O Fórum das Seis, articulação que reúne os sindicatos de docentes e de funcionários técnico-administrativos das três universidades estaduais e do Centro Paula Souza, com participação dos respectivos diretórios centrais de estudantes, decidiu, em reunião virtual realizada no dia 3/4, suspender a campanha salarial de 2020, diante das circunstâncias criadas pela epidemia de Covid-19. A reunião avaliou a situação da USP, Unesp e Unicamp no contexto da pandemia, as medidas que vêm sendo sinalizadas pelo governo (especialmente aquelas que indicam redução de jornada e salário), e questões relacionadas à data-base 2020.

A decisão foi comunicada ao novo presidente do Conselho de Reitores (Cruesp), Sandro Roberto Valentini, reitor da Unesp, em ofício encaminhado em 7/4 pelo coordenador do Fórum das Seis, professor Wagner Romão, presidente da Associação dos Docentes da Unicamp. De acordo com o documento, “as entidades representativas que compõem o Fórum das Seis avaliaram o cenário atual e, frente ao avanço da pandemia causada pelo coronavírus, do regime de quarentena e da suspensão das atividades presenciais nas Universidades, deliberaram pela suspensão da campanha salarial até que haja condições para que as assembleias sejam retomadas”.

Ao mesmo tempo, prossegue, “o Fórum das Seis reforça a solicitação de uma reunião com o Cruesp para tratar dos assuntos relacionados à pandemia, tanto no que diz respeito ao equacionamento das suas implicações para servidoras/es técnico-administrativas/os, docentes, estudantes e trabalhadoras/es terceirizadas/os que prestam serviços em nossos campi, quanto para a preservação da produção de conhecimento e pensamento crítico neste período, além da construção de estratégias para a retomada das atividades assim que findar a necessidade de isolamento social”.

Também em 3/4, o Fórum das Seis divulgou texto intitulado “Manifesto do Fórum das Seis em defesa da vida e dos direitos da classe trabalhadora”, no qual chama atenção para a gravidade da situação humanitária vivida neste momento pelo Brasil. “Em meio à maior crise sanitária e social da história recente, a ampla maioria da sociedade brasileira, composta por um enorme contingente de trabalhadores informais, tende a ser a mais afetada pelo forte avanço da pandemia do novo coronavírus – que causa a Covid-19 – e, também, por seu impacto nas condições de vida e sobrevivência de grande parte da população”, diz o manifesto.

“Diante deste cenário, é urgente reconhecer que o fortalecimento dos serviços públicos e a ampliação do atendimento universal e gratuito para todos são medidas determinantes para passarmos pela pandemia atenuando seus efeitos. A política neoliberal, de diminuição do Estado e do número de servidores públicos, expõe toda a sua crueldade no momento em que mais eles são essenciais para a população”.

O texto critica a conduta irresponsável do governo Bolsonaro no tocante à Covid-19: “É inadmissível a política adotada pelo presidente da República, de rendição exclusiva aos interesses do mercado, contrapondo as necessárias medidas de isolamento social em todas as atividades não essenciais — na forma indicada pelas autoridades de saúde e sanitárias do Brasil e do mundo. Bolsonaro expressa opiniões que ferem a pesquisa científica, confundem a população e apontam para o caos no sistema de saúde, insistindo no fim da política de isolamento social em nome de uma suposta retomada da atividade econômica”.

O Fórum das Seis encerra o manifesto reivindicando a adoção, pelo Estado brasileiro, das seguintes medidas: 1) “manutenção das políticas de isolamento social enquanto, com base nas orientações da OMS, as autoridades de saúde assim o indicarem, com exceção dos serviços essenciais” (com a garantia de EPIs “e demais condições necessárias para atuarem”); 2) “manutenção dos empregos e dos salários sem cortes, nos setores públicos e privados, com a adoção de políticas de subsistência digna para toda a população”; 3) “instituição de uma renda mínima universal aos assistidos por benefícios sociais, desempregadas/os e trabalhadores informais”; 4) “revogação da EC 95/2016 e a liberação dos investimentos necessários aos serviços públicos para a superação da crise sanitária”; 5) “taxação imediata das grandes fortunas, para superar a desigualdade no país”; e 6) “suspensão do pagamento da dívida pública em 2020, para garantir políticas públicas de apoio à população e à atividade econômica”.