O reitor da USP, Vahan Agopyan, divulgou nesta sexta-feira (13/3) uma mensagem à comunidade uspiana com informações e orientações a respeito do novo coronavírus. A nota comunica o cancelamento, em todos os campi da USP, de eventos científicos e comemorativos com mais de 100 participantes; de atividades culturais e de extensão, abertas ao público em geral, com mais de 100 participantes; de visitas em grupo aos museus mantidos pela universidade; e das atividades do Programa 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU). No entanto, a Reitoria manteve as aulas de graduação e pós-graduação e outras atividades com público inferior ao definido nas medidas de restrição.

“A critério do(a) diretor(a) da unidade acadêmica ou administrativa, algumas atividades acima relacionadas poderão ser realizadas desde que devidamente justificadas”, diz o comunicado. Essas medidas, avalia a Reitoria, “pouco prejudicam as atividades básicas da Universidade, mas as tornam mais seguras”. A Reitoria também decidiu suspender as viagens acadêmicas de discentes, docentes e funcionários programadas ao exterior.

Por outro lado, estão mantidas as atividades de graduação, pós-graduação, pesquisa e de cultura e extensão com público menor do que 100 pessoas, assim como as visitas individuais aos museus.

“Desde o começo da propagação do novo coronavírus, a USP vem acompanhando seu desenvolvimento e tomando as medidas preventivas devidas, sempre seguindo as recomendações das autoridades sanitárias e da Organização Mundial da Saúde (OMS), além das sugestões de nossos pesquisadores que estudam o tema. A orientação é a de sermos cautelosos para garantir a segurança da comunidade, sem apelar para medidas populistas, normalmente ineficazes”, diz o comunicado.

O presidente da Adusp, professor Rodrigo Ricupero, questiona as medidas anunciadas pela Reitoria. “Ainda que as opiniões sobre a forma de combater a propagação do vírus sejam polêmicas, a universidade precisa se pautar pela precaução e também garantir a tranquilidade da comunidade. O comunicado de hoje (13/3) só aumenta as dúvidas. Por que só as atividades com mais de 100 pessoas serão canceladas? Por que 100 e não 80? E as aulas menores mas em salas pequenas? E o transporte coletivo sempre lotado?”, pergunta. “Hoje a intranquilidade é muito grande, e muitos estudantes e docentes optaram por suspender as aulas. A universidade precisa respeitar isso, e a Adusp vai dar suporte para todos aqueles que individualmente ou coletivamente decidirem suspender as atividades.”

O presidente da entidade ressalta ainda que “ao manter as atividades a USP precisa garantir o suprimento dos itens necessários para a segurança de todos, em especial dos trabalhadores da limpeza tercerizados”. “Não podemos esperar que as empresas tercerizadas deem álcool gel, máscaras e outros equipamentos de proteção, bem como as orientações necessárias. É preciso que a universidade proteja todos os seus servidores, diretos e indiretos, responsabilidade que, com a manutenção das atividades, passa a ser da USP”, defende. Confira aqui a nota emitida em 12/3 pela Diretoria da Adusp.

Preferimos pecar pelo excesso de zelo que por omissão”, diz reitor da Unicamp

No comunicado desta sexta, o reitor Vahan Agopyan ressalta que a recomendação da USP, desde o primeiro alerta dado pela OMS sobre a doença, em dezembro do ano passado, é consultar a Superintendência de Saúde da universidade e seguir as suas orientações. Agopyan recomenda ainda que a comunidade procure informações no site coronavirus.usp.br, criado pela Superintendência de Comunicação Social (SCS), e recorra ao Comitê Permanente Covid-19, coordenado pelo superintendente de Saúde, professor Paulo Margarido, também responsável pelo Hospital Universitário.

“Caso necessário, novas medidas serão adotadas no tempo certo”, diz o comunicado, referindo-se à nota emitida pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) na quinta-feira (12/3). O Cruesp decidiu “seguir as recomendações do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde, que não preveem, neste momento, suspensão de aulas”. Entetanto, a decisão “poderá ser alterada a qualquer momento em virtude de possíveis modificações do cenário atual”. Com base na decisão do conselho, a Unicamp “discutirá internamente a medida adotada anteriormente”, diz a nota.

Na própria quinta-feira, a Unicamp havia anunciado a suspensão das atividades presenciais entre os 13 e 29/3. Nesta sexta, em entrevista coletiva, o reitor Marcelo Knobel confirmou a paralisação. “Sabemos que é uma decisão drástica, mas baseamos nossa opção em indicadores científicos e preferimos pecar pelo excesso de zelo do que pela omissão”, disse Knobel. “O objetivo, segundo o reitor, é reduzir a velocidade da disseminação do vírus e evitar uma sobrecarga repentina em todo o sistema de saúde”, aponta reportagem publicada a respeito no portal da universidade.

Em nota, a Reitoria da Unicamp confirmou que “as aulas presenciais permancem suspensas, estando esta medida sujeita a reavaliação periódica”. As autorizações para viagens de docentes, discentes e servidores e a recepção de visitantes também foram suspensas. Já as atividades administrativas estão mantidas, “respeitando-se o plano de contingência estabelecido em cada unidade/órgão e aprovado pelo Comitê de Crise”. Até o momento, não há casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus na Unicamp. Na quinta-feira, a Unesp, que também não tem casos confirmados, divulgou comunicado no qual afirma que estão mantidas as suas atividades acadêmicas e administrativas.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou comunicado em 12/3 no qual afirma que neste “momento da epidemia no Brasil não está recomendado fechar escolas ou faculdades ou escritórios”.

Segundo caso confirmado na USP, agora na Poli. Docentes discutem paralisação

Nesta sexta, foi confirmado o segundo caso de aluno diagnosticado com coronavírus na USP: é um estudante da Escola Politécnica. De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, que divulgou a informação no site da Folha de S. Paulo, as aulas na Poli não serão suspensas, e os estudantes que estiveram com esse aluno serão contatados pela Vigilância Sanitária.

Na última quarta-feira (11/3), o Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) confirmou o diagnóstico de um aluno. As aulas foram suspensas naquele dia, mas retomadas no restante da semana.

A preocupação com a pandemia do novo coronavírus tem suscitado a adoção de medidas em toda a universidade. Muitos eventos estão sendo cancelados, algumas unidades criaram gabinetes de crise e são muitos os relatos de docentes que têm utilizado os meios tecnológicos para ministrar aulas e outras atividades a distância.

Essa é, por exemplo, uma das recomendações expressas num comunicado do gabinete de crise do Instituto de Biociências (IB), que encoraja “fortemente” todas as atividades de educação a distância e a adoção de medidas para “flexibilizar as atividades didáticas de forma a aumentar a distância entre as pessoas”. Entre outras medidas, o gabinete de crise suspendeu temporariamente todos os eventos programados pelos coletivos do IB, assim como as visitas de grupos de alunos e professores de escolas públicas ou privadas.

No Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférias (IAG), os seminários previstos para esta sexta-feira foram cancelados por decisão dos docentes. A pressão para que a USP suspenda as atividades presenciais deve crescer na próxima semana – em muitos departamentos e unidades, docentes têm realizado reuniões para deliberar sobre a situação. Na sexta, os professores do Departamento de História da FFLCH decidiram que vão interromper as aulas. Discussões semelhantes sobre paralisação de atividades ocorriam em outros departamentos, como, nesta sexta (13/3), no de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito.

Nesta quinta, o DCE Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme” divulgou comunicado em sua página no Facebook no qual cobra “informações e atualizações constantes da Reitoria” a respeito das medidas relativas à pandemia do coronavírus. “Esperamos que USP neste momento delicado tenha a consciência de que uma paralisação breve porém imediata pode evitar uma longa paralisação futura com danos diversos. A suspensão das atividades na Universidade de São Paulo é uma questão de saúde pública. A autonomia universitária existe para que as decisões tomadas internamente sejam de interesse amplo da USP e não pautadas por pressões externas.”

Instituições públicas e privadas suspendem aula em vários Estados

Docentes e alunos do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP – um grupo de cerca de 50 pessoas – que retornaram do 33o Congresso Brasileiro de Zoologia, realizado de 2 a 6/3 em Águas de Lindoia, no interior de São Paulo, foram comunicados de que o presidente do congresso está com sintomas relacionados ao Covid-19. A diretoria do departamento deve indicar que todos os docentes que participaram da programação fiquem em quarentena de cinco a 15 dias a partir da próxima segunda-feira (16/3). A comissão organizadora do 33o Congresso, porém, emitiu nota declarando que “até o momento não tem conhecimento de qualquer caso de coronavírus confirmado entre os participantes” do evento.

Brasil afora, a preocupação com o novo coronavírus já provocou a suspensão temporária de aulas e atividades em várias instituições, entre elas a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Instituições privadas, como a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e o Insper – que nesta sexta teve a confirmação do diagnóstico de um aluno – também suspenderam as aulas.

Na quinta-feira, os sindicatos de docentes e funcionários da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) emitiram comunicado afirmando que estudariam até a adoção de medidas judiciais para ter acesso aos pareceres médicos que sustentam a decisão da Reitoria e da Fundação São Paulo de manter as aulas e demais atividades acadêmicas. Na sexta, a PUC-SP reafirmou que as atividades continuarão a ser realizadas e que, em caso de diagnóstico positivo para o vírus, alunos, funcionários e professores devem procurar os órgãos da universidade para encaminhar os devidos trâmites.