Um ato público em defesa do povo indígena Yanomami foi realizado nesta segunda-feira (9/5) no vão do MASP, na capital paulista, seguido de uma marcha dos manifestantes, na sua grande maioria jovens, na Avenida Paulista. A principal palavra de ordem do protesto era a preservação do território ancestral dos Yanomami, frente à invasão e às atrocidades praticadas por garimpeiros: “Brasil é terra indígena, fora garimpo”.

Uma semana atrás, o país ficou sabendo de chocantes acontecimentos na comunidade denominada Aracaçá, na região de Waikás, em Roraima, onde no final de abril um grupo de garimpeiros estuprou e assassinou uma menina Yanomami de doze anos de idade, além de atirar ao rio uma outra criança, de três anos. Os crimes hediondos levaram o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) a emitir nota intitulada “Abraçamos o povo Yanomami em sua dor e angústia”. 

O protesto realizado no MASP contou com a participação de lideranças indígenas tupinambá, guarani e yanomami. “O indígena Case Angatu, do povo xukuru, de Palmeira dos Índios (AL) discursou durante o ato, lembrando que o etnocídio dos povos indígenas é histórico e estrutural. “Qual é a grande questão indígena? É a terra”, disse Case, conforme reportagem publicada no portal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). “Se esse coletivo todo aqui se autodeclarar indígena, não tem problema para o governo. Mas se esse coletivo se autodeclarar indígena e pedir o direito à terra, aí tem problema, aí a gente morre”.

A pesquisadora Mariana Moura, coordenadora do Movimento Cientistas Engajados, participou do ato de 9/5: “Viemos manifestar nosso apoio ao povo yanomami e repudiar o garimpo nas terras indígenas”, afirmou. Em postagem no Twitter, ela publicou vídeo que registra a manifestação na Avenida Paulista.

Mais de 20 mil garimpeiros e aliados circulam ilegalmente na TI Yanomami, diz CIMI 

A nota do CIMI relata que as organizações indígenas, “apoiadas por organizações indigenistas, pela Diocese de Roraima, pela Pastoral Indigenista e pelas congregações de religiosos e religiosas”, bem como a Procuradoria Geral da República (PGR) em Roraima, “vêm, nos últimos anos, denunciando o aumento assustador de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami (TIY): mais de 20 mil garimpeiros e pessoas que dão suporte à atividade ilegal circulam nas terras e rios, intimidando, ameaçando, avançando, desmatando, poluindo, contagiando, violentando e matando”.

Ainda segundo a nota, o relatório “Yanomami sob Ataque. Garimpo Ilegal na Terra Indígena Yanomami e Propostas para Combatê-lo”, das organizações Hutukara Associação Yanomami (HAY) e Associação Wanasseduume Ye’kwana, “resultado de estudos e mapeamentos, registros fotográficos e infográficos, indica que, de 2016 a 2020, o garimpo na região cresceu nada menos que 3.350%”. Em 2021, o garimpo ilegal avançou 46% em comparação com 2020.

O aumento expressivo do garimpo na TIY aumentou a frequência e a intensidade das ameaças à vida dos povos Yanomami e Ye’kuana, diz o CIMI. “O ano de 2021 foi extremamente trágico para o povo Yanomami, principalmente a partir do mês de maio, com ataques violentos à comunidade Palimiu, na região do rio Uraricoera, e que se estendeu depois a outros lugares. Em 2022, novos relatos denunciaram o fornecimento de armas de fogo aos indígenas, que começam a se confrontar, gerando conflitos internos. Houve mortes em um destes confrontos entre as comunidades Tirei e a de Pixanehabi”.

A livre circulação, pelas florestas, rios e nas comunidades dentro da TIY, “de homens a serviço do garimpo, fortemente armados, gera insegurança a quem se opõe ao garimpo, inibindo os indígenas de circularem livremente pelo território e impedindo a normalidade das atividades diárias de auto sustentação e até de visitação entre comunidades”. Além disso, os impactos socioambientais decorrentes da invasão garimpeira se multiplicam: “A contaminação das águas por mercúrio, diretamente associada ao garimpo, causa danos irreversíveis à saúde”.

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