O escândalo Finatec causou impacto nacional, graças principalmente à atuação do Ministério Público do Distrito Federal, que, após anos de investigação, desnudou desmandos e ilegalidades dessa fundação privada “de apoio”.

O rumoroso episódio segue-se, porém, a vários outros que obtiveram maior ou menor visibilidade, em diversos pontos do país: disputa interna na Fundação Zerbini e no InCor, tendo como pano de fundo a enorme dívida contraída por aquela entidade privada; intervenção judicial na Feesc, em Florianópolis; prisões em Santa Maria...

Ao longo de anos, as denúncias trazidas a público pelos dossiês da Revista Adusp e as iniciativas tomadas no campo do Poder Judiciário tiveram grande impacto no ambiente universitário, apesar de a grande mídia não se deixar sensibilizar.

Comprovação

Os recentes fatos comprovam as afirmações da Adusp sobre conflito de interesses; contaminação do fazer universitário por práticas mercantis; distorção que representa a exploração do prestígio das instituições públicas por grupos privados etc.

Alguns meios de comunicação passaram a lançar um olhar sobre a desenvolta atuação das fundações privadas ditas de apoio espalhadas pelo país. Este olhar, ao que parece, custa a chegar na USP, onde se encontra a maior concentração de fundações “de apoio” no Brasil: trinta! Convalidadas pelo promotor de fundações, na contramão do restante do país.

Advertência

O jornal Valor Econômico publicou artigo dos professores Otaviano Helene e Marco Brinati (“Universidades públicas e fundações privadas”, 6/3, p. A18). Ao final desse texto, advertem: as fundações privadas ditas de apoio precisam ser repelidas pelas universidades públicas, pois só assim os dirigentes destas “deixarão de ocupar as páginas policiais dos jornais e voltarão a ocupar apenas as páginas de ciência e tecnologia, de políticas públicas e dos cadernos culturais”.

 

Matéria publicada no Informativo nº 253