A segunda grande manifestação organizada pela Frente Brasil Popular, Frente Povo sem Medo e outras entidades, sindicatos e organizações contra o governo Bolsonaro, no último sábado (19/6), levou mais gente às ruas do que a primeira, no dia 29/5. Avaliações dos organizadores estimam a participação de cerca de 750 mil pessoas em atos organizados em mais de 420 cidades do Brasil e também do exterior. O site Agora Europa noticiou a realização de protestos em mais de 20 cidades europeias.

Foto: Adusp

Protesto contra o genocídio

O impeachment de Bolsonaro foi a principal bandeira das manifestações, que ocorreram exatamente no dia em que o país superou a trágica marca de meio milhão de mortos pela Covid-19, apenas 51 dias depois de chegar aos 400 mil óbitos.

“Estamos nas ruas em defesa da vida e porque o maior ataque ao nosso país está na Presidência da República, permitindo a morte de mais de 500 mil brasileiros, e não temos mais condições de conviver com essa situação”, salientou a presidenta do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Rivânia Moura, em discurso realizado em frente ao Museu Nacional, em Brasília, concentração para a manifestação realizada na Esplanada dos Ministérios.

A professora também ressaltou que as pessoas que foram às ruas não são negacionistas. A organização dos atos preocupou-se em reforçar a importância de manter o distanciamento, usar máscaras (preferencialmente do tipo PFF2) e higienizar as mãos com álcool em gel.

“Hoje é um grande dia. Em todos os cantos do Brasil, é dia de gritar ‘Fora, Genocida’, o que é uma ação necessária, porque temos 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil e muitas dessas vidas poderiam ter sido salvas caso o governo tivesse combatido a pandemia, comprado vacina e equipado o nosso sistema de saúde para atender à população”, disse Rivânia no discurso num carro de som na frente do Congresso Nacional, relata o site do Andes-SN.

A presidenta da entidade citou ainda os constantes ataques de Bolsonaro e seus aliados à educação. “Eles não querem que os filhos dos pobres estudem. Não querem que o filho da empregada doméstica, do porteiro, do pequeno agricultor sente na cadeira de uma universidade e possam ter um futuro melhor. Esse governo tem atacado a educação e isso representa um ataque à vida, ao futuro de milhares de pessoas”, afirmou.

Em São Paulo, a manifestação começou por volta de 16h e reuniu milhares de pessoas que ocuparam ao menos nove quarteirões da avenida Paulista, sendo encerrada no início da noite com caminhada pela Rua da Consolação em direção ao centro da cidade. A Adusp esteve presente, com representantes levando as bandeiras da entidade e do Andes-SN.

Grandes concentrações foram registradas nas principais capitais do país. No Recife, manifestantes cobriam um dos olhos com um cartão com tinta vermelha para lembrar as vítimas da ação violenta da Polícia Militar no ato de maio.

Em todo o Brasil, familiares de vítimas da Covid-19 levaram cartazes e faixas para homenagear seus parentes falecidos e responsabilizar o governo federal pela omissão no combate à pandemia, materializado na demora para adquirir e aplicar vacinas, na aposta na estratégia da “imunidade de rebanho” e na insistência em investir em medicamentos inócuos para a doença.

Responsáveis “pagarão pelos seus erros e deboches”, prometem senadores da CPI do Genocídio

Ao contrário do que ocorreu no #29M, a grande imprensa não pôde ignorar as manifestações, e os canais de notícias da televisão, como Globonews, CNN e Bandnews, registravam os atos que ocorriam já pela manhã em muitas cidades. Os principais jornais, duramente criticados pela cobertura vergonhosa dos protestos de maio, foi menos negacionista desta vez e abriu espaço maior para colocar as manifestações na capa de suas edições de domingo. Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo coincidiram ao dedicar as capas dominicais ao registro dos protestos e à tragédia dos 500 mil brasileiros mortos pela Covid-19.

Ainda no sábado, integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga a pandemia — já chamada de “CPI do Genocídio” — divulgaram nota na qual lamentam as perdas. “Nessa data dolorosamente trágica, quando o Brasil contabiliza 500 mil mortes, desejamos transmitir nossos mais profundos sentimentos ao País. Temos consciência que nenhuma palavra é suficiente para consolar e superar a dor das perdas de nossas famílias. São 500 mil sonhos interrompidos, 500 mil vidas ceifadas precocemente, 500 mil planos, desejos e projetos. Meio milhão de vidas que poderiam ter sido poupadas, com bom senso, escolhas acertadas e respeito à ciência”, diz a nota.

Os senadores asseguram que “os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches”. “Não chegamos a esse quadro devastador, desumano, por acaso. Há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente. Os crimes contra a humanidade, os morticínios e os genocídios não se apagam, nem prescrevem”, afirmam.

Assinam a nota Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL) — respectivamente presidente, vice-presidente e relator da CPI —, Tasso Jereissati (PSDB-CE), Otto Alencar (PSD-BA), Eduardo Braga (MDB-AM), Humberto Costa (PT-PE), Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Rogério Carvalho (PT-SE) e Eliziane Gama (Cidadania-MA).

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