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15 de setembro de 2000
 

MST denuncia prisões e assassinatos

O Movimento dos Sem Terra está sofrendo um novo ataque. Até agosto passado foram assassinados 22 sem-terra, contra 26 em 1999, segundo a Comissão Pastoral da Terra. Na década de 90 os sem-terra assassinados foram 370, número que praticamente se iguala ao de militantes de esquerda executados pela ditadura militar (1964-1984).

Desde 1985, incluindo os dois últimos mortos em Mato Grosso, torturados e assassinados por seguranças contratados por fazendeiros, o número de militantes do MST assassinados chega a 1.180. Além disso, estão presos em São Paulo, condenados a penas que chegam a onze anos de prisão, seis militantes do movimento. Em Rondônia, dois sem-terra foram condenados no processo do massacre de Corumbiara.

Segundo a CPT, os atos de violência contra os sem-terra agora se transformaram em ação organizada, com a utilização de empresas de segurança privada e uma ofensiva policial do governo contra o MST. Cerca de 200 dos seus dirigentes foram detidos nos últimos meses.

“Houve uma multiplicação impressionante de processos no Judiciário, com a finalidade de intimidar os camponeses”, afirma João Pedro Stédile, um dos líderes dos sem-terra. O Comitê de Defesa da Democracia, do qual a Adusp faz parte, acaba de imprimir cartaz e cartilha em defesa dos sem-terra condenados à prisão pela juíza de Boituva.

Os trabalhadores rurais organizados no MST, no Movimento dos Pequenos Agricultores e Movimento de Atingidos por Barragens divulgaram nota informando que estão “novamente mobilizados em todo país desde o início da semana”, reivindicando “que o Governo Federal cumpra os acordos firmados com os movimentos populares do campo em julho e testemunhados pela CNBB”, ou seja, libere verbas para pequenos agricultores e os sem-terra assentados.