Pacto pela vida é o tema da Marcha pela Ciência deste ano. “Vamos discutir a ciência e a tecnologia no Brasil e como elas podem ajudar na superação da grave crise sanitária e econômica que vivenciamos”, diz Ildeu de Castro Moreira, presidente da SBPC, entidade que lidera a programação desta quinta-feira 7/5, composta de muitos debates e manifestações online

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e um conjunto de aproximadamente cem instituições, entre universidades, institutos de pesquisa e outras entidades, realizam nesta quinta (7/5) a Marcha Virtual pela Ciência. A união em torno de um pacto pela vida e pelo Brasil é o tema da programação deste ano — que, por conta da pandemia do novo coronavírus, será inteiramente virtual. “O objetivo da marcha é debater com cientistas, médicos e especialistas e apresentar à população brasileira a situação da pandemia do coronavírus no país. Vamos discutir também a ciência e a tecnologia no Brasil e como elas podem ajudar na superação da grave crise sanitária e econômica que vivenciamos”, diz num vídeo de divulgação da programação o presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira.

A marcha retoma questões abordadas pela SBPC e entidades como a Comissão Arns e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no documento Pacto pela vida e pelo Brasil, publicado em 7/4, Dia Mundial da Saúde: “Ressalte-se aqui a importância do Sistema Único de Saúde - SUS, mais uma vez confirmada, com seus milhares de agentes arriscando as próprias vidas na linha de frente do combate à pandemia. É necessário e inadiável um aumento significativo do orçamento para o setor: o SUS é o instrumento que temos para garantir acesso universal a ações e serviços para recuperação, proteção e promoção da saúde”, afirma o texto.

“Hoje fazemos essa marcha, de maneira virtual, obedecendo à ciência. Essa ciência que tem mostrado o caminho para soluções da crise, na saúde e na economia. Cientistas do mundo inteiro, sem se preocupar com as fronteiras ou ideologias, estão unidos, trocando informações e buscando tratamentos, proteção adequada para controlar o vírus e prevenção para que o cenário não tome proporções catastróficas. Seguir a ciência agora é o único caminho”, enfatiza a professora Lucile Floeter Winter, diretora da SBPC e docente do Instituto de Biociências (IB) da USP, em declaração publicada na página da entidade.

“Se hoje temos alguma perspectiva de sair desta difícil condição provocada pela pandemia, será pelo trabalho de cientistas, que buscam incessantemente formas de combater este coronavírus e possíveis tratamentos para os pacientes infectados”, disse ao Informativo Adusp a professora Silvia Lacchini, docente do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e participante das edições anteriores da marcha. “Se hoje as equipes de saúde têm estrutura para confrontar a Covid-19, na melhor ou na pior das condições, isso se dá graças aos avanços científicos que ano a ano melhoram o conhecimento e permitem o desenvolvimento de fármacos e tecnologias, por exemplo”.

As pessoas que estão atuando diretamente no tratamento dos doentes e aquelas que estão em busca de respostas e soluções para a doença não apenas merecem, mas necessitam ter o apoio e o respeito de toda a população, continua a professora. “Ciência não tem partido, não tem bandeira e nem fronteira; o momento é de união e de apoio. Por isso, a marcha pela ciência, mesmo que num formato digital, é de extrema importância”.

Na avaliação de Mariana Moura, integrante da coordenação do coletivo Cientistas Engajados e doutora pelo Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, a Marcha pela Ciência é uma oportunidade para que os cientistas mostrem à sociedade a importância do trabalho que fazem e quais são as dificuldades para fazer esse trabalho.

“Neste ano ela é ainda mais importante em função da disputa na sociedade quanto às medidas e providências necessárias em relação à pandemia do coronavírus: salvar vidas ou, como gosta de dizer o presidente da República, levar em consideração a queda na atividade econômica. A discussão que precisamos colocar neste momento é que uma coisa não exclui a outra. Se não salvarmos vidas, não vai existir recuperação da atividade econômica. O pacto pela vida inclui não só proteger as pessoas contra o vírus, mas se refere também à vida econômica. Uma não existe sem a outra”, disse Mariana ao Informativo Adusp. Na sexta-feira (8/5), na sequência da marcha, o grupo promove uma live sobre a importância da participação política dos cientistas. O debate poderá ser acompanhado ao vivo às 17h30 na página dos Cientistas Engajados no Facebook.

Aplicativo permite “deslocar-se” até uma manifestação

As atividades da Marcha pela Ciência serão transmitidas pelas redes sociais da SBPC (Facebook e YouTube) ao longo desta quinta-feira. Haverá dois painéis nacionais: o primeiro, às 10h30, discutirá a pandemia do coronavírus e as medidas a serem adotadas para seu enfrentamento. Os apresentadores serão Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Manoel Girão, diretor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), e Arnaldo Colombo, da Unifesp.

Às 15h, um painel debaterá os desafios para a ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Os apresentadores serão Ildeu Moreira, Fábio Guedes Gomes, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e Gianna Sagazio, diretora de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Haverá muitas outras atividades ligadas à marcha em todo o Brasil. Veja aqui a programação completa.

Dois tuitaços também integram a programação, o primeiro às 12h e o segundo às 18h, com a postagem da hastagh #paCTopelavida. A SBPC lembra que um tweet que contenha apenas essa hashtag não a transformará num dos tópicos mais importantes do dia. É preciso colocar um texto adicional, que pode ser “Marcha pela Ciência”, “Defenda a Ciência”, “Educação, Democracia e Ciência”, “Ciência é investimento essencial” ou “Fique em Casa com a Ciência”.

Essas consignas, lembra o Fórum das Seis, que reúne as entidades de servidores e estudantes das universidades estaduais paulistas, remetem à importância de manter a luta pela derrubada da Emenda Constitucional (EC) 95/2016, que limitou drasticamente os investimentos nos serviços públicos do país.

Outra possibilidade de se integrar à marcha é utilizando o aplicativo Manif.app, criado na França durante as manifestações dos chamados “coletes amarelos”, iniciadas em 2018, e utilizado também nos protestos contra a reforma da Previdência naquele país. O aplicativo permite a organização de um evento online no qual o participante, usando um avatar, pode escrever seu “cartaz” e utilizar o mapa interativo para “deslocar-se” até a manifestação. Uma das manifestações virtuais terá como sede o gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília.