Dezesseis trabalhadora(e)s, dos cerca de 50 em atividade no local, tiveram diagnóstico positivo para Covid-19 nos últimos dias. Reitor não recebe servidora(e)s alegando “fase de transição de gestão”

Fotos: Sintusp

Faixa expõe contradição na Reitoria: luto pela vida de quem?

 

Comissão não foi recebida na Reitoria

 

Servidora(e)s do Restaurante Central da Cidade Universitária, que paralisaram suas atividades na quarta-feira da semana passada (12/1), realizaram um ato em frente à Reitoria nesta terça-feira (18/1) para reivindicar o fechamento temporário do serviço e a volta da entrega de marmitas a estudantes, prática adotada em outros momentos da pandemia.
 
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), dos cerca de 50 funcionária(o)s que estavam trabalhando no local para preparar e servir as refeições, 16 tiveram recentemente diagnóstico positivo para a Covid-19.
 
Há ainda outra(o)s servidora(e)s que apresentam sintomas e aguardam o resultado dos testes, além daquela(e)s que tiveram contato direto com colegas infectada(o)s e ainda não fizeram o exame.
 
Nesta época de férias acadêmicas, o número de refeições servidas no Restaurante Central, destinadas especialmente a moradora(e)s do Conjunto Residencial da USP (Crusp), varia de 600 a 800 diariamente.
 
A(o)s trabalhadora(e)s procuraram a direção do restaurante, a Superintendência de Assistência Social (SAS) e a Comissão Assessora nomeada pela Reitoria para propor as diretrizes do retorno às atividades presenciais, mas as demandas não foram atendidas.
 
Diante das negativas e da intransigência frente a um quadro tão grave, principalmente num momento em que os casos de Covid-19 voltaram a explodir no país por conta da circulação da variante Ômicron, a(o)s funcionária(o)s decidiram pela paralisação e procuraram o Sintusp para articular outras ações.
 
Durante a realização do ato desta terça, uma comissão de diretora(e)s do Sintusp e de trabalhadora(e)s do restaurante tentou conversar com o reitor, mas não foi recebida. De acordo com o sindicato, a única resposta veio da secretária do chefe de Gabinete da Reitoria, professor Marcos Domingos Siqueira Tavares, informando que a entidade deveria tentar agendar oficialmente uma reunião com Tavares.

Folha de S. Paulo e TV Globo noticiam a greve. Reitor e vice desapareceram

O Boletim do Sintusp desta quarta-feira (19/1) publica a foto de uma faixa pendurada no prédio da Reitoria com os dizeres “Luto pela vida” e aponta a contradição: luto pela vida de quem?
 
Imagens do ato foram transmitidas ao vivo pelo telejornal SP1, da TV Globo, cuja produção afirmou ter procurado a Reitoria da USP para falar sobre a questão, sem obter retorno.
 
À Folha de S. Paulo, a Reitoria respondeu que não recebeu a comissão devido à “fase de transição de gestão”. O reitor Vahan Agopyan deixa o cargo na próxima quarta-feira (26/1), quando assumem o professor Carlos Gilberto Carlotti Junior como reitor e a professora Maria Arminda do Nascimento Arruda como vice-reitora.
 
Até a tarde desta quarta-feira, nenhuma proposta concreta para a solução do impasse havia sido encaminhada pela Reitoria ou pela SAS.
 
Nesta quinta-feira (20/1), às 14h, o Sintusp realiza assembleia geral virtual, na qual estará em pauta a proposta de decretação de uma greve sanitária em toda a USP caso a Reitoria se negue a suspender o trabalho presencial, voltando a manter em funcionamento apenas as atividades essenciais e adotando novamente o teletrabalho onde for possível.
 
A página da SAS na Internet mantém no ar um comunicado publicado na última sexta-feira (14/1) informando que, “por razões operacionais, o Restaurante Central permanecerá temporariamente fechado”. Nesta segunda (17/1) foi publicado o aviso de que “o Restaurante das Químicas está funcionando para café da manhã, almoço e jantar, com entrega de marmitas, para consumo fora do Restaurante”.
 
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