Iniciativa, que envolve também Sintusp, DCE-Livre e Coletivo Butantã na Luta, vai arrecadar recursos para compra de produtos alimentícios e de higiene, e organizar a distribuição. Doações em dinheiro podem ser feitas numa conta corrente da Adusp

A Adusp é uma das entidades constituintes da Rede de Apoio Popular Butantã em Combate ao Coronavírus (RAP-Butantã), que durante o isolamento provocado pela pandemia Covid-19 vai promover ações de solidariedade social voltadas às comunidades da região, na qual se localiza a Cidade Universitária. A rede, que inclui também o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), o DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” e o Coletivo Butantã na Luta, vai buscar auxiliar famílias que estão sem acesso à alimentação e a produtos de higiene necessários para sua segurança e subsistência.
 
De acordo com o manifesto divulgado pela RAP-Butantã, “as ações de solidariedade social são fundamentais para prover as condições básicas de sobrevivência da população da periferia e assegurar que elas possam manter o distanciamento e isolamento social, que se tornará mais rigoroso nas próximas semanas”.
 
As entidades apontam que “as ações governamentais de transferência de recursos à população mais carente”, em especial às famílias que vivem da economia informal, “ainda não foram efetivadas e, mesmo quando funcionarem, os montantes previstos serão insuficientes para atender as necessidades básicas de sobrevivência”. Essa realidade, prossegue o manifesto, “dificulta sobremaneira o necessário isolamento social e impõe para a maioria dos trabalhadores das periferias a drástica escolha entre manter o isolamento e correr o sério risco de não ter as mínimas condições de alimentação, saúde e higiene para suas famílias ou ir para a rua para obter recursos para a sobrevivência, mas trazer junto o vírus para dentro das suas casas e vizinhança”.
 
As entidades reconhecem que muitas iniciativas já estão sendo adotadas nas próprias periferias, mas que “ainda falta organização para garantir que os recursos arrecadados cheguem a quem efetivamente precisa constantemente durante o período de isolamento”. A iniciativa, sublinham, “não se propõe a substituir a obrigação do Estado em promover políticas públicas que possibilitem a todos terem uma garantia de renda, alimentação adequada e acesso aos serviços de saúde”.
 
Voluntários podem se cadastrar pela internet
 
A RAP-Butantã vai constituir uma Comissão Operacional, formada por representantes de cada entidade, que encaminhará as decisões sobre formas de divulgação e de arrecadação da rede, organizando voluntários; compra dos produtos; contato e organização dos polos para recebimento; garantia de que os produtos cheguem às famílias cadastradas; transparência por meio da divulgação de boletins semanais; e inclusão de novos polos à medida que se ampliarem as ações. Só serão apoiados os polos locais que assegurem o cadastramento das famílias que receberão os produtos, priorizando o apoio aos mais necessitados.
 
Para ser voluntário da RAP-Butantã, inscreva-se neste formulário. A rede também está presente no Facebook (Rede de Apoio Popular) e no Instagram (instagram.com/RedePopular/).
Para fazer doações por transferência ou depósito bancário, uma conta corrente foi disponibilizada pela Adusp, que será a instituição com figura juridica (CNPJ) para receber os recursos:
 
Associação dos Docentes da USP
Banco do Brasil
Agência: 4328-1
C/C: 117-1
CNPJ: 51.688.943/0001-90
 

IPEN esteriliza máscaras produzidas por costureiras de Paraisópolis

O projeto “Costurando Sonhos Brasil”, que desde 2018 capacita para trabalho com corte e costura mulheres em extrema vulnerabilidade social, incluindo vítimas de violência doméstica, fez na última segunda-feira (13/4) a entrega da primeira remessa de 1.500 máscaras de tecido ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), no Câmpus do Butantã.
 
O IPEN vai desinfectar as máscaras com raios gama. No total, 50 mil máscaras serão produzidas pelas costureiras e distribuídas na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, para que os moradores possam utilizá-las com segurança. A distribuição será feita em parceria com a União de Moradores e do Comércio de Paraisópolis e o G10 das Favelas.
 
Coube a Mariana Moura, doutora pelo Instituto de Energia e Ambiente (IEA) da USP e fundadora do movimento “Cientistas Engajados”, fazer a “ponte” entre o projeto e o IPEN. Mariana já conhecia o Costurando Sonhos e foi procurada pelas coordenadoras, que tinham ouvido falar sobre a existência de um equipamento que poderia fazer a esterilização das máscaras. A direção do instituto foi absolutamente receptiva à ideia e, de acordo com o relato das participantes do projeto, deu todas as orientações necessárias sobre o envio e o acondicionamento das máscaras.
 
“Estou muito feliz que isso tenha dado certo, porque é mais uma prova de que o investimento em ciência dá resultados palpáveis para a população. Nesse caso, está atuando sobre um problema de uma comunidade em que as casas são muito próximas, dificultando o isolamento, e onde muitas pessoas não têm a possibilidade de ficar em quarentena porque precisam continuar saindo para trabalhar”, disse Mariana ao Informativo Adusp.
 
“A possibilidade de que um equipamento de pesquisa destinado a outros fins seja utilizado num momento como este para ajudar uma comunidade na luta contra a pandemia é uma coisa fantástica”, completa.