Nota da Diretoria da Adusp

Tendo em vista a chamada para o Encontro da USP do próximo dia 19/8 — cujo  tema é “Os Desafios para uma Volta Segura aos campi da Universidade” — e a apresentação de uma versão preliminar do “Plano USP para o retorno gradual das atividades presenciais” na reunião de dirigentes do dia 10/8, a Diretoria da Adusp gostaria de reafirmar seu compromisso com a proteção, a saúde e a vida de todas as pessoas.

Enquanto a média de pessoas mortas pela Covid-19 no Brasil passa de mil por dia, com um total de cerca de 107 mil mortes, a gestão universitária planeja o retorno das atividades presenciais. Com quase 27 mil mortos (25% do total), São Paulo é o estado com maior número de vítimas. Contrariando muitas das previsões, a evolução da doença se mantém estável, com aumentos focais que coincidem com flexibilizações e reaberturas, indicando que o distanciamento social é a única medida eficaz de combate à disseminação da doença.

Os Planos São Paulo e USP de retorno estão longe de contemplar a complexidade da situação. O Plano USP é subsidiário do Plano São Paulo, que tem a retomada da economia como premissa. Pauta-se, exclusivamente, por indicadores que se resumem a números de leitos de UTI, casos, internações e óbitos, desconsiderando posicionamentos de vária(o)s pesquisadora(e)s desta e de outras universidades públicas e, sobretudo, desconsidera as desigualdades econômicas, sociais e culturais.

Desde o início da pandemia, a Diretoria da Adusp defende que qualquer medida deve incluir todas as pessoas da comunidade (estudantes, docentes, servidora(e)s técnico-administrativa(o)s, funcionária(o)s terceirizada(o)s, usuária(o)s e prestadora(e)s de serviços), desde sua construção até sua efetivação. Nenhuma decisão deveria alijar de participação as entidades representativas das categorias, sejam órgãos colegiados, sejam os sindicatos ou coletivos de estudantes. Apesar de alguma consideração por parte da Reitoria a manifestações e ofícios enviados aos órgãos centrais, nenhum setor da comunidade foi convidado a participar da construção do plano ou sequer ouvido em sua elaboração, nem para o de suspensão das atividades presenciais, quanto menos para o de retorno.

Os tais planos de retorno, por serem reducionistas, essencialmente pautados na lógica mercantil e produtivista e com pretensões que fogem do escopo do cuidado, desconsideram as pessoas que integram grupos de risco, aquelas vulnerabilizadas social e economicamente e as responsáveis pelo cuidado de outras pessoas – doentes, crianças, adolescentes, idosa(o)s .

A Diretoria da Adusp defende que qualquer plano de retorno às atividades presenciais deve considerar a proteção de todas as pessoas, independentemente de sua condição laboral, social, emocional ou outra de qualquer ordem. Deverão ser considerados os muitos fatores que compõem essa difícil equação, entre eles: idade, existência de doenças e comorbidades, questões de gênero, necessidade de uso de transporte coletivo, característica da atividade desenvolvida (p.e., laboratórios de pesquisa e atendimentos de saúde) e tantas outras dimensões que compõem a diversidade do nosso coletivo de mais de 100 mil pessoas.

Até o presente momento a Reitoria não conseguiu providenciar de forma adequada os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) dos profissionais do Hospital Universitário. Como será quando toda a comunidade USP começar a retornar ao trabalho presencial?

Estamos disposta(o)s a participar dessa construção em defesa da saúde e da vida, sempre!

Diretoria da Adusp

17 de agosto de 2020