As definições sobre o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e da adoção de protocolos de testagem para Sars-Cov-2 e Covid-19 para todas as pessoas que prestem atendimento ou realizem serviços no Hospital Universitário da USP (HU) estão entre os principais pontos da pauta da reunião que o Grupo de Trabalho (GT-HU) realizará na manhã desta quinta-feira (16/7) com o Conselho Deliberativo (CD) e a Superintendência do hospital. Formado por representantes da Adusp, do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e do Coletivo Butantã na Luta, o GT é presidido pela professora Primavera Borelli, docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

O grupo foi constituído numa reunião realizada no último dia 4/6, quando a Superintendência do HU comprometeu-se a apresentar três documentos com as seguintes informações: o quadro atual das contratações emergenciais de profissionais para o hospital, levando-se em conta o plano de afastamento de funcionários e funcionárias pertencentes aos grupos de risco da Covid-19; a discriminação da aplicação das verbas obtidas para o HU nos últimos anos por meio de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa (Alesp); e um levantamento do que é necessário fazer para restabelecer o funcionamento integral do hospital. Entretanto, houve pouco avanço em relação a esses itens na reunião seguinte, realizada no último dia 18/6.

Nesta terça-feira (14/7), a professora Primavera enviou ao presidente do CD, Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho, professor da Faculdade de Medicina (FM) da USP, e ao superintendente do HU, Paulo Margarido, as propostas elaboradas pelo GT para a utilização de EPIs e os protocolos de testagem, além de renovar a solicitação de entrega de dados e informações sobre o HU.

Preocupação com fornecimento de EPIs pelas empresas terceirizadas

O GT considera que a extensão do uso de máscara cirúrgica para todos os trabalhadores que tratem direta ou indiretamente do paciente e em todos os ambientes do HU, que consta da nova versão das “Recomendações para Assistência à Saúde no momento de epidemia”, apresentada no dia 18/6, “é uma medida que valoriza a vida, diminuindo o risco de transmissão e de infecção pelo Sars-CoV-2, tanto para a comunidade interna como externa (transmissão domiciliar e/ou na comunidade) ao HU”.

O GT sugere, entre outros itens, que profissionais que lidam com pacientes sem suspeita de Covid-19 também utilizem luvas, avental descartável e óculos de proteção ou protetor facial. “Tal recomendação baseia-se nos fatos de que haverá contato direto com o paciente além da coleta de material biológico pois, mesmo sem suspeita, [o paciente] pode ser assintomático”, justifica o GT.

Em relação às máscaras cirúrgicas, o grupo aponta que causa preocupação a recomendação de que se “a máscara estiver limpa e seca, utilizar uma por plantão”, o que não é a orientação das agências de saúde. O GT recomenda ainda que seja obrigatório o uso de máscara cirúrgica, trocada a cada duas horas, para todos os trabalhadores próprios, terceirizados, estagiários e residentes em todas as dependências internas e externas do HU.

O GT quer também que a Superintendência esclareça, entre outros pontos, qual é a participação do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) tanto em relação à distribuição das EPIs quanto às decisões de afastamento ou não de funcionários dos grupos de risco — e, ainda, como são fiscalizadas a disponibilização e o uso dos EPIs no caso dos funcionários de empresas terceirizadas.

Testagem deve ser realizada em duas frentes

Ricardo Mirão/Faculdades Oswaldo Cruz
Professor Ricardo Ambrósio Fock, da FCF

No dia 1º/7, o GT realizou uma reunião com o professor Ricardo Ambrósio Fock, docente do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da FCF, a partir da qual formulou o entendimento de que há duas frentes de testagem, com objetivos distintos, que devem ser implementadas no HU.

A primeira é a de testes para compor mapeamento epidemiológico e de risco, com o objetivo de avaliar a soroconversão (taxa de pessoas nas quais não foram detectados anticorpos e que os apresentam num segundo momento). Devem ser testados todos os funcionários (inclusive terceirizados), residentes, estudantes e estagiários do HU, com prioridade para os setores em que há maior risco. “Um fluxo regular e planejado de testagem, com períodos definidos, é essencial para acompanhamento da evolução da soroconversão e identificação de eventos relacionados (por exemplo, correlações entre pessoas que tiveram Covid-19 e soroconversão), inclusive para fins de pesquisa” defende o GT.

A segunda é a de testes com o objetivo de diagnosticar pacientes e funcionários que estejam com Covid-19, por meio do RT-PCR. Pessoas com sintomas da doença devem ser imediatamente afastadas, independentemente do resultado do teste (que pode demorar até dois dias). Mesmo que o resultado seja negativo, a pessoa deverá cumprir o período mínimo de 14 dias de afastamento, medida que considera eventuais falsos negativos e outras variáveis.

De acordo com o GT, “é imprescindível que o plano de testagem se estenda a todas as pessoas que prestam atendimento e/ou realizam serviços no HU, independentemente de sua situação funcional ou contratual, incluindo pessoas que realizem trabalhos ou serviços ocasionais”.

O GT também reforça a importância da existência de um plano de comunicação que permita à comunidade do HU ser informada sobre as ações para que não haja confusões ou erros de interpretação. “É preciso que todas e todos entendam o objetivo da testagem e suas limitações. Para isso, material com linguagem e recursos acessíveis contendo tais informações deve ser produzido e atualizado sempre que necessário. O material poderá ser utilizado como ferramenta de avaliação da eficácia das políticas de biossegurança implantadas”, aponta o grupo.

Reitoria precisa se posicionar sobre contratações permanentes para o hospital

Entre os pedidos de informação que encaminhou à Superintendência, o GT reforça a necessidade de atualização dos dados sobre o afastamento de trabalhadores de grupos de risco para Covid-19. O grupo quer saber exatamente quantos desses servidores estão trabalhando de forma presencial, quantos estão com escalas reduzidas ou de revezamento e quantos estão em teletrabalho ou permanecendo em casa.

Em relação às contratações e utilização das verbas conquistadas para o HU por meio de emendas na Alesp, o GT requer informações sobre o orçamento total do hospital nos anos de 2017, 2018, 2019 e 2020, discriminando em cada ano o orçamento aprovado e aquele efetivamente executado.

O grupo também pede informações detalhadas sobre os gastos com contratações, a utilização da verba de R$ 20 milhões destinada para recursos humanos em 2020 e quando começam a trabalhar os 72 novos profissionais cuja contratação por tempo determinado se iniciou com os editais publicados no final de junho e na primeira semana de julho.

Além disso, o GT pergunta ao presidente do CD e ao superintendente quando será aberto o concurso público para as contratações permanentes de pessoal — que o vice-reitor da USP, Antonio Carlos Hernandes, apontou no evento “O futuro do HU está presente”, realizado em dezembro do ano passado, que ocorreria ao longo de 2020. “É importante obter da Reitoria um posicionamento formal e atualizado sobre a diretriz anunciada”, reivindica o grupo.