Na reunião do Co de 8/11, por 69 votos favoráveis, 27 contrários e cinco abstenções, o Co concedeu ao segundo Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV-2) um incremento financeiro de R$ 206 milhões e sua extensão para 1.057 funcionários técnico-administrativos que haviam ficado em uma “lista de espera” no PIDV-2. Computados os 398 funcionários cuja inscrição já fora aprovada, a USP totalizará 1.455 trabalhadores demitidos “voluntariamente” em 2016, aos quais devem ser somados os 1.472 desligados pelo PIDV-1 em 2015. No total serão 2.927.

Segundo apresentação feita por Adalberto Fischmann, presidente da Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP), a ampliação do PIDV trará “economia anual de R$ 239 milhões, representando redução de 4,9% nos gastos da universidade com folha de pagamento”.

Bruno Sperb Rocha, representante dos funcionários no Co, protestou contra o desmonte da USP e as justificativas estritamente financeiras do PIDV: “25% dos leitos do Hospital Universitário (HU) foram fechados, 40% da UTI e o número de atendimentos foi reduzido em 22%. O HU está sem pronto-socorro infantil e agora não tem mais pronto-socorro adulto à noite. Do ponto de vista da Reitoria, é cada vez mais claro que o trabalho dos funcionários desta universidade não vale absolutamente nada! Não faz nenhuma diferença”.

Ele advertiu que as novas demissões afetarão “os leitos do HU, restaurantes, prefeitura, Escola de Aplicação, creches, cada unidade de ensino e todas as atividades de pesquisa, cultura e extensão”. “A universidade está sendo desmontada e essa votação aqui hoje é mais um passo decisivo em direção a isso”.

Também foram aprovadas as diretrizes orçamentárias para 2017. A previsão de receitas da USP em 2017 é de R$ 5,05 bilhões, contra despesas de R$ 5,62 bilhões (dos quais R$ 4,8 bilhões com a folha salarial). A estimativa, portanto, é de um déficit de R$ 569 milhões. Segundo a COP, a USP terminará 2017 com uma reserva financeira de R$ 182 milhões. Em setembro de 2016, a USP tinha em caixa R$ 1,29 bilhão, valor que teria caído atualmente para R$ 570,5 milhões. Ressalte-se que o orçamento aprovado não prevê, ainda, reajuste de salário.

Outra importante emenda aprovada é a que prevê o preenchimento de vagas ociosas no limite da capacidade das creches da USP. O destaque foi proposto pelas representantes discentes — Lígia Fernandes de Oliveira (FFLCH) e Tuani Guimarães Augusto (IAU) —, e é contrário à intenção da Reitoria de fechar as creches pelo não preenchimento das vagas ociosas.

Informativo nº 428