A Congregação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) incluiu na pauta de sua reunião desta terça-feira (17/8) proposta do  Departamento de Imagens Médicas, Hematologia e Oncologia Clínica da unidade, de “concessão do Título de Professor Emérito, desta Faculdade”, ao ex-reitor M. A. Zago, “de acordo com os Artigos 73 do Regimento, desta Faculdade e 93 do Estatuto”.
 
A proposta é no mínimo controversa. M. A. Zago notabilizou-se como um dos piores reitores da USP de todas as épocas, conforme atesta dossiê publicado na Revista Adusp 61. Tendo Vahan Agopyan como vice, elegeu-se com base numa proposta de amplo diálogo com a comunidade, mas comportou-se como um “tirano” à frente da Reitoria, como assinalou, no início da gestão reitoral 2014-2017, o então presidente da Adusp, professor Ciro Correia.
 
Médico e professor da FMRP, Zago desvinculou da USP o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru (HRAC) e deu início a uma política de desmonte e sucateamento do Hospital Universitário (HU), que ele classificou como “parasita”, conforme declaração que fez ao jornal Valor Econômico.
 
Em março de 2017, decidido a aprovar no Conselho Universitário seu pacote de austeridade fiscal, denominado “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira”, convocou o Pelotão de Choque da Força Tática da Polícia Militar para reprimir manifestantes e permitiu que o andar térreo da Reitoria se tornasse cárcere improvisado de estudantes e de uma funcionária da USP.
 
Entre 2015 e 2016, a gestão Zago promoveu um acordo sigiloso com a consultoria norte-americana McKinsey&Company, contratada à revelia do Conselho Universitário para desenvolver o projeto “USP do Futuro”, que só foi tornado público depois que a Adusp divulgou denúncia anônima sobre as tratativas, obrigando o então reitor a admitir a existência do projeto.
 
A iniciativa a ser apreciada hoje pela Congregação da FMRP coloca a seguinte questão: merecerá Zago receber um título honorário por seus feitos que pretendem destruir o caráter público da USP, fazendo avançar propostas privatistas e empreendedoras? Será este o entendimento da congregação?
 
(Manifestação aprovada na Plenária dos 3 setores de Ribeirão Preto de 16/8 e na Assembleia Geral da Adusp de 17/08)
 
 
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