Iniciativa do Centro Acadêmico Carneiro Leão, a sondagem contou com a participação de 159 discentes de primeiro a quinto ano da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto. Somente 43% deles disseram dispor de ambiente propício para estudo e aprendizagem a distância. A grande maioria (69%) prefere aulas gravadas a aulas online

Disposto a “monitorar o processo de aprendizado à distância”, conforme pediam alguns alunos, o Centro Acadêmico Carneiro Leão, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), organizou a “2ª Pesquisa de Opinião” entre os discentes da unidade. Ela foi realizada de forma virtual por meio da plataforma Formulários Google e divulgada por meio de redes sociais (Instagram, Facebook, WhatsApp) e por e-mails institucionais encaminhados à(o)s graduandos. Participaram 159 discentes, dos quais 38 (23,9%) cursavam o 1º ano da FORP; 31 (19,5%) o 2º ano; 25 (15,7%) o 3º ano; 35 (22%) o 4º ano: 28 (17,6%) o 5º ano; e dois foram designados como “outros”. A pesquisa foi finalizada no dia 29/5 (confira aqui a íntegra).

Entre as questões, a avaliação da metodologia empregada nas aulas remotas; a qualidade do acesso à Internet; a qualidade do ambiente em que o(a) aluno(a) assiste ou participa da aula; saúde mental durante o período de distanciamento social; classificação do “melhor método” de avaliação à distância; associação entre oferta de conteúdo e carga horária; eficácia do aprendizado. Foi reservado um espaço para eventuais sugestões, críticas e elogios.

A pesquisa sugere que a grande maioria dos estudantes da FORP dispõe de condições tecnológicas satisfatórias de usufruto dos meios digitais: 74 responderam que possuem nível de acesso “ótimo” à Internet e aos conteúdos oferecidos virtualmente, enquanto 54 disseram possuir acesso “bom” e 26 declararam possuir acesso “normal”. Somente cinco alunos disseram contar com acesso “ruim”.

Porém, as respostas a outro quesito da pesquisa revelam que a maior parte do corpo discente não conta, nas suas residências, com um ambiente ideal para estudar, assistir ou participar das aulas remotas. Enquanto 43,4% responderam “sim” à pergunta “Você considera que tem um ambiente calmo e propício para estudo, com uma rotina adequada?”, outros 39,6% responderam “parcialmente”, enquanto 17% responderam “não”.

As respostas ao quesito “Avaliação da metodologia das atividades EaD até o momento” permitem a conclusão de que a maioria do(a)s estudantes que participaram da pesquisa aprova a metodologia empregada nas atividades remotas, pois 64 optaram pela resposta “Bom” [sic], 60 a consideraram “Normal” e 11 assinalaram “Ótimo” [sic]. A alternativa “Ruim” foi assinalada por 19 e “Péssimo” [sic] por apenas 5. O quesito “Classifique a aplicação dos métodos de avaliação (provas, atividades, exercícios) das disciplinas até agora” recebeu respostas semelhantes.

Quanto ao “melhor método para continuidade do oferecimento de conteúdo teórico”, a grande maioria, 69,2%, optou pela resposta “Aulas EaD gravadas e disponibilizadas em plataformas diversas (Moodle, You Tube, Drive)”, enquanto a alternativa oposta “Aulas EaD ao vivo por videoconferência em horários predeterminados” reuniu o menor percentual de respostas: apenas 5%. A segunda resposta mais indicada foi “Suspensão de todas as atividades até o retorno normal das aulas”, com 17,6%. Depois dela, “Conteúdo teórico e atividades oferecidas pelo sistema Moodle”, com 8,2%. Por outro lado, àpergunta “As disciplinas estão oferecendo matérias e/ou atividades condizentes com a sua respectiva carga horária?”, 42,1% responderam que sim, 45,3% responderam “parcialmente” e 12,6% responderam que não.

52,8% consideram EaD “parcialmente eficaz” para seu aprendizado

No tocante ao “melhor método para avaliação das disciplinas”, há uma clara divisão entre o(a)s aluno(a)s: enquanto 47,8% apontaram a resposta “Avaliações teóricas online (provas, testes, questionários), outros 36,5% defenderam “Apenas atividades e lista de exercícios avaliativos”. Além disso, 15,7% optaram por “Suspensão de todos os métodos de avaliação até o retorno normal das aulas”.

As respostas à pergunta “Em sua opinião, o método EaD está sendo eficaz para seu aprendizado? Se sente confiante para aplicar esse conhecimento de forma prática?” reiteram o expressivo questionamento a essa modalidade dentro do corpo discente da FORP. Apenas 18,2% responderam “sim”, ao passo que 28,9% responderam “não” e outros 52,8% responderam “parcialmente”.

À pergunta “Como você classificaria sua saúde mental nesse período?”, a grande maioria do(a)s participantes — 137 ou 86% — respondeu atribuindo-se notas entre “7” e “1”, o que sugere uma autoavaliação dessa condição que pode ser entendida, no mínimo, como problemática. Apenas 12 atribuíram-se nota “8”, sete a nota “9”, e três a nota “10”. Na outra ponta do gráfico, 15 atribuíram-se nota “3”, sete a nota “2” e 8 a nota “1”. As notas que obtiveram maior número de respostas foram a “7”, com 38 (23,9%), “6”, com 29 (18,2%) e “5”, com 23 (14,5%).

“Um ponto que achamos preocupante é a grande quantidade de alunos com a saúde emocional gravemente abalada nesse período”, destaca a presidenta do Centro Acadêmico, Giovana Amorim Caixeta, ao comentar os resultados da sondagem. “O Centro Acadêmico deixa seus canais de comunicação abertos àqueles que precisarem de ajuda psicológica e está desenvolvendo projetos para ajudar os alunos a passarem por esse momento”.

O Centro Acadêmico reconhece que os alunos estão divididos quanto ao EaD: “Existem aqueles que já se adequaram ao método de ensino à distância e outros que estão tendo dificuldades. Tópicos frequentes foram: a grande carga de exercícios (principalmente de alunos dos primeiros anos); a incoerência do tamanho das aulas se comparada à carga horária original em grande parte das matérias; a disponibilização dos conteúdos em dias e horários que não condizem com a grade curricular; e há uma apreensão quanto ao adiantamento das aulas teóricas do próximo semestre”.