Departamento de Geografia suspendeu aulas por um dia, nesta quarta-feira (11/3), depois que um aluno do curso foi oficialmente diagnosticado com o Covid-19

Em nota à comunidade emitida nesta quarta-feira (11/3), a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP anunciou que as aulas e demais atividades da unidade serão mantidas enquanto aguarda orientação das autoridades de saúde da USP e do governo estadual, depois que “um aluno do curso de Geografia foi oficialmente diagnosticado com o novo Coronavírus (Covid-19)”. “Esse é o único caso comunicado à instituição. O fato foi imediatamente reportado à Reitoria”, diz a nota.

“A FFLCH informa que manterá suas aulas e demais atividades enquanto aguarda a manifestação da Superintendência de Saúde da USP e o Centro de Gestão do Coronavírus no Estado de São Paulo, que vão estabelecer os protocolos necessários à segurança de todos. Havendo qualquer alteração desse quadro e, amparados pelos profissionais de saúde competentes, toda a comunidade da nossa Faculdade será informada imediatamente”.  

A nota termina com um pedido de cautela: “Contamos com a colaboração da comunidade acadêmica para evitar o alarmismo e a disseminação de boatos. Lembramos que todos devem ficar atentos às práticas de prevenção contra este vírus (veja aqui orientações do Ministério da Saúde)”.

Embora a FFLCH não mencione, nessa mesma data o Departamento de Geografia decidiu suspender as aulas por um dia.

Sintusp e CAELL exigem transparência da Reitoria

O Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp) e o Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários (CAELL) emitiram notas nas quais exigem transparência da Reitoria na condução do assunto. “A Reitoria precisa garantir as medidas de proteção, de forma isônomica, na Universidade”, diz texto publicado pelo Sintusp no Facebook. “Na última terça-feira o Sintusp protocolou um ofício à Reitoria solicitando transparência da administração quanto à questão do coronavírus, tendo em vista uma série de boatos sobre possíveis casos, bem como solicitando que as ações necessárias de prevenção e proteção fossem encaminhadas”.

Prossegue: “Na reunião do Conselho Universitário na terça isso foi cobrado, e o reitor disse que havia 3 casos suspeitos, a serem confirmados com a contraprova, e que os procedimentos adotados seriam todos aqueles determinados pelo Ministério da Saúde. Agora isso ganha ainda mais importância, já que foi confirmado pelo departamento de Geografia da USP um caso de infecção de um estudante, fato que já foi amplamente noticiado pela imprensa, inclusive com suspensão das aulas nesse curso”.

A nota lembra que, na reunião realizada entre uma comissão de mulheres e a Reitoria em 11/3, a representação do Sintusp questionou o coordenador-executivo do gabinete quanto às providências sobre o coronavírus. O representante do reitor disse que o tema está sendo debatido com Paulo Margarido, superintendente de Saúde da USP, a quem caberia dar à universidade uma orientação geral sobre o assunto.

“Consideramos fundamental que a universidade tome todas as medidas necessárias de prevenção e de proteção à comunidade. Qualquer medida tomada deve garantir tratamento igualitário aos funcionários, docentes e estudantes, incluindo os terceirizados, sem qualquer prejuízo aos trabalhadores”, finaliza a nota do Sintusp.

O CAELL, por sua vez, exige “posicionamento imediato da Diretoria da FFLCH” (o que acabou ocorrendo) e reivindica que “Diretoria e Reitoria não sejam displicentes com os estudantes e com os trabalhadores, diante de uma questão tão grave”.