As eleições para a escolha do novo reitor ou reitora da USP devem ocorrer até dezembro deste ano. Até o momento, quatro candidaturas estão postas: as de Hélio Nogueira da Cruz, 64 anos, atual vice-reitor e professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA); Marco Antonio Zago, 66, pró-reitor de Pesquisa e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP); Vahan Agopyan, 61, pró-reitor de Pós-Graduação e professor da Escola Politécnica (EP); José Roberto Cardoso, 64, diretor da EP.

O Informativo Adusp ouviu os reitoráveis, separadamente. A íntegra das perguntas e respostas está disponível em goo.gl/P9It0H. Confira a seguir as principais propostas de cada um.

Cruz

A candidatura de Hélio Cruz está formalizada desde 15/8, quando apresentou à Reitoria um “termo de impedimento” das suas funções de vice-reitor. “Meu nome já vinha sendo lembrado há vários anos e, como vice-reitor, era considerado candidato natural pela comunidade”, diz ele, há 40 anos na USP, “18 deles na gestão central”.

Quanto às especulações de que J. G. Rodas seria o nome previsto para ser o seu vice, Cruz admite que tal possibilidade foi “aventada” há alguns meses. Porém, teria sido descartada “desde a entrevista conce­dida pelo atual reitor ao jornal Valor Econômico de 23/7/2013”. Na reportagem (vide goo.gl/JVFbo6), Rodas expressa: “Já ocupei os cargos máximos na carreira da USP: professor titular, diretor da mais antiga escola [Faculdade de Direito] e reitor. Não tenho mais a que aspirar nesse tocante”.

Cruz acredita que a gestão de Rodas “apresenta resultados expressivos”. Destaca “a adoção do Plano Institucional da Universidade de São Paulo, previsto no regime de metas do Pimesp [Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público]”; “grandes investimentos nas áreas da pesquisa, de cultura e extensão, e de graduação”; “grandes investimentos de infraestrutura”; “grande salto na internacionalização”; “valorização das carreiras dos docentes, com a progressão horizontal, e dos servidores técnicos e administrativos”; o equacionamento de “passivos acumu­la­dos, como a questão do Gatilho”.

“Nossas propostas enfatizam o fortalecimento do Conselho Universitário e o esforço de implementar o modelo de planeja­men­to consensual do PDI”, diz Cruz. “A gestão deverá ser aprimorada com a diminuição da burocracia. Os professores terão maior apoio para que dediquem mais tempo às atividades acadêmicas”, garante.

Questionado sobre a emenda apresentada pela Adusp, DCE e APG à Reitoria, Cruz avalia que “não está suficientemente madura”. Para o professor, não há consenso, mas profundas divisões, “quanto à expressão concreta de um formato de eleição verdadeiramente representativo e democrático”.

Agopyan

“Certamente todos concordam com a maior participação da comunidade na escolha do futuro reitor”, diz Vahan Agopyan, antes de defender uma discussão ampla para que seja possível chegar a “uma descentralização radical das ações e decisões da Universidade”. “Inclusive das questões orçamentárias, cabendo aos dirigentes e aos órgãos centrais a tarefa de acompanhamento e avaliação das ações”, completa.

Docente da Universidade há 38 anos, Agopyan define-se apenas como “potencial candidato a reitor, pois o processo eleitoral ainda não está definido, o que torna qualquer postulação prematura”. Apesar disso, avalia que, por meio das medidas da atual gestão, “a Universidade mudou de patamar”, e fala de seus planos.

“Com a descentralização administrativo-financeira alcançaremos a agilidade e a flexibilidade essenciais para a contínua construção de qualidade acadêmica, possibilitando alcançar patamares de excelência compatíveis com as neces­si­da­des do país e com os das univer­si­dades de ponta no contexto global. Mais ainda, a experiência positiva da Pós-Graduação, vivenciada pela nossa comunidade, e que demandou uma revisão regimental e incorporação de novos métodos de gestão, pode ser extrapolada para todas as atividades-fim da Universidade, de maneira a conferir progressiva agili­dade ao ensino, pes­qui­sa e exten­são, contribuindo para esta maior aproximação com a sociedade”, defende.

Zago

Docente da universidade há 38 anos, Marco Antônio Zago concorda com a ideia de que “não há ainda como falar em candidaturas enquanto não existe o processo eleitoral”. Nesse sentido, apresenta-se como possível nome na corrida pela Reitoria, “tendo em vista meu passado acadêmico, minha experiência como presidente do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e como pró-reitor de Pesquisa”.

O professor destaca progressos conquistados na área de pesquisa. “Fortalecemos a Agência USP de Inovação (a USP é hoje a universidade brasileira que mais deposita patentes), promovemos numerosos acordos internacionais de pesquisa e editais para projetos em colaboração com universidades líderes do mundo, nossa posição em todos os rankings internacionais melhorou”.

Zago considera que são pontos prioritários na próxima gestão: “a) reforma do ensino de graduação e revisão do sistema de acesso à universidade; b) a questão do poder na universidade, muito além da simples eleição do reitor; c) a revisão da estrutura dos campi, das unidades e dos cursos; d) a reforma da carreira docente; d) a modernização dos sistemas de gestão”.

Quanto à mudança no processo eleitoral, ele lembra que, em 2009, com outros cinco docentes, publicou o manifesto “A USP precisa mudar”. O documento defendia a necessidade de tornar mais representativo o processo de eleição de reitor(a), no mínimo com a eliminação do segundo turno. “Dificilmente teremos, na reunião de outubro, a isenção necessária para discutir desinteressadamente essa matéria, uma vez que numerosos grupos, ligados a eventuais candidatos, poderão ter um evidente conflito de interesse. Mas a decisão será tomada e a partir daí se desencadeará, finalmente, o processo eleitoral”.

Cardoso

Docente da USP há 37 anos, Roberto Cardoso também crê na possibilidade de conflitos de interesse na discussão do processo eleitoral. “A opinião sobre a forma de escolha dos dirigentes por um candidato não é adequada, quando a agenda eleitoral está no ar. Ficará contaminada por seus interesses. Esta pauta foi colocada no momento inoportuno, de modo que desviará a atenção dos grandes temas que temos a discutir na Universidade. A hora certa para isso é o início do mandato, mais precisamente nos primeiros cem dias, como deveria ter sido feito. Tenho várias ideias, que não convém expressá-las, embora tenha assinado a petição para sua discussão no plenário do Conselho Universitário”.

O diretor da EP foi o único dos entrevistados a fazer crítica direta à atual gestão. Considerando-se o tripé pesquisa, ensino e extensão, Cardoso observa hoje “forte desequilíbrio a favor da pesquisa, que recebeu volumosos recursos para seus projetos, o mesmo não ocorreu com a extensão e o ensino”. Como alternativa, defende: “O tripé precisa ser equilibrado para evitar distorções que já podem ser observadas. O ensino de graduação terá prioridade”. Sugere mais democracia: “A comunidade será acionada para assumir decisões de seu destino, sem pressões e com independência, mas sob uma liderança segura”.

Informativo Adusp nº 369