Parlamentares da oposição dizem que é preciso intensificar a luta em todas as frentes para tentar barrar a tramitação do texto, que já recebeu mais de 600 emendas

Várias atividades organizadas pela Frente Paulista em Defesa do Serviço Público marcaram nesta quarta-feira (26/8) o dia de protesto contra o projeto de lei 529/2020, enviado pelo governador João Doria (PSDB) à Assembleia Legislativa (Alesp).

Uma delas foi um ato que reuniu entidades sindicais e estudantis em frente à Alesp. No ato, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) disse que a luta contra o PL 529 precisa se dar em três frentes: na tramitação interna, com o máximo de obstruções nas comissões e no plenário – o deputado afirmou que já foram apresentadas mais de 600 emendas ao texto; na Justiça, com denúncias e ações para barrar o projeto; e na pressão realizada pelos movimentos sociais para que os deputados retirem ou votem contra o PL.

Reprodução de rede social

Servidores da Justiça também realizaram "apagão" do serviço remoto

Dirigentes de entidades estudantis, como o DCE-Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme” e o presidente da União Nacional dos Estudantes, Iago Montalvão, participaram da manifestação. O projeto ameaça retirar recursos das universidades públicas estaduais e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

No final da tarde, um ato solene em defesa do patrimônio público e contra o PL 529, realizado de forma remota, reuniu parlamentares e dirigentes de entidades de servidores de instituições diretamente atingidas pelo pacote de medidas de Doria.

Um dos oradores foi Alberto Leonardo Rosa, que representou os trabalhadores da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), empresa pública ameaçada de extinção pelo projeto. Rosa salientou que a CDHU é superavitária e conta com um patrimônio estimado em R$ 11 bilhões. É exatamente o fato de possuir áreas muito valorizadas que coloca a empresa na mira do interesse do mercado imobiliário, afirmou.

A deputada Leci Brandão (PCdoB), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Patrimônio e dos Serviços Públicos, disse no ato que vai lutar para que “essa proposta não tenha uma caminhada tranquila na casa”. “Vamos fazer de tudo para derrotá-la”, enfatizou.

“A gente tem que convencer e abrir a cabeça de mais deputados e deputadas. Vocês sabem que esta legislatura está difícil, mas a gente tem disposição para dialogar. Precisamos ampliar nossa força e constituir uma maioria capaz de fazer recuar essa trágica iniciativa”, afirmou a deputada.

Servidores da Justiça e de outros poderes realizaram um “apagão do serviço público” remoto, e no início da tarde foi promovido um “tuitaço” com a hashtag #NãoAoPL529.