A Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP divulgou nesta sexta-feira (3/4) uma nota de esclarecimento em resposta à reportagem veiculada na quarta-feira (1/4) pelo site The Intercept Brasil. A reportagem, intitulada “Fomos abandonadas pela USP durante a pandemia, e não podemos nem morrer porque nossos filhos dependem de nós”, apresenta o depoimento de Cíntia Silva de Deus, aluna da Faculdade de Educação (FE), moradora do Conjunto Residencial da USP (Crusp) e presidenta da Comissão de Mães do Crusp. Cíntia qualifica como “um filme de terror” a situação dos alunos e alunas que permanecem na moradia estudantil depois da paralisação das atividades presenciais na universidade por conta da pandemia Covid-19.

“A Universidade de São Paulo (USP) esclarece que os alunos do Crusp não foram abandonados em nenhum momento. A USP tem sido atenta e diligente com todos seus alunos, especialmente os residentes no Crusp”, diz a nota da SAS. O comunicado, entretanto, reconhece os problemas estruturais dos prédios, entre eles “a falta de fogões e de lavanderias”, questões que “se acumulam historicamente e se amplificaram no momento da pandemia”.

De acordo com a SAS, é incorreta a afirmação da reportagem dando conta “que as medidas de isolamento foram apenas protagonizadas pelos moradores”, que não teriam recebido “nenhuma ajuda da USP”. A superintendência diz que, além das informações divulgadas pela Reitoria desde o dia 17/3, têm sido enviados “comunicados de consultas e esclarecimentos especificamente para os moradores do Crusp desde 23/3, esclarecendo os novos procedimentos adotados para atendimento aos alunos residentes” (disponíveis no site da SAS).

Entre as medidas que tomou, a SAS adquiriu itens de higiene e limpeza, como o álcool em gel, material entregue nos apartamentos em duas fases. “No prazo de uma semana, cada apartamento recebeu um frasco de álcool em gel, um frasco de desinfetante (5 L), um frasco de limpador multiuso (5 L), um pacote com 5 sabões em pedra, um frasco de detergente líquido, e um frasco de água sanitária. O processo de distribuição foi escalonado entre os blocos para evitar aglomeração, e os itens mais pesados foram entregues diretamente no bloco das mães”, informa a nota.

A SAS ressalva que há dificuldade em obter esses itens no mercado, situação agravada quando as compras são públicas, mas que já instalou dispensadores de álcool em gel em locais como as áreas de acesso aos elevadores no primeiro pavimento de todos os blocos. “Na data de hoje, tendo conseguido o fornecimento do produto, já se encontram instalados 70 novos dispensadores em todos os blocos”, diz o comunicado.

“Forte restrição de pessoal” e atendimento a distância

A SAS também rebate a alegação de que a universidade não “proveu orientações e amparo em relação à saúde de sua comunidade”. Especificamente em relação ao Crusp, afirma a nota, a superintendência comunicou aos moradores “que disponibiliza atendimento às dúvidas e orientações de procedimentos desde o dia 23 de março”, serviço realizado por um enfermeiro que atende remotamente por e-mail e WhatsApp. Também estão disponíveis os serviços do Escritório de Saúde Mental da Pró-Reitoria de Graduação e do Programa Acolhe USP. Há ainda, segundo a SAS, opções de atendimento no Centro de Saúde Escola Butantã e no Hospital Universitário (HU).

Em relação às restrições no atendimento presencial, a SAS afirma que os servidores estão adaptando suas atividades “aos regimes de teletrabalho, quando possível”, o que vem causando “forte restrição de pessoal” em toda a universidade. Porém, “as assistentes sociais têm atendido a todas as demandas por e-mail, sem exceção”, alega a superintendência. “Em demonstração da valorosa dedicação dos servidores, diversos serviços essenciais têm sido mantidos de maneira presencial. Por exemplo, a preparação e a entrega dos kits de limpeza só puderam ocorrer graças ao trabalho de dedicados servidores da SAS”, prossegue a nota.

O comunicado admite “que o acesso à rede Wi-Fi no interior dos apartamentos é precário” e diz os sinais de recepção serão reforçados em diversas áreas. Esta é uma questão antiga e agora, em tempos de isolamento social, denunciada com maior intensidade por muitos moradores do Crusp.A “instalação de Internet nos apartamentos, para garantir permanência mínima e em condição salutar” é uma das reivindicações apresentadas em “carta à mídia” divulgada em março.

Quando ao problema das refeições, “em caráter emergencial” foi estabelecido o fornecimento gratuito de marmitas em apenas um dos restaurantes do câmpus do Butantã, “que dista menos de 1 Km do Crusp, e está dedicado primariamente aos moradores do Crusp, mas não se nega a entregar refeições a estudantes que apresentem necessidade que justifique”. A SAS também “implantou um processo especial de entrega em domicílio (i.e., no bloco das mães) das refeições para as crianças do Crusp, contando para isso com o auxílio da Guarda Universitária”.

O comunicado informa ainda que a Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária “intensificou as rondas e vigilância em todos os blocos do Crusp” desde o dia 31/3 e que houve aumento do quadro de pessoal para a segurança nas portarias dos oito blocos.

A SAS conclui sua resposta afirmando ainda que, “apesar das condições extremas devido à pandemia, em que produtos e serviços estão limitados, seja pela demanda de toda a sociedade, seja pelas determinações legais superiores”, tem “envidado todos os esforços possíveis, de maneira pró-ativa e dedicada, no atendimento aos alunos moradores do Crusp”.