Na segunda semana do retorno às atividades presenciais na USP, pelo menos duas unidades já alertaram sobre a ocorrência de casos de Covid-10 entre estudantes.

A situação mais séria é a da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), na qual a chefia do Departamento de Biologia (DB) e a Coordenação do Curso de Ciências Biológicas (CoC-CB), em reunião nesta quarta-feira (23/3), decidiram suspender por dez dias as atividades didáticas presenciais de uma turma em que se constatou índice de casos confirmados de Covid-19 superior a 30% da(o)s aluna(o)s, além da existência de outras suspeitas de casos.

Já na terça-feira (22/3), a professora Annie Schmaltz Hsiou, docente do DB e vice-presidenta da Adusp, comunicou à chefia e à CoC-CB que havia recebido e-mails de duas alunas da turma informando que tinham diagnóstico confirmado de Covid-19 e que não compareceriam às aulas nos dias seguintes.

“Avisei que, como medida preventiva, havia decidido não ministrar a aula que daria a essa turma na manhã de quarta. Soube então pela CoC-CB que outros alunos e alunas da mesma turma também já haviam informado que estavam com a doença”, relata a professora.

Em comunicado enviado por e-mail no final da tarde da quarta-feira aos e às docentes do curso, a chefia do DB e a CoC-CB dizem que “fica facultado ao docente decidir, em conjunto com a turma, a melhor forma de repor o conteúdo referente ao período de isolamento, considerando inclusive a possibilidade de utilizar ferramentas alternativas de ensino, dada a excepcionalidade de uma situação de afastamento de atividades presenciais por casos simultâneos de Covid em uma mesma turma no intervalo de poucos dias”.

“A CoC-CB e a Chefia do Departamento permanecem atentas e monitorando a situação, sempre à disposição para eventuais esclarecimentos e orientações”, prossegue o comunicado.

Em outro e-mail, encaminhado a docentes, discentes e funcionária(o)s do DB, os dirigentes comunicam que, “visando preservar a saúde de toda a comunidade do Departamento de Biologia”, estabeleceram “como protocolo de ação a suspensão de atividades didáticas presenciais e recomendação de isolamento da turma em questão por um período de 10 (dez) dias”. A medida será adotada sempre que o número de casos confirmados num intervalo de poucos dias representar “valores próximos ou superiores a 15% do total de alunos matriculados em uma mesma turma”.

Nas duas mensagens, os dirigentes do departamento e do curso reiteram que as pessoas que tiveram contato presencial com a turma e estejam com diagnóstico de Covid-19 ou suspeita da doença (pelo menos dois sintomas) devem enviar a informação à CoC-CB e fazer a autodeclaração, conforme as orientações do siteRetorno Seguro”, que contém as diretrizes e protocolos da USP para a retomada das atividades presencias.

“Esperamos contar com a compreensão de todos neste momento que exige nossa total atenção e cuidado. A CoC-CB e a Chefia do Departamento permanecem à disposição para esclarecimentos e discussões sobre o tema, com o intuito de encontrarmos, sempre, os melhores caminhos para o nosso curso e nossa comunidade”, dizem os dirigentes no comunicado.

Esalq reforça recomendações de prevenção dentro e fora do câmpus

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, não houve até o momento suspensão de atividades, mas há vários casos confirmados de Covid-19 entre a(o)s estudantes.

O professor Paulo Eduardo Moruzzi Marques, docente do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES) da unidade e diretor regional da Adusp em Piracicaba, recebeu somente nos últimos dias seis e-mails de aluna(o)s justificando ausência nas aulas de diversas disciplinas por terem testado positivo para a doença ou serem casos suspeitos.

Dirigentes da unidade também enviaram comunicados aos e às docentes reforçando a observância das recomendações do site “Retorno Seguro”. “Estamos iniciando a nossa segunda semana de aulas. A semana de recepção foi bem-sucedida e foi muito bom voltar a interagir com os demais docentes e com os discentes de todos os semestres. Contudo, já fomos informados da confirmação de casos de Covid entre os discentes. Assim, precisamos zelar pela continuidade desta convivência nos próximos meses e por isso estamos escrevendo para lembrar a todos dos protocolos sanitários vigentes até o momento e válidos para todas as unidades da USP”, diz a mensagem enviada pelas coordenações dos cursos de Economia, Administração e Licenciaturas e pela Chefia do LES.

A professora Thais Vieira, presidenta da Comissão de Graduação da Esalq, também enviou mensagem à comunidade da escola reiterando a necessidade de cumprimento dos protocolos de segurança para prevenção da Covid-19, incluindo a determinação da Reitoria de manter o uso das máscaras de proteção nos ambientes fechados da universidade.

O comunicado lembra ainda que estudantes com a carteira digital e-Card USP bloqueada por não terem se vacinado ou apresentado justificativa aceita pela universidade “estão impedidos de frequentar as aulas e cientes de que não terão nota e frequência registradas no sistema Júpiter até a regularização”.

“Por fim, pedimos aos alunos que mantenham os procedimentos de segurança para evitar contaminação também em suas atividades fora do campus. A conscientização de todos é importante para termos um semestre presencial com segurança e mais tranquilidade”, conclui a professora.

Planos Sanitários e Educacionais dos três setores priorizam segurança e vida da comunidade

Conforme membros da Diretoria da Adusp ressaltaram na primeira reunião com o reitor e vice-reitora da USP, no dia 10/3, a entidade defende o retorno presencial com segurança e tem se debruçado sobre o tema ao longo de toda a pandemia, trabalhando na construção coletiva dos Planos Sanitários e Educacionais para um retorno seguro às atividades presenciais.

A Diretoria lamentou que as contribuições da comunidade de docentes, estudantes e funcionária(o)s não tenham sido levadas em conta pela Reitoria. “Há vários elementos da convivência universitária em que funcionários e estudantes poderiam contribuir, porém não estão participando do planejamento. Se o processo de pensar o retorno fosse mais democrático, esses elementos teriam sido contemplados”, afirmou na reunião a presidenta da entidade, professora Michele Schultz.

A versão atualizada do documento-base dos planos foi aprovada pela Assembleia Geral da Adusp no dia 9/3 e enviada à Reitoria no dia 11/3, juntamente a outros documentos produzidos pela entidade sobre o tema nos últimos dois anos.

O retorno presencial foi tema também da Assembleia Geral de 16/3, que aprovou pontos como a solicitação à Reitoria de que as pessoas (docentes, discentes e servidores/as) com vulnerabilidade (p. ex., comorbidades) possam participar das atividades por meio remoto, garantindo uma fase de transição até o retorno presencial integral.

A Assembleia Geral aprovou ainda o envio de um ofício à Comissão Assessora de Saúde da USP solicitando uma reunião para a discussão de pontos centrais constantes dos protocolos divulgados no site “Retorno Seguro”, como o controle de vacinação atrasado, as medidas de ventilação e distanciamento e o esclarecimento de fluxos e diretrizes relativos ao combate da Covid-19 na universidade.

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