A incorporação da Faenquil à USP, acontecida em 2006, criou a Escola de Engenharia de Lorena (EEL) e parece ser um processo irreversível. Mas, apesar de alunos, cursos e patrimônio pertencentes à USP, que os tem administrado com recursos repassados pelo Governo, a insatisfação de funcionários e docentes é cada vez maior. O professor Marco Antônio Carvalho Pereira, da Engenharia Química, detecta: “Eu sinto que o professor está muito cansado esperando isso [a incorporação completa]. Faz mais de dois anos”.

“Já houve mobilização [por parte dos professores], mas por pedido da Reitora estamos aguardando”, conta Pereira. A resposta que a EEL espera é do Governo. Em março de 2008, a Reitoria propôs ao Governo a transferência do quadro de funcionários diretamente para a administração da USP. Também propôs administrar o quadro de docentes como um quadro em extinção.

A proposta vem associada à criação de 135 vagas de docentes e à concessão por parte do Governo à USP de 0,06% da cota-parte de arrecadação do ICMS, relativos ao orçamento da unidade no momento da incorporação. Na verdade, naquela época, a promessa do então secretário de Ciência e Tecnologia era de 0,07% e consta que isso está sendo repassado para a USP sob a forma de montante. Sob pressão, a Reitoria tem procurado amenizar a situação, estendendo, principalmente aos funcionários, benefícios iguais aos concedidos a seus colegas da USP, como auxílio-creche e alimentação, mas não o reajuste do Cruesp.

Deveres e direitos

Até o presente momento não houve resposta oficial do Governo à ação da Reitoria e o problema perdura. A qualidade do ensino, pesquisa e extensão prestados na unidade dependem de solução definitiva para a questão, pois na situação atual um clima de desânimo vem se instalando entre os docentes e funcionários. Dos 104 docentes existentes na época da incorporação, oito já deixaram o quadro.

Pereira confirma que a motivação dos professores tem diminuído: “Nós temos todos os deveres de um professor da USP, mas não temos o direito mais elementar que é o índice de reajuste salarial. Por enquanto, o único direito que estamos pleiteando é a transferência completa para a USP”.

Do ponto de vista dos docentes, a implementação da proposta da Reitoria restauraria a tranqüilidade, oferecendo perspectivas para o ingresso na carreira acadêmica ordinária e garantindo a manutenção dos índices de qualidade apresentados pela unidade, eliminando o risco de perda de profissionais e de competências acumuladas ao longo dos últimos 39 anos.

Nessa perspectiva, os docentes da EEL ficam na expectativa de que a questão venha a ser resolvida. A Adusp continuará pressionando a Reitoria e o governo estadual para que a incorporação da EEL se complete o mais brevemente possível.

 

Matéria publicada no Informativo nº 267

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