Concorrida assembleia geral virtual do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) realizada nesta quinta-feira (5/11) aprovou, por larga maioria, a proposta de “greve sanitária” contra o retorno compulsório do(a)s funcionário(a)s técnico-administrativo(a)s da universidade às atividades presenciais, determinado pelo chamado “Plano USP”. A greve sanitária envolverá a paralisação das atividades presenciais em serviços não essenciais, mas serão mantidas as atividades remotas que estiverem ocorrendo.

Durante a assembleia, diversos oradores criticaram o autoritarismo da Reitoria, que vem se recusando até mesmo a receber o Sintusp para discutir as questões relacionadas ao trabalho nas condições da pandemia. Foi destacado o fato de que o Grupo de Trabalho para a Elaboração do Plano de Readequação do Ano Acadêmico de 2020 (GT PRAA), responsável pela elaboração do “Plano USP” e liderado pelo vice-reitor Antonio Hernandes, reúne poucas pessoas e desconsidera a grande diversidade de situações laborais da USP.

“A Reitoria nos leva para o matadouro. O GT sabe que virá a segunda onda [da Covid-19], daqui a três meses, e caso isso ocorra eles retrocedem”, denunciou na assembleia Neli Wada, da diretoria do Sintusp. “Essa greve é um instrumento para salvar vidas”, resumiu

Outra questão levantada por participantes foi o fato de que docentes e estudantes não serão obrigados a retornar às atividades presenciais em 2020, o que deixa clara a discriminação praticada pela Reitoria contra funcionárias e funcionários. A caracterização das “condições clínicas de risco” no documento do GT foi igualmente objeto de ampla reprovação na assembleia, por permitir, na prática, que muitos portadores de comorbidades e até gestantes sejam convocados a trabalhar.

Em várias unidades ocorreram assembleias preparatórias que discutiram e aprovaram previamente a proposta de greve. Uma delas foi a Faculdade de Medicina, onde o(a)s funcionário(a)s decidiram solicitar o apoio da congregação ao movimento, embora o diretor da unidade, Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, seja um dos membros do GT PRAA e, portanto, coautor do “Plano USP”.

A assembleia também aprovou moção de repúdio à realização do evento privado “São Paulo Boat Show 2020” na Raia Olímpica da Cidade Universitária, entre 19 e 24/11, com autorização da Reitoria. Trata-se de uma feira de lanchas, veleiros, botes infláveis e outros equipamentos náuticos, realizada sob os auspícios da Secretaria Estadual de Turismo e que deve levar milhares de pessoas à Raia, em plena pandemia.