A Frente Paulista em Defesa do Serviço Público — que reúne cerca de 60 entidades, entre elas a Adusp e as demais integrantes do Fórum das Seis — divulgou nesta sexta-feira (15/1) um manifesto no qual reivindica a execução de um plano nacional de vacinação realizado “exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde, com definição de priorizações a partir da avaliação da vulnerabilidade das pessoas”.
 
“Defendemos que a vacinação seja ampla e irrestrita, com um plano nacional universal e o estabelecimento de priorização para estratos da população com maior susceptibilidade à contaminação e/ou morte, como profissionais da saúde, cuidadora(e)s, pessoas com morbidades e mais de 60 anos, além das comunidades social e economicamente submetidas a maior grau de vulnerabilidade, em especial indígenas e pessoas sob a custódia do Estado”, propõe o documento. “Em que pese a inépcia do governo federal, o plano nacional pode contar com a fundamental participação da sociedade científica e civil que, a partir de suas análises, passaram a ter um papel regulador ainda mais necessário.”
 
As entidades criticam o governo federal, que, além de não ter apresentado ainda um plano claro para a vacinação, “continua a negar a gravidade da pandemia — mesmo diante de mais de 200 mil pessoas mortas em decorrência da Covid-19 — e não está disposto a adotar uma condução necessária para preservar vidas”.
 
O manifesto lembra que “a preservação da vida passa necessariamente pelo distanciamento físico e isso implica manter sob funcionamento somente as atividades essenciais” e que, portanto, medidas como a retomada das aulas presenciais na educação básica devem ser pautadas “por critérios científicos, de saúde pública”.
 
“O quadro pede que haja um efetivo fechamento, em especial frente às notícias de novas variantes do vírus já em circulação no Brasil. Vários países conciliaram a vacinação com o lockdown como medidas complementares de combate à propagação do vírus e da doença. Tais medidas são necessárias para a preservação de vidas”, defendem as entidades.
 
A Frente Paulista enfatiza ainda que as instituições públicas de pesquisa “foram e são as responsáveis pela condução dos estudos sobre as vacinas e por várias outras questões envolvendo o Sars-Cov-2 e a Covid-19”, mesmo atuando sob constantes ataques por diferentes governos e “trabalhando com financiamentos absolutamente inadequados, cada vez menores, e com desqualificação de seus profissionais, funcionárias e funcionários públicos”.
 
“Em plena pandemia, foi preciso lutar contra cortes de verbas para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e para as três universidades estaduais paulistas (Unesp, Unicamp e USP)”, recorda a Frente. “Por meio da Lei nº 17.293, de 15 de outubro de 2020 (resultante do PL 529/2020), o governador João Doria extinguiu seis entidades, entre elas [...] instituições responsáveis por pesquisas, mostrando como Doria trata a ciência e que suas intenções não são outras a não ser o sucateamento das instituições públicas com vistas à privatização e a consolidação do seu projeto político para 2022. A aprovação da lei se deu sob grande mobilização e indignação, e foi um dos motivos que levou 26 entidades a protocolarem pedido de impeachment do governador João Doria”, em novembro do ano passado, lembra a Frente Paulista.
 
“Por tudo o que foi exposto, reiteramos a nossa posição em defesa da vacinação universal e gratuita, exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde, e das instituições públicas responsáveis pela pesquisa e pelos serviços que garantem os direitos sociais de toda a população!”