Nota da Diretoria da Adusp - 25/3/2020

Diante da situação de emergência, que ameaça todo o país e na qual a comunidade universitária está obviamente inserida, a Diretoria da Adusp reitera, com redobrada ênfase, sua preocupação com a pressão que Reitoria e pró-reitorias — secundadas por muitas diretorias de unidades e departamentos — estão exercendo sobre toda a comunidade uspiana para a manutenção dos cursos e de outras atividades, tendo como slogan “A USP não vai parar”.

O momento exige de todas e todos cautela e enorme responsabilidade com a saúde coletiva — e, no entanto, a direção da Universidade continua pressionando em busca da transformação dos cursos presenciais em cursos online, sem dar o mínimo de tempo para a avaliação do desenvolvimento da situação, para qualquer análise das possibilidades de utilização dos mecanismos e métodos de ensino a distância, ou ainda para a adaptação das pessoas à nova realidade de suas vidas.

Diante do cenário da Covid-19, tal postura da Reitoria caminha claramente na contramão das diversas indicações sobre prevenção da saúde física e mental feitas pelas autoridades médicas e sanitárias. Como sabemos, a recomendação principal para o combate efetivo ao novo coronavírus é o isolamento social. No entanto, esta medida — aliada à acelerada evolução do quadro da doença no país e no mundo — tem gerado grave instabilidade emocional na população. Menosprezar esse contexto é muito perigoso, quer no âmbito da saúde pública, quer no resultado que as atividades promovidas nessas condições podem gerar.

Portanto, a Diretoria da Adusp submete à avaliação de toda a comunidade universitária as seguintes propostas:

  1. que seja deliberada a suspensão imediata do semestre e que, durante o período de recesso, se realize uma ampla discussão envolvendo unidades, departamentos e programas de pós-graduação sobre as possibilidades de encaminhamento das atividades, com a tentativa de construir, quando possível, um calendário unificado, preparando a retomada;
  2. que as atividades online tenham como foco a manutenção do vínculo, da solidariedade e do apoio mútuo dentro da comunidade e não a obsessão de manter o calendário preexistente;
  3. que a adesão às atividades online aconteça de forma voluntária, sem punições de qualquer ordem, para estudantes e docentes;
  4. que todo o pessoal técnico, administrativo e terceirizado seja liberado do trabalho presencial; que seja mantida apenas uma estrutura mínima indispensável de funcionamento, conforme as necessidade locais, e que as pessoas que precisarem trabalhar presencialmente sejam adequadamente protegidas com EPIs e recebam por insalubridade;
  5. que seja prestado auxílio imediato às/aos estudantes que vivem nos campi universitários e/ou têm bolsas de auxílio;
  6. que sejam suspensos todos os prazos da pós-graduação, permitindo que as bancas sejam realizadas após o retorno, mas que também possam ser 100% online, desde que não haja necessidade de suporte técnico-administrativo presencial. Essa medida implica que seja cobrado, pela USP, o adiamento automático de todos os prazos que envolvem a pós-graduação junto às agências de fomento (Capes, CNPq, Fapesp etc.), independentemente de pedidos individualizados;
  7. que a Reitoria retire da página da USP a matéria cujo título é “Ensino a distância é nova realidade para professores de graduação da USP, já que para muitos não corresponde aos fatos.

Esperamos que a Reitoria reveja sem demora sua postura frente à presente crise e que ajude a garantir as condições físicas e mentais para que toda a comunidade da USP possa enfrentar esse momento da forma mais segura e consequente possível.