Piquenique feminista na Praça do Relógio, na Cidade Universitária do Butantã, celebrou o Dia Internacional da Mulher nesta quarta-feira (11/3). Em seguida, uma comissão foi recebida na Reitoria pelo coordenador-executivo do Gabinete do Reitor

Daniel Garcia
Participantes do piquenique formaram os dizeres 8M na USP
Patricia Galvão, da Secretaria de Mulheres do Sintusp
Professora Michele Schultz Ramos, vice-presidenta da Adusp

A Adusp, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), a Rede Não Cala! e o Diretório Central dos Estudantes “Alexandre Vannucchi Leme” (DCE-Livre) organizaram coletivamente um piquenique feminista na Praça do Relógio, no câmpus do Butantã, nesta quarta-feira (11/3). A iniciativa integra a programação #8M na USP, que inclui diversos eventos relacionados ao Dia Internacional da Mulher. A defesa dos direitos das mulheres estudantes, docentes e trabalhadoras efetivas e terceirizadas pontuou as falas das representantes das entidades.

“Queremos denunciar a lógica machista e patriarcal que, como na nossa sociedade, também impera na Universidade de São Paulo”, afirmou a professora Michele Schultz Ramos, 1a vice-presidenta da Adusp. A professora citou algumas das pautas levantadas pelo movimento, cobrando da Reitoria providências com relação às creches – como a reabertura da Creche Oeste –, ao Hospital Universitário (HU) e à efetivação de um centro de referência, “cujo projeto foi entregue há anos”, lembrou.

“É preciso que as docentes, funcionárias e estudantes tenham possibilidade de seguir o seu curso acadêmico e profissional sem sentir a maternidade como um problema, como nos disse recentemente um dos membros da Reitoria”, afirmou, referindo-se às dificuldades enfrentadas pelas mulheres que têm filhos. “Não adianta instalar um escritório USP Mulheres sem haver política eficaz de inclusão, de eliminação do preconceito, da violência e dos casos de assédio.”

A falta de vagas e a precarização do trabalho nas creches também foram citadas por outras oradoras no ato. Ana Cristina Alves, trabalhadora das creches da USP há vinte anos e membro da diretoria do Sintusp, ressaltou que houve uma queda drástica no número de crianças atendidas: há poucos anos, eram cerca de 680, e atualmente são menos de 130.

Patricia Galvão, da Secretaria de Mulheres do Sintusp, afirmou que o direito à maternidade é prejudicado pela falta de vagas nas creches e pela ausência de condições e estrutura para as mães que eventualmente precisam trazer os filhos ao local de trabalho. Referindo-se ao cenário nacional, afirmou que “não é por acaso que temos um aumento de feminicídios no país num contexto de governos misóginos como o de Bolsonaro e o de João Doria”.

A professora Heloisa Buarque de Almeida, docente do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), lembrou que a Rede Não Cala! é um movimento feminista fundado por conta dos casos de violência sexual dentro do ambiente da USP. “Queremos o enfrentamento efetivo das questões de assédio sexual e moral que ainda acontecem nesta universidade, e que se pare de proteger professores assediadores que estão subindo na carreira”, afirmou.

A estudante da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) Julia Köpf, da diretoria do DCE-Livre, salientou que o 8 de março é um dia muito importante, mas que é necessário “promover a construção feminista e a ocupação dos espaços de fala e de poder durante o ano inteiro”.

Após uma longa espera em frente ao prédio da Reitoria, uma comissão de representantes da organização do ato foi recebida pelo coordenador-executivo do gabinete do reitor, procurador Carlos Eduardo Trevisan de Lima, e entregou um folheto com as reivindicações das entidades e um documento relatando os problemas das creches e cobrando soluções.

As participantes do piquenique encerraram o ato com uma caminhada até a Creche Central. O Informativo Adusp vai publicar nesta quinta-feira (12/3) uma reportagem detalhada sobre a reunião na Reitoria.

A agenda feminista na USP prevê outras duas atividades: nesta quinta 12/3, no câmpus de Ribeirão Preto, a mesa-redonda “8 de Março na USP”, no Anfiteatro Lucien Lison; e no sábado 14/3 o ato público “Quem mandou matar Marielle? Dois anos de luto e luta por justiça!”, na Avenida Paulista às 17 horas, com concentração na Praça do Ciclista.

Utilizamos cookies

Utilizamos cookies neste site. Você pode decidir se aceita seu uso ou não, mas alertamos que a recusa pode limitar as funcionalidades que o site oferece.