Carlos Alberto Decotelli da Silva (foto: Agência Câmara)

 

 

“Nos vemos na necessidade de esclarecer que Carlos Alberto Decotelli da Silva não obteve a titulação de Doutor que se menciona nesta comunicação”, declarou nesta sexta-feira (26/6), na sua conta no Twitter, o reitor da Universidade Nacional de Rosário (UNR), Franco Bartolacci, fazendo referência a um tuíte postado na véspera por Jair Bolsonaro, no qual o presidente brasileiro comunica a nomeação de Decotelli como ministro da Educação e afirma que ele é Doutor por aquela instituição argentina.
 
Posteriormente, Bartolacci explicou à jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de S. Paulo, que Decotelli não completou o curso: “Ele cursou o doutorado, mas não finalizou, portanto não completou os requisitos exigidos para obter a titulação de doutor na Universidade Nacional de Rosário”.
 
A revelação do reitor da UNR suscita questionamentos sobre a idoneidade de Decotelli. Afinal de contas, a informação categoricamente contestada por ele não apenas foi divulgada por Bolsonaro, mas consta do Currículo Lattes do novo ministro, um documento oficial que deveria ser absolutamente confiável.
 
A novidade vinda de Rosário perturba a tentativa de alguns meios de comunicação de apresentar o novo ministro como alguém com perfil adequado para dirigir o MEC, um “moderado” fiel ao bolsonarismo, mas capaz de conduzir a interlocução com a sociedade. Postagens agressivas na rede social Twitter contra opositores de Bolsonaro, vinculadas a supostas contas mantidas por Decotelli e anteriores à sua nomeação, foram desmentidas e atribuídas a “perfis” falsos. Porém, como não há notícia de que ele tenha tentado coibir tais iniciativas, persistem dúvidas quanto à moderação que tentam associar à sua imagem.
 
Por falar em Twitter: o reitor Bartolacci, da UNR, adotou o seguinte mote para sua conta, inspirado no pensador italiano Antonio Gramsci: “Vivir es tomar partido”.  Em tuíte postado na véspera, comentou palavras de outro autor muito conhecido dos brasileiros: “E. Galeano dizia que o direito de sonhar não figura entre os 30 direitos humanos. ‘Porém se não fosse por ele, e pelas águas que dá de beber, os demais direitos morreriam de sede’. Para isto seguimos trabalhando, para sonhar, imaginar e construir o mundo e as universidades que desejamos”.