Quatrocentas e vinte mulheres de todo o país participaram de uma plenária virtual nacional em 23/11 com a finalidade de “animar a mulherada de norte a sul desse país para estarmos nas ruas no dia 4 de dezembro”, e assim organizar um forte e inesquecível #4DBolsonaroNuncaMais — também chamado de Dia Nacional de Mobilização das Mulheres. A Adusp participou dessa atividade, representada pelas professoras Michele Schultz, presidenta, e Annie Schmaltz Hsiou, 1ª vice-presidenta.

“A plenária foi iniciativa da articulação nacional das mulheres das frentes Povo Sem Medo, Brasil Popular e da campanha nacional Fora Bolsonaro, grupo que tem reunido, semanalmente, dezenas de organizações feministas, secretarias de mulheres de partidos da esquerda, centrais sindicais, coletivos nacionais de combate ao racismo, entre outros, para inspirar as frentes feministas nos Estados e assim colocar as mulheres em marcha”, explica texto divulgado no site Esquerda Online.

“O que construímos em 2018 com o #EleNão está cravado nos anais de luta do Brasil. De lá para cá sobrevivemos a um conjunto de ataques, são inúmeros os elementos objetivos e subjetivos”, dizem organizadoras, elencando as mais de 614 mil mortes pela Covid-19 — mortandade facilitada pela política genocida do governo Bolsonaro; “o avanço acelerado do genocídio dos povos indígenas, da destruição do meio ambiente, com as maiores queimadas e desmatamento da Amazônia já vistos na história, com cerca de 27 milhões passando fome, acúmulo de tarefas domésticas e altas taxas de exploração, o que se reflete numa enorme exaustão, especialmente, entre nós, mulheres”.

De acordo com o grupo Resistência Feminista, a iniciativa e o protagonismo do #4DBolsonaroNuncaMais cabem às mulheres, porém “somente seremos vitoriosas nessa tarefa se o conjunto dos lutadores entenderem que é mais um dia de luta pelo fora Bolsonaro, ou seja, se também entrarem com seriedade nessa organização”, o que implica interação urgente e reuniões entre as frentes feministas estaduais e as frentes fora Bolsonaro, para construção conjunta dos protestos.

Segundo o manifesto nacional de convocação do #4D, as mulheres “convocam cada uma e cada um que se compromete com o combate à feminização da pobreza, ao racismo, à LGBTfobias e a todas as ações que agravam a situação das mulheres no Brasil a ocupar as ruas no dia 4 de dezembro”. A luta pela derrubada de Bolsonaro, afirma o manifesto,  é necessariamente antiimperialista, democrática, antirracista e feminista. “É uma luta em defesa da vida das mulheres, que coloca a agenda de lutas contra a fome, a carestia, a violência, e pela saúde e pelos direitos reprodutivos das mulheres. É abrir diálogo com a maioria que tem sofrido com a fome, com a perda de seus entes queridos, com a violência e com o desemprego”. Leia a seguir a íntegra do documento.

Ele Não! Bolsonaro Nunca Mais!

Desde os atos de 2018 que gritaram “Ele Não!” às vésperas do primeiro turno das eleições, um longo caminho de lutas foi travado pelo movimento feminista no Brasil. O dia 29 de setembro de 2018 foi fruto de um histórico de lutas das mulheres que se fortalece a cada ano: a Primavera Feminista, a luta pelo “Aposentadoria fica, Temer sai”, e todas as lutas contra o golpe elitista e misógino. É desse histórico que vem o acúmulo político que conflagrou uma unidade entre as mulheres para impedir os retrocessos nos nossos direitos.

O “Ele Não” foi uma expressão da força das mulheres em luta: foram muitos atos de rua em todos os estados brasileiros, com milhões de pessoas nas ruas a partir da liderança das mulheres indignadas e mobilizadas para evitar que a política regressiva, violenta e misógina de Bolsonaro chegasse ao governo brasileiro. Impedimos que este projeto fosse vitorioso ainda no primeiro turno em 2018 e apresentamos ao país uma oposição unificada e ampla. Afinal, sabemos que quando a vida piora, ela piora ainda mais para as mulheres e em especial para as mulheres pobres e negras.

Lutamos desde lá, contra o pior e mais nefasto governo deste país desde a redemocratização. A indignação do ”Ele Não” esteve no Tsunami da Educação, na Marcha das Margaridas, nas lutas contra as reformas neoliberais impostas por esse governo. Fomos nós, mulheres, desde o primeiro momento a dizer “Fora Bolsonaro!” e “Impeachment Já!” e constituímos parte importante das diversas manifestações contra Bolsonaro, que retomaram as ruas mesmo durante a pandemia. Recuperar esse norte de indignação das brasileiras é fundamental para a derrubada desse genocida.

É por atuação do governo Bolsonaro que a crise econômica se agravou, levando mais de 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras ao desemprego. A destruição de políticas de combate à pobreza aprofundou o quadro de fome entre as famílias, em especial nas casas chefiadas por mulheres negras. A paralisação dos programas voltados para os povos do campo, das florestas e das águas, é mais uma demonstração de sua parceria com o agronegócio, que agrava ainda mais o cenário da insegurança alimentar, destruição da natureza e entrega da nossa soberania.

Sob uma política consciente de Bolsonaro para disseminar indiscriminadamente o coronavírus, mais de 614 mil brasileiros e brasileiras perderam suas vidas. Fomos nós, as mulheres, que mais perdemos emprego para cuidar das crianças, dos idosos e de quem adoecia. Fomos as primeiras a morrer. Quando morre uma mulher negra, que não teve o direito de se isolar para não perder o emprego, morremos todas nós.

A violência contra as mulheres e meninas se amplia a cada dia, pois o discurso de ódio de Bolsonaro se espalha e nos faz como alvo preferencial dos fascistas. Uma mulher é assassinada a cada duas horas em nosso país, sendo 66% destas mulheres negras. Não somos números, somos vidas! O aprofundamento da misoginia em nosso país também se demonstra no aumento da violência política de gênero, que tem seu maior exemplo na execução da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco em 2018 – ainda sem resposta sobre quem mandou matá-la. De lá pra cá, temos visto uma resposta contundente da população na eleição de mulheres negras nas casas legislativas, mas também a intensificação da reação criminosa dos machistas, dos racistas e dos fascistas.

Além desta dor, o que nos movimenta é a necessidade combater as violências ampliadas ao patamar de política pública pelo bolsonarismo, que desenvolve um projeto misógino e supremacista; que reforça as violências sociais e letais contra negros, povos originários e de comunidades do campo, das águas e das florestas; que promove a destruição da Amazônia, atacando nosso meio ambiente e os povos tradicionais.

As mulheres convocam cada uma e cada um que se compromete com o combate à feminização da pobreza, ao racismo, à LGBTfobias e a todas as ações que agravam a situação das mulheres no Brasil a ocupar as ruas no dia 04 de dezembro. A luta pela derrubada de Bolsonaro do poder é uma luta necessariamente antiimperialista, democrática, antirracista e feminista. É uma luta em defesa da vida das mulheres, que coloca a agenda de lutas contra a fome, a carestia, a violência, e pela saúde e pelos direitos reprodutivos das mulheres. É abrir diálogo com a maioria que tem sofrido com a fome, com a perda de seus entes queridos, com a violência e com o desemprego.

Continuamos em luta hoje e em 2022 por #ForaBolsonaro, pois o impeachment é uma necessidade urgente para punir Bolsonaro por seus vários crimes e para melhorar a vida do povo. Somos muitas, somos milhões e de todos os cantos desse país. Nós nunca saímos das ruas contra Bolsonaro e nelas continuaremos em defesa das nossas vidas.

BOLSONARO NUNCA MAIS!

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