MST denuncia prisões e assassinatos
O Movimento
dos Sem Terra está sofrendo um novo ataque. Até agosto passado foram assassinados 22
sem-terra, contra 26 em 1999, segundo a Comissão Pastoral da Terra. Na década de 90 os
sem-terra assassinados foram 370, número que praticamente se iguala ao de militantes de
esquerda executados pela ditadura militar (1964-1984).
Desde 1985, incluindo os dois últimos mortos em Mato Grosso, torturados e
assassinados por seguranças contratados por fazendeiros, o número de militantes do MST
assassinados chega a 1.180. Além disso, estão presos em São Paulo, condenados a penas
que chegam a onze anos de prisão, seis militantes do movimento. Em Rondônia, dois
sem-terra foram condenados no processo do massacre de Corumbiara.
Segundo a CPT, os atos de violência contra os sem-terra agora se
transformaram em ação organizada, com a utilização de empresas de segurança privada e
uma ofensiva policial do governo contra o MST. Cerca de 200 dos seus dirigentes foram
detidos nos últimos meses.
Houve uma multiplicação impressionante de processos no
Judiciário, com a finalidade de intimidar os camponeses, afirma João Pedro
Stédile, um dos líderes dos sem-terra. O Comitê de Defesa da Democracia, do qual a
Adusp faz parte, acaba de imprimir cartaz e cartilha em defesa dos sem-terra condenados à
prisão pela juíza de Boituva.
Os trabalhadores rurais organizados no MST, no Movimento dos Pequenos
Agricultores e Movimento de Atingidos por Barragens divulgaram nota informando que estão
novamente mobilizados em todo país desde o início da semana, reivindicando
que o Governo Federal cumpra os acordos firmados com os movimentos populares do
campo em julho e testemunhados pela CNBB, ou seja, libere verbas para pequenos
agricultores e os sem-terra assentados. |