Vahan Agopyan, 61 anos, professor do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica e atual pró-reitor de Pós-Graduação

Informativos Adusp. Por que e quando decidiu pela candidatura como reitor?

AGOPYAN. Pela experiência de gestão de Ciência e Tecnologia que adquiri tanto na USP como em atividades externas (IPT e Secretaria de Desenvolvimento do Estado) acredito que tenho condições para me candidatar ao cargo máximo da Universidade. Particularmente, como Pró-Reitor, ampliei a oportunidade de participar de vários foros de debates, no país e no Exterior, sobre as exigências e tendências futuras do ensino superior e os processos de desenvolvimento das universidades para atender as expectativas da sociedade, cujos resultados gostaria de aplicar na nossa instituição. Declaro-me ainda como potencial candidato a Reitor, pois o processo eleitoral ainda não está definido, o que torna qualquer postulação prematura.

Informativos Adusp. O que dizer sobre o quadro de disputa até o momento? 

AGOPYAN. Os demais candidatos mencionados, que a meu ver são também ainda potenciais, têm uma longa trajetória de contribuição para o desenvolvimento da USP, e reúnem plenas condições de exercer o cargo máximo da Universidade. Tenho orgulho de ter convivido e ser amigo de todos eles, de longa data. Se essas candidaturas forem confirmadas após a definição do sistema eleitoral, a comunidade terá a oportunidade de poder selecionar o seu candidato ou os candidatos numa relação de postulantes com um currículo robusto e uma longa lista de serviços prestados à USP. Isto demonstra também o potencial humano existente na USP, com condições de assumir a gestão desta grande instituição.

 Informativos Adusp. Quais serão seus principais eixos de proposta durante a campanha? Algo significativamente diferente da atual gestão? Algo que responda a alguma crítica pontual à atual gestão? 

AGOPYAN. Pelas funções que exerci e pela minha atuação à frente da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, as minhas ideias são bem conhecidas pela comunidade. Advogo que é uma obrigação da USP, um compromisso com a sociedade, a busca incessante de novos patamares de qualidade, para oferecer aos nossos alunos de graduação, pós-graduação e de extensão a melhor formação possível com os recursos disponíveis, sempre conjugando as atividades docentes num ambiente de pesquisa intensiva e com atividades de cultura e extensão. Considero como maior problema atual da nossa Universidade sua administração centralizada e por isso, acredito que após ampla discussão possamos definir uma nova estrutura administrativa descentralizada, inclusive nos aspectos financeiros. Com a descentralização administrativo-financeira alcançaremos a agilidade e a flexibilidade essenciais para a contínua construção de qualidade acadêmica, possibilitando alcançar patamares de excelência compatíveis com as necessidades do país e com os das universidades de ponta no contexto global. Mais ainda, a experiência positiva da Pós-Graduação, vivenciada pela nossa comunidade, e que demandou uma revisão regimental e incorporação de novos métodos de gestão, pode ser extrapolada para todas as atividades-fim da Universidade, de maneira a conferir progressiva agilidade ao ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para esta maior aproximação com a sociedade.

Informativos Adusp. Qual a sua avaliação da atual gestão? Ao seu ver, já é possível fazer algum balanço?

AGOPYAN. Tenho muita honra de ter participado da atual gestão que conseguiu avanços importantes nas atividades-fim e também na estrutura da Universidade, incluindo a implantação dos planos de carreira. Houve um primeiro balanço dos avanços obtidos por ocasião da última reunião do GEINDE (Gestão de Integração de Dirigentes), realizada em junho deste ano, destacando-se a significativa contribuição da comunidade USP neste processo. A Universidade mudou de patamar.

Informativos Adusp. O que achou, por exemplo, das mudanças no Inclusp?

AGOPYAN. O grande objetivo da USP é atrair os melhores talentos e de fato ainda estamos atraindo os talentos melhor preparados. Por essa razão, as iniciativas como o InclUSP são representativas de movimentos da Universidade no sentido de incorporar jovens que não tiveram oportunidade de uma formação sólida, sendo muito bem vindas. Essas iniciativas devem ser estimuladas e ampliadas, não se esquecendo de que além de atrair os talentos temos que lhes oferecer condições para a sua retenção. Por esse motivo não existe solução simples, o que exige reflexões e ações que possam conduzir para esse fim.

Informativo Adusp. Qual é sua opinião sobre a emenda ao Estatuto da USP apresentada por Adusp, DCE e APG à Reitoria, solicitando ao Co a incorporação da consulta direta e paritária de reitor ao documento? 

AGOPYAN. Certamente todos concordam com a maior participação da comunidade na escolha do futuro Reitor. O que me preocupa é que todos os pleitos estejam concentrados na metodologia da escolha do dirigente, sem que se coloquem preocupações com a estrutura administrativa centralizada da USP. De que valerá alterar o processo eleitoral do Reitor se a gestão continuar centralizada? Por esse motivo continuo defendendo uma discussão (esta sim bem ampla) para se chegar a uma descentralização radical das ações e decisões da Universidade, inclusive das questões orçamentárias, cabendo aos dirigentes e aos órgãos centrais a tarefa de acompanhamento e avaliação das ações, possibilitando desta forma o aperfeiçoamento dos seus processos de gestão.