Gerido pela Superintendência de Assistência Social da USP (SAS), o Clube da Universidade — antigo Clube dos Professores — está ameaçado de terceirização. No início de janeiro, o superintendente da SAS, Waldyr Antonio Jorge, reuniu-se com os funcionários e anunciou a terceirização para, no máximo, março deste ano. O motivo alegado seria a “falta de funcionários” no quadro de pessoal do Clube.

Porém, o quadro se mantém completo desde que o estabelecimento foi inaugurado, na gestão do reitor José Goldemberg (1986-1990). É o que garantem funcionários ouvidos pelo Informativo Adusp. “Nós estamos incomodados, porque não estão faltando funcionários. Desde que esse restaurante foi fundado, nós somos nove garçons e todos eles estão na ativa. É o mesmo quadro de funcionários. Totalizando, hoje o restaurante tem 26 empregados. Não está faltando ninguém, então eu não sei o porquê dessa terceirização”, rebate um garçom do Clube que, por receio de retaliação, pede que seu nome seja omitido.

Ele ainda recorda que o superintendente Waldyr Jorge, ao ter sua justificativa contestada durante a reunião, limitou-se a responder: “São ordens vindas de cima”.

Importante espaço de encontro de docentes da USP, o Clube da Universidade localiza-se na Rua do Matão, 801, próximo ao Instituto de Biociências (IB). Possui dois restaurantes: um self-service e uma churrascaria. Até 2014, os bailes anuais da Adusp foram realizados no Clube.

Incerteza e apreensão

“Muitos professores frequentam o Clube não só para almoçar, mas também para apresentar teses, realizar reuniões e relaxar”, comenta outro funcionário que também pediu para não ter seu nome divulgado. “A gente sabe que tendo um dono aqui esse espaço não será o mesmo, porque um dono vai querer fazer disso aqui uma praça de alimentação, onde as pessoas vão apenas vir almoçar, deixando de ser um local de convivência. O Clube é um espaço muito bom e os professores vão perder muito com a terceirização”.

A eventual terceirização do Clube constitui uma ameaça às condições de vida dos trabalhadores, que não sabem seu destino dentro dos quadros da USP, já que uma portaria do Gabinete da Reitoria, divulgada em novembro de 2015, extinguiu, entre outros cargos, os de garçom e cozinheiro.

“Nós pedimos a reunião com o Waldyr Jorge, porque a USP extinguiu os cargos de garçom, auxiliar de cozinha e cozinheiro. Estamos numa situação de incerteza sobre o que vai acontecer. Depois de tanto tempo, para onde a gente vai? Está todo mundo apreensivo, tanto os garçons quanto o pessoal da cozinha. Vamos sair de um ambiente onde convivemos por tanto tempo e iremos para locais onde nem mesmo sabemos o que vamos fazer”.

Depois de confirmada a intenção da gestão M.A. Zago-V. Agopyan de terceirizar o Clube da Universidade, um abaixo-assinado que reuniu 300 assinaturas foi protocolado e enviado à Reitoria. Outro abaixo-assinado está sendo preparado e também será entregue à administração. “Os professores não querem que o Clube seja terceirizado porque eles sabem que vão perder um espaço que foi feito para eles. Acredito que após as férias o número de assinantes será bem maior que as 700 assinaturas já colhidas”, aponta o funcionário.

“Ataque brutal”

Solange Conceição Lopes, da direção do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), aponta a terceirização do Clube como um “ataque brutal” e diz que, embora tal medida seja “imposta com a desculpa do PIDV [Programa de Incentivo à Demissão Voluntária] e da crise financeira”, a “intenção é de diminuir cada vez mais o quadro de funcionários, terceirizando serviços básicos da Universidade, diminuindo as condições de trabalho e salários dos trabalhadores”.

Ela confirmou que o Sintusp enviou ofício a Waldyr Jorge, no qual solicita uma reunião em caráter de urgência, e outro ao Departamento de Recursos Humanos da USP, com o qual já tem reunião marcada para 12/2, em que pede a inclusão, como ponto de pauta, da questão do Clube e dos restaurantes universitários.

“Professores, funcionários e estudantes estão sendo prejudicados. Enquanto isso, o reitor segue ‘descendo a madeira’. Por ele, já tinha fechado o Hospital Universitário (HU), os restaurantes e as creches. A saída é a gente se unificar e fazer luta, não tem outro jeito”, assevera Solange.

A reportagem procurou o superintendente Waldyr Jorge para buscar esclarecimentos relativos à eventual terceirização do Clube da Universidade, bem como ao decorrente remanejamento dos funcionários do estabelecimento para outras funções na USP. Até o fechamento desta nota não havíamos obtido retorno da SAS. 

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