A existência de um acordo de cooperação acadêmica firmado entre o Instituto de Ciências Matemáticas e Computação de São Carlos (ICMC-USP) e a recém-criada universidade israelense Ariel University Center of Samaria (situada na Cisjordânia), revelada pelo professor Vladimir Safatle (FFLCH) em artigo publicado na Folha de S. Paulo (5/2/12), tem gerado protestos na comunidade universitária. A Cisjordânia é território palestino reconhecido pela ONU e está ocupada militarmente por Israel, o que deveria inviabilizar qualquer tipo de cooperação científica, na região, com o país invasor. Ariel é uma pequena cidade: um assentamento de colonos israelenses encravado na Cisjordânia.

Diante da polêmica, o professor José Carlos Maldonado, diretor do ICMC, emitiu nota admitindo a existência do convênio: “Assim como diversos outros acordos mantidos com boas instituições e grupos de pesquisa no exterior, esse convênio, firmado na área de Equações Diferenciais Funcionais e suas aplicações, obedece aos desejados requisitos de qualidade científica e respeita os parâmetros legais em vigência”.

Obviamente não somos contrários a realizar convênios com universidades israelenses, mas repudiamos o uso de um viés aparentemente acadêmico como a criação da Universidade de Ariel, para fins militares. Acontece que a Ariel University é muito recente para que se possam aferir tais requisitos: até janeiro de 2010, era apenas Ariel College. A mudança de seu status para universidade foi autorizada pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, e está ligada à política de expansão dos assentamentos de colonos israelenses na Cisjordânia. Por isso, provocou fortes controvérsias mesmo dentro de Israel.

Um grupo de 165 professores universitários israelenses lançou um manifesto, em 2011, propondo que a nova universidade seja boicotada (“Israeli Academics To Boycott Ariel University”, www.huffington-post.com/2011/01/ 10/israeli-academics-to-boyc_n_ 806598.html). Os acadêmicos recusam-se a participar de quaisquer atividades da Ariel University Center. Para eles, Ariel é uma “ocupação ilegal” cuja finalidade é impedir os palestinos de estabelecer um estado independente. O professor Nir Gov, do Instituto de Ciência Weizmann e um dos organizadores do boicote, declarou ao Huff Post na ocasião que o objetivo não é punir o corpo discente da faculdade, mas apressar o fim da ocupação do território palestino. “Tenho duas filhas jovens e quero que elas cresçam em uma sociedade democrática, Israel livre”, disse Gov.

 

Informativo nº 340

 

EXPRESSO ADUSP


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