Publicada pelo portal Tecmundo, a notícia chegou à USP como uma verdadeira “bomba”, em 7/5: “Universidades brasileiras que possuem parceria com o Google estão recebendo um aviso de que o serviço ilimitado de armazenamento em nuvem do Workspace for Education será encerrado no ano que vem, quando cada instituição terá 100 TB para dividir entre todos os usuários. Por causa disso, as escolas de ensino superior já começam a pensar em alternativas, já que o novo modelo é considerado insuficiente”.

No caso da USP, o contrato do Google Apps for Education, que permite o uso do Drive infinito, foi assinado em novembro de 2016 pelo então reitor M.A. Zago. A partir daquele momento, professores e alunos que tinham um e-mail da universidade puderam usufruir do benefício do armazenamento sem limites. Nas palavras da Superintendência de Tecnologia da Informação da USP (STI), em texto que ainda está no ar: “A USP e a Google firmaram um termo de cooperação que possibilita a alunos, alumni (ex-alunos), docentes e servidores técnicos e administrativos da Universidade a utilização dos recursos que compõem a ferramenta G Suite for Education. Tais recursos incluem o uso ilimitado dos serviços de e-mail, com controle de spam, calendário, contato, comunicação digital, armazenamento e compartilhamento de documentos”.

Como enfatizava a STI: “Para os membros da comunidade universitária, a cooperação possibilita armazenamento ilimitado de dados na nuvem e acesso e administração do e-mail USP por mecanismos iguais ao Gmail, customizados para o ambiente da Universidade. A parceria proporciona economia de aproximadamente R$ 6 milhões por ano, que seriam gastos pela USP para manter o serviço de gerenciamento das mensagens”.

Tudo isso acabará no final de 2021. “Para se ter uma ideia, pegando o caso da USP, cada pessoa com acesso ao serviço teria (em média) aproximadamente 1,07 GB de espaço a partir da nova regra. No caso da UFF [Universidade Federal Fluminense], o espaço para cada usuário seria ainda menor: aproximadamente 900 MB”, avalia a matéria do portal Tecmundo.

Na USP, a situação tem gerado comentários irônicos de docentes: “Pois é. 1 GB qualquer usuário básico do Gmail tem. Fomos vendidos ao Google à toa...”, ou “Eis a USP do Futuro” (em alusão ao canhestro projeto desenvolvido pela McKinsey&Company).

Consultada por intermédio de sua Assessoria de Imprensa, a Reitoria da USP divulgou a seguinte nota: “A pedido da Superintendência de Tecnologia de Informação (STI), informamos que caso o contrato Google não seja mais vantajoso para a USP buscaremos outras opções. A STI está sempre monitorando este cenário de opções tecnológicas. Caso tenhamos uma nova opção/solução faremos um planejamento para transição de modo a mantermos o mesmo nível e qualidade dos serviços atuais”.

Reportagem do Informativo Adusp publicada em novembro de 2017, intitulada “Google ‘presenteia’ USP. Comunidade desconfia”, apontou preocupações suscitadas pelo contrato firmado um ano antes, entre elas a inexistência de um debate prévio com os usuários, cujos e-mails foram compulsoriamente transferidos para o Gmail, e as muitas dúvidas existentes quanto à privacidade das mensagens.

 “Acredito que este episódio mostra a necessidade de uma instituição como a USP ter uma visão estratégica de médio e longo prazo acerca do controle da sua infraestrutura de TI usada para seus processos de ensino, extensão e pesquisa, no sentido de preservar sua autonomia e capacidade técnica de gerir sua própria infraestrutura”, comenta o professor Ewout ter Haar, do Instituto de Física (IF).

“Não há nada em princípio contra a contratação de serviços de terceiros, mas isso deve ser feito mantendo a independência e preservando a autonomia da USP de gerir e configurar seus espaços de ensino, extensão e pesquisa, além de considerar questões importantes acerca de vigilância, privacidade e controle sobre o fluxo de dados”, diz o docente. “Ao meu ver, a USP também deve sempre tentar contribuir com o fortalecimento da infraestrutura pública, colaborar com outras universidades públicas e usar e contribuir com software livre sempre quando possível”.