Realizou-se na semana de 27/2 a 4/3, em Campina Grande (PB), o 26° Congresso do Andes-SN, que teve como tema “Reconstruindo a unidade dos trabalhadores para enfrentar as velhas reformas do novo governo” que reuniu 337 delegados, 36 observadores e 5 convidados. Eram docentes de 66 seções sindicais de todo o país. Destaque-se a presença de vários “delegados de primeira viagem”, indicador de que o movimento docente em nível nacional parece estar sendo capaz de renovar seus quadros, o que é positivo.

A pauta, bastante extensa e complexa, foi discutida inicialmente em 11 grupos de trabalho, que encaminharam suas propostas às plenárias de cada tema. Todos os grupos constataram a necessidade de estabelecer eixos de luta que nos permitam enfrentar uma conjuntura bastante adversa, que ameaça os principais aspectos constituintes da nossa identidade enquanto trabalhadores, docentes de instituições de ensino superior. A partir dessa análise, o 26° Congresso apontou como centralidade da luta, em 2007, os seguintes eixos:

  1. a reorganização e unificação da classe trabalhadora, com liberdade de organização e autonomia sindical, para garantir direitos e avançar na conquista de melhores condições de vida e trabalho; pela defesa e fortalecimento do Andes-SN;
  2. a defesa do serviço público, da universidade pública com financiamento público, pela valorização do trabalho docente e recomposição salarial;
  3. a luta contra o neoliberalismo e as várias faces da ofensiva do capital contra a classe trabalhadora, com ênfase no combate às chamadas reformas;
  4. o fortalecimento do trabalho de base para ampliar a participação da categoria no sindicato.

Pólo classista

Dando continuidade aos debates realizados no 25° Congresso e intensificados a partir das deliberações do 51° Conad, aprovou-se por maioria expressiva a filiação do Andes-SN à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e “a centralização de esforços para a constituição de um amplo pólo classista, autônomo e combativo de organizações e movimentos sociais do campo e da cidade que potencialize as lutas antineoliberais com vista à unidade dos que estão dispostos a lutar” (Carta de Campina Grande, 4/3/07).

No tema de Política Educacional, em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, socialmente referenciada, o 26° Congresso deliberou três importantes movimentos:

  1.  A luta pela ampliação do financiamento federal, estadual e municipal das instituições públicas de ensino superior, tendo em vista a defesa da autonomia, o aumento de vagas e de cursos noturnos, a busca da universalização do acesso ao ensino superior, como contraposição à sua privatização e a todas as formas de expansão de vagas que ocorram sem o correspondente aporte de recursos.
  2. O empenho para rearticulação do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública a partir da proposição de atividades que congreguem as diversas entidades.
  3. O fortalecimento da Frente de Luta contra a Reforma Universitária, aglutinando entidades acadêmicas, organizações e movimentos sociais e, por meio dela, contribuir para a construção de um calendário comum de ações comuns no sentido de barrar a contra-reforma universitária privatizante do governo Lula.

No que se refere à polêmica questão das ações afirmativas, o 26° Congresso reafirmou a política já aprovada pelo Sindicato, relativa ao acesso e permanência, explicitando posicionamento contrário à política de cotas e denunciando as diferentes iniciativas de cooptação dos movimentos sociais por parte de governos, em torno desse tema.

O 26° Congresso cumpriu seu papel ao apontar rumos e definir prioridades de luta para a categoria docente. Resta-nos o grande desafio de tornar efetivos os eixos, operacionalizando as bandeiras e as propostas lá aprovadas. Para que isso aconteça, a Adusp precisa cumprir o papel que lhe cabe, tarefa essa que certamente deverá contar com a participação de todos os seus associados. À luta!

 

Matéria publicada no Informativo nº 231