O Conselho Universitário (Co), principal colegiado da USP, é permeado por fortes conflitos de interesses. O reitor M.A. Zago, o vice-reitor Vahan Agopyan, os quatro pró-reitores e outros conselheiros, que perfazem 39 dos 122 membros do atual Co (31,96%), possuem vínculo expressivo com fundações autodeclaradas “de apoio” e outras entidades privadas que auferem, anualmente, receitas de centenas de milhões de reais com cursos pagos e outras lucrativas atividades privadas.

Os vínculos existentes foram objeto de levantamento realizado em fevereiro de 2015 pela Adusp. Nele é possível verificar que os componentes desta “bancada informal” das fundações privadas e organizações assemelhadas exercem paralelamente, ou exerceram em algum momento, cargos em órgãos deliberativos ou executivos dessas entidades, ou atuam como coordenadores de cursos pagos e outros projetos remunerados.

Além disso, outros membros do Co, além dos 39 já citados, têm ou tiveram relação pontual com as referidas organizações, talvez esporádica, por exemplo ao mi­nis­trar aulas nos seus cursos pagos.

Os levantamentos anteriores, realizados pela Adusp em 2001 e 2004, revelaram que a “bancada informal” dos interesses privados possuía, respectiva­men­te, 21,23% e 23,89% do Co. Por­tan­to, teria havido uma expres­siva ampliação da presença no Co de docentes ligados a fundações privadas ditas “de apoio” e similares.

Os dados estão disponíveis no quadro Conflito de interesses no Conselho Universitário, que mostra ainda que, na sua grande maioria (35 em 39), tais conselheiros exercem o cargo de professor titular e encontram-se no Co na qualidade de diretores de unidades ou de representantes de congregações.

Tal fato só amplia a gravi­dade, pois revela a reprodução em cadeia dos mesmos conflitos no âmbito das demais instâncias de administração na universidade.

Informativo nº 397

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