A Reitoria comunicou, no último sábado (28/3), a morte por Covid-19 de um aluno da USP. De acordo com a nota publicada pelo Jornal da USP, órgão oficial da universidade, “na manhã de hoje, dia 28 de março, no Hospital Universitário da USP [HU], o estudante do Instituto de Química (IQ), V.L.T, 56 anos, faleceu em decorrência da Covid-19”. Mais tarde, o jornal O Estado de S. Paulo publicou o nome completo do estudante: Verdy Luís Tiburcio.

“O aluno não era morador do Conjunto Residencial da USP (Crusp) e não há qualquer registro de passagem pelo Serviço Social da SAS [Superintendência de Assistência Social]”, acrescenta a Reitoria na nota, procurando dissociar o episódio das péssimas condições do Crusp, que vêm sendo objeto de denúncias.

“A USP lamenta profundamente o ocorrido e informa que está tomando providências para identificar eventuais colegas, professores e funcionários que estiveram em contato com o aluno e orientá-los como proceder”, diz ainda a nota. “As aulas de graduação e de pós-graduação da Universidade estão suspensas desde o dia 17 de março e os estudantes estão em regime de aulas a distância. O Serviço Social da SAS e o Escritório de Acolhimento em Saúde Mental da Pró-Reitoria de Graduação estão em contato com a família do estudante para oferecer o suporte da USP neste difícil momento”.

“Pontos emergenciais para garantir o funcionamento pleno do HU”

O HU, onde morreu Tiburcio, procura recuperar-se de um processo de desmantelamento iniciado na gestão M.A. Zago-Vahan Agopyan. Depois de prolongada luta do Coletivo Butantã na Luta e dos sindicatos (Sintusp e Adusp) e estudantes, com apoio da Assembleia Legislativa, nos últimos meses a Reitoria foi compelida a realizar uma contratação emergencial para repor parte do quadro de profissionais de saúde. A epidemia Covid-19, cujo enfrentamento requer enormes recursos em termos de equipamentos, médicos e pessoal de enfermagem, coloca em destaque a situação do hospital.  

“Nos últimos dias, foi confirmada a primeira morte por Covid-19 no Hospital Universitário da USP [...] estamos há vários dias tentando agendar uma reunião com a Superintendência do hospital para tratarmos de alguns pontos emergenciais para garantir o funcionamento pleno do HU e também a segurança dos profissionais que nele trabalham”, declarou o Sintusp em boletim datado de 29/3.

“Os pontos centrais que apresentamos como reivindicações a serem debatidas são: 1 – dispensa dos profissionais que estão nos grupos de risco ou que convivam com pessoas do referido grupo, gestantes e lactantes e pessoas com filhos menores de 10 anos, em todas as áreas do hospital, incluindo os serviços terceirizados. 2 – Contratação emergencial para suprir a demanda e garantir o pleno funcionamento do hospital. 3 – Garantia de todos os equipamentos de proteção individuais necessários, para todas as áreas do hospital”.