Sintusp
Trabalhadores do hospital e apoiadores se mobilizaram para o ato

“É um absurdo ter de fazer uma paralisação em frente ao hospital para exigir coisas mínimas, como EPI para trabalhadores, e que o grupo de risco seja liberado do trabalho. É um absurdo principalmente porque esse é um hospital-escola”, disse Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), durante novo protesto realizado nesta quarta-feira (6/5) na entrada do Hospital Universitário. Os manifestantes, que incluiram funcionários de outras unidades da USP e apoiadores externos, expressaram sua indignação contra o descaso da Superintendência do HU e da Reitoria diante das reivindicações dos profissionais por condições mínimas de trabalho durante a pandemia Covid-19.

As principais exigências — além da dispensa dos funcionários pertencentes aos grupos de risco, gestantes e lactantes e garantia plena de EPIs, máscaras e álcool gel para todos os setores do hospital — incluem contratação emergencial para suprir a demanda e realização de testes regulares para a equipe do HU, bem como testes massivos para a população em geral.

Mais uma vez foi denunciada a gestão autoritária do superintendente do hospital, Paulo Margarido: “Fizemos várias solicitações de reuniões, e só fomos recebidos após a intervenção do Ministério Público do Trabalho, ainda assim por assessores, que não resolveram praticamente nenhuma demanda que levantamos”, relata o Sintusp. O sindicato diz estar articulando com o Coletivo Butantã na Luta e outras entidades uma campanha “Fora Margarido!”.

“Já como fruto da nossa mobilização, a Superintendência emitiu um comunicado estendendo o uso das máscaras para praticamente todos os setores do hospital. No entanto isso ainda é insuficiente, pois conforme já denunciamos a orientação da administração é utilizar a mesma máscara por seis horas seguidas, quando o correto seria duas. E, de todo modo, seguimos ainda com as outras questões pendentes”.

Médicas que atuam como residentes no HU estão há dois meses sem receber seus salários, em virtude do não pagamento das bolsas de residência pelo Ministério da Saúde. No ato, oradores enfatizaram que o enfrentamento adequado da pandemia é impossível com um governo que nega ou minimiza os impactos da doença, e defenderam a saída de Bolsonaro e do vice Mourão.