A Rede de Apoio Popular Butantã em Combate ao Coronavírus (RAP-Butantã) participou do ato público que reuniu comunidades da Zona Oeste de São Paulo na manhã desta sexta-feira (30/7) para reivindicar medidas urgentes de segurança alimentar e combate ao desemprego para a população da região.

Elineudo Moura

Elineudo Moura

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Subprefeito acompanha leitura da carta de reivindicações por Lester Amaral

Centenas de integrantes dos movimentos populares, partidos políticos e coletivos de 20 comunidades da região dos distritos Butantã, Rio Pequeno e Raposo Tavares se concentraram a partir das 6h30min no viaduto Peri-Peri e seguiram em caminhada até a Subprefeitura do Butantã, onde uma comissão foi recebida pelo subprefeito Paulo Vitor Sapienza.

O grupo entregou a Sapienza uma carta de reivindicações, lida por Lester Amaral Junior, da coordenação do Coletivo Butantã na Luta. “O ato-passeata realizado nesta manhã é um grito de desespero e de alerta: de desespero por não conseguir mais viver passando fome e frio, sem teto, sem ter onde nossos filhos possam ser acolhidos, sem ter onde cuidar de nossa saúde e, principalmente, sem ter possibilidades básicas de acesso a emprego, trabalho e renda. De alerta para deixar claro que utilizaremos todas as nossas energias (debilitadas pela falta de ações da Prefeitura) para lutar ativamente por nossos direitos básicos de cidadãs e cidadãos que produzem a cidade, mas que dela são excluídos”, diz o texto.

Entre os itens apresentados na pauta, o movimento reivindica a ação imediata da Subprefeitura do Butantã para assegurar o fornecimento de 14 mil cestas básicas mensais na região até o final de 2021 e a abertura imediata da cozinha do Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional (Cresan-Butantã) para distribuição de 5 mil marmitas diárias nas comunidades da região, gerando empregos em produção, organização e logística.

O movimento demanda também a criação “em caráter de urgência de um amplo Programa Municipal de Frentes de Trabalho na Subprefeitura do Butantã, onde a seleção e contratação sejam de trabalhadores desempregados das próprias comunidades, assegurando condições dignas de remuneração e treinamento para capacitação profissional”.

Em relação à assistência social, as comunidades querem a reativação de 1,5 mil vagas perdidas nos Centros de Convivência de Crianças e Adolescentes (CCAs) em toda a região do Butantã nos últimos cinco anos e o envolvimento da subprefeitura para impedir o encerramento das atividades dos CCAs Gracinha (no Jardim Monte Kemel) e Clarisse (no Jardim Jaqueline). Reivindicam também a reforma no Circo Escola da Comunidade São Remo e a reativação dos seus serviços de assistência social.

Subprefeito terá encontros quinzenais com comissão de moradores

No encontro com o subprefeito, que durou mais de uma hora e meia, várias lideranças das comunidades puderam detalhar pontos da carta de reivindicações. Sapienza assumiu o compromisso de se reunir a cada quinze dias com uma comissão de representantes dos moradores para debater e encaminhar propostas. “Vocês vão ter que me ajudar a cumprir essas pautas”, disse.

A primeira reunião já foi agendada para a próxima quinta-feira (5/8), quando o movimento espera que a subprefeitura possa apresentar retornos iniciais sobre a distribuição de cestas básicas, a abertura da cozinha do Cresan e a situação dos CCAs e do Circo Escola.

“A partir da ampliação das suas ações, a RAP-Butantã estreitou laços com lideranças de diferentes comunidades da região. São lideranças, praticamente todas mulheres, que vivem algo muito dramático, que é a existência de um número de famílias necessitadas muito maior do que a quantidade de cestas que chegam”, diz Ellen Amaral, integrante do coletivo e agente da Pastoral da Criança da Comunidade Natividade do Senhor, na Vila Universitária. “Estamos estrangulados em relação às ações de solidariedade, e o poder público vem fazendo muito pouco”, avalia, enfocando a articulação que deu origem ao ato desta sexta-feira e à carta de reivindicações entregue ao subprefeito.

Rede já distribuiu mais de 50 toneladas de suprimentos

A RAP-Butantã foi criada em abril de 2020, atuando de forma permanente junto a 200 famílias (cerca de 800 pessoas) em duas comunidades da Zona Oeste, além de participar de ações pontuais em outras comunidades da região.

Durante a pandemia, a rede distribuiu quase 50,5 toneladas de suprimentos (alimentos e itens de higiene e limpeza). Também foram entregues 3 mil máscaras de pano e 10 mil máscaras descartáveis para as famílias, além de 1,5 mil protetores faciais para Unidades Básicas de Saúde.

As famílias receberam ainda 9 mil litros de álcool em gel, numa parceria que envolveu a multinacional BASF e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

Neste inverno, já foram distribuídos 661 cobertores para a população mais vulnerável, como pessoas em situação de rua. Outras atividades organizadas pela rede incluem a realização de palestras e rodas de conversa nas comunidades sobre temas como doenças sexualmente transmissíveis e a importância da vacinação, especialmente contra a Covid-19, uma vez que a eficácia e os efeitos das vacinas são alvo de muitas fake news que se espalham com rapidez pelos aplicativos de mensagens.

Ao lado da Associação de Moradores do Jardim Rizzo, a RAP-Butantã montou uma logística que ajudou a distribuir 18 mil refeições em marmitas e 800 cestas básicas recebidas do Programa Cidade Solidária, da Prefeitura de São Paulo. Na avaliação das lideranças da rede, embora as ações de solidariedade sejam importantes para enfrentar o momento de crise, a fome não se resolve apenas com programas de curto prazo, mas com a geração de emprego e renda. “Temos centenas de famílias em lista de espera nas comunidades que atendemos”, constata Ellen Amaral.

Continuidade das ações depende do engajamento dos doadores

A RAP-Butantã é uma iniciativa composta pela Adusp, Coletivo Butantã na Luta e Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), e sua atuação é mantida pela contribuição espontânea de doadores. A continuidade das ações, portanto, depende do engajamento dos contribuintes e doadores.

A Adusp disponibilizou uma conta corrente para o recebimento de doações:

Associação dos Docentes da USP
Banco do Brasil
Agência: 4328-1
C/C: 117-1
CNPJ: 51.688.943/0001-90
 
 
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