A Rede de Apoio Popular Butantã em Combate ao Coronavírus (RAP-Butantã) retoma nesta quinta-feira (4/3) suas ações de solidariedade, com a distribuição de cestas de alimentos às famílias cadastradas na Comunidade 1010, zona oeste de São Paulo. Devido à queda no volume de doações e ao alto custo dos produtos, a cesta entregue será reduzida em relação ao padrão do ano passado, sendo composta de arroz, feijão, óleo, ovos e leite em pó. Em 2020, as cestas básicas continham mais gêneros alimentícios e eram reforçadas com itens de limpeza e higiene e máscaras de proteção.

Nos últimos meses do ano, já por conta da queda na arrecadação e nas doações, a RAP-Butantã entregou às 200 famílias cadastradas nas duas comunidades (a 1010 e o Jardim d’Abril, também na zona Oeste) cestas contendo frango, sabão em pó e leite em pó. Em dezembro, também foi entregue umkit de natal com panetone e frango.

fotos: RAP-Butantã

Extensionistas veterinários do Itesp e da Defesa Agropecuária assessorando vacinação de gado

Uma das preocupações da RAP é a proteção dos moradores frente à pandemia, incluindo a discussão sobre as vacinas

O planejamento original da iniciativa — criada em abril do ano passado pela Adusp, Coletivo Butantã na Luta, Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” — era de que as ações de solidariedade, como a distribuição das cestas, fossem mantidas até o final de 2020, sendo paulatinamente substituídas por outras com foco em projetos de geração de emprego e renda nas comunidades atendidas. O agravamento da pandemia da Covid-19 e a piora da situação econômica levaram as lideranças a decidir que ainda não é possível prescindir da entrega de alimentos.

“Temos um quadro bastante dramático. A pandemia se agravou, o desemprego aumentou e as ações de solidariedade de modo geral caíram muito em toda a sociedade. O próprio poder público reduziu os aportes. O auxílio emergencial do governo federal acabou e deve voltar com um valor irrisório e para uma parcela menor da população”, descreve Lester Amaral Junior, da coordenação do Coletivo Butantã na Luta.

Essa retomada da distribuição das cestas pela RAP-Butantã “está ligada de forma indissociável ao nosso compromisso de adotar as ações que estimulem a auto-organização das populações de periferia, em especial as que a gente está apoiando, na luta por geração de renda e emprego”, continua. “Desde o início temos ouvido muitas vezes as pessoas agradecerem pela ajuda que recebem, mas ao mesmo tempo relatarem que precisam de algo permanente, e aí entra a questão do trabalho e dos rendimentos.”

Enquete com moradores mostra que quase metade tem dúvidas em relação às vacinas contra Covid-19

Algumas iniciativas no diálogo com as comunidades já foram tomadas no final do ano passado, com a realização de rodas de conversa. “Queremos trabalhar questões ligadas a cidadania, politização, união, informação, cuidado com o próprio território e outros temas”, diz Ellen Amaral, uma das lideranças da RAP-Butantã, agente da Pastoral da Criança da Comunidade Natividade do Senhor, na Vila Universitária.

“Não queremos um assistencialismo só com a cesta básica. É importante que essas comunidades se protejam mais da Covid-19 e saibam, por exemplo, o que está acontecendo em instâncias políticas que podem prejudicar diretamente a vida delas”, afirma.

A preocupação em relação aos cuidados com a Covid-19 foi reforçada a partir de uma enquete sobre vacinação que a RAP-Butantã realizou em dezembro com 82 pessoas das famílias cadastradas. Quase a metade dos entrevistados (39, ou 47,6%) respondeu que não queria tomar a vacina ou que estava em dúvida — nesse grupo, 16 pessoas (19,5% do total) responderam que não aceitariam ser vacinadas de jeito nenhum. “Isso nos impressionou muito e mostrou a potência das fake news e da desinformação na sociedade”, diz Ellen.

Nesta quinta, além da distribuição das cestas, haverá uma roda de conversa com os moradores exatamente para tirar dúvidas sobre as vacinas contra a doença. A condução será de Mario Balanco, biomédico, servidor aposentado da USP e integrante do Coletivo Butantã na Luta.

Em 2020, foram distribuídas mais de 17 toneladas de suprimentos

Em 2020, a iniciativa distribuiu mais de 17 toneladas de suprimentos (alimentos e itens de higiene e limpeza), além de máscaras, protetores faciais e 1.300 litros de álcool em gel, em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP e a BASF.

A coordenação da RAP-Butantã ressalta que, com a retomada das ações, é necessário reforçar também o engajamento dos contribuintes e doadores. Uma das colaboradoras da rede, Marta Alves da Silva, organizou uma rifa e doou o valor total arrecadado — R$ 1.000,00.

A Adusp disponibilizou uma conta corrente para o recebimento de doações:

Associação dos Docentes da USP
Banco do Brasil
Agência: 4328-1
C/C: 117-1
CNPJ: 51.688.943/0001-90

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