode ser procurado pelo e-mail copi.pc@usp.br.

O serviço do Núcleo de Acolhimento Universitário está aberto à comunidade da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e pode ser procurado pelo e-mail nau-each@usp.br.

Para casos de urgência e emergência, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo telefone 188.

O Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (CAISM) está localizado na rua Major Maragliano, 241, Vila Mariana, São Paulo, e atende pelo telefone (11) 3466-2100.

A cidade de São Paulo conta com uma rede de 97 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que trabalham sem necessidade de agendamento prévio ou encaminhamento. A rede de CAPS no Estado de São Paulo pode ser consultada aqui.

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