Movimento teve primeira reunião com novo superintendente do hospital e organiza manifestação na próxima sexta-feira, quando está agendado encontro no Ministério Público para discutir plano de reestruturação da instituição

O coletivo Butantã na Luta reuniu-se na manhã desta segunda-feira (28/1) com o novo superintendente do Hospital Universitário (HU) da USP, Paulo Ramos Margarido, que assumiu o cargo no início de 2019. Também participaram da reunião três assessores da direção do hospital e representantes do Sintusp e do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC), da Faculdade de Medicina (FM).

Para Lester Amaral Junior, integrante do Butantã na Luta, a direção do HU não apresentou propostas concretas sobre a reestruturação do hospital e nem trouxe novidades relevantes em relação ao que já havia exposto na última reunião com os promotores do Ministério Público de São Paulo (MP), no dia 19/12 do ano passado. A impressão foi de que o novo dirigente ainda está tomando pé da situação, relata Amaral.

Paulo Margarido passou a acumular as funções de superintendente do HU e de Saúde da USP. Além disso, preside o Grupo de Trabalho nomeado pelo reitor Vahan Agopyan no final de 2018 para “elaborar proposta de adequação da equipe técnica do Hospital Universitário” e “elaborar proposta de captação de recursos, visando à modernização de equipamentos do hospital”. A portaria que criou o GT foi publicada no dia 7/12 e determina prazo de 90 dias para a conclusão dos trabalhos.

Temos que quebrar essa ortodoxia da USP de que não pode contratar de jeito nenhum”

De acordo com Lester Amaral, na última reunião realizada no MP a direção do HU apresentou um convênio assinado com a Secretaria Estadual da Saúde, no valor de R$ 6,3 milhões, para a contratação de profissionais do Hospital das Clínicas (HCFMUSP), via Fundação Faculdade de Medicina. O objetivo é que esses profissionais componham uma escala de 175 plantões por mês no HU ao longo deste ano.

“Isso seria para estancar a sangria e sair um pouco do sufoco no atendimento, mas não tem nada a ver com a solução estrutural do HU, que seria operada com o orçamento aprovado para 2019”, diz Amaral.

Além dos recursos do orçamento da USP, foi aprovada uma verba de RS 40 milhões do Tesouro do Estado – “que não tem a ver com os recursos do ICMS”, esclarece Amaral – para custeio e investimento no HU. O valor total destinado ao hospital neste ano chega a R$ 358 milhões.

“Isso pode resolver grande parte dos problemas do hospital, que envolvem a reposição de recursos humanos. A questão é driblar aquilo que o reitor não quer fazer, ou seja, concurso para a contratação de funcionários por conta dos ‘Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira’ da USP”, aponta o integrante do coletivo Butantã na Luta.

Para Amaral, um dos desafios do movimento em 2019 é fazer “uma disputa forte de opinião” no Conselho Universitário para tratar a questão do HU como exceção. “Temos nos articulado com professores da FM para tentar operar no campo da opinião e quebrar essa ortodoxia da USP de que não pode contratar funcionários de jeito nenhum, colocando a peculiaridade das características de hospital-escola do HU”, defende.

Na próxima sexta-feira (1/2), haverá nova reunião entre as partes com os promotores no MP. Voltarão à pauta temas como a emenda que destinou R$ 48 mihões dos royalties do petróleo ao HU e a possibilidade de que o reitor da USP seja alvo de processo por improbidade administrativa.

“Queremos mobilizar pessoas para uma manifestação em frente ao MP e também pedir aos promotores para trabalhar na perspectiva de formalizar a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pela USP em relação ao HU. Já temos um ano e meio de conversa sobre essa questão. As coisas precisam virar compromisso por escrito”, afirma Lester Amaral.

 

Utilizamos cookies

Utilizamos cookies neste site. Você pode decidir se aceita seu uso ou não, mas alertamos que a recusa pode limitar as funcionalidades que o site oferece.