USP perdeu 900 professores
Levantamento realizado por uma comissão de estudantes,
formada no decorrer da greve, traz números inquietantes sobre o ensino na USP. A
comissão analisou a questão da contratação de docentes e funcionários nos últimos
anos na universidade, chegando à conclusão, por exemplo, de que a USP perdeu 902
professores entre 1988 e 1998, o equivalente a 16% do seu corpo docente.
O estudo baseou-se principalmente em documentos obtidos junto às
secretarias dos departamentos e às seções de recursos humanos das unidades. Embora nem
todas as unidades tenham fornecido os dados solicitados, que na verdade deveriam ser
públicos, a comissão apurou que, nos mesmos dez anos, a relação aluno/professor na
média do conjunto de unidades pesquisadas aumentou de 9 para 14.
A perda de professores gerou salas de aula superlotadas, a diminuição do
número de disciplinas optativas oferecidas e o aumento do uso de professores
conferencistas como verdadeiros tapa-buracos.
A partir da análise da planilha orçamentária anual da USP, a comissão
comprovou a existência de uma folga orçamentária que possibilita a contratação
imediata de 199 professores e 453 funcionários. A Reitoria reconheceu essa folga e, de
acordo com a comissão, deu início ao processo de abertura dos claros reivindicados.
Ficou definido ainda que haverá participação de um dos representantes
discentes no CO na Comissão de Claros da Reitoria. As reuniões do órgão, responsável
pela análise dos pedidos de concessão de quadros docentes, serão realizadas a cada dois
meses.
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