Carta aberta ao ministro Pedro Malan
As recentes declarações do ministro da Fazenda, Pedro
Malan, quanto ao Plebiscito Nacional da Dívida Externa, que acontecerá de 2 a 7 de
setembro, obriga a Coordenação Nacional da Campanha pelo Plebiscito a prestar alguns
esclarecimentos públicos.
1º - O Plebiscito da Dívida Externa não é uma iniciativa de partidos
políticos, conforme afirma o ministro Pedro Malan. A organização deste movimento
cívico reúne centenas de sindicatos, movimentos sociais e diversas organizações da
sociedade civil, entre as quais destacam-se a CNBB Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil, o CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, CUT - Central Única dos
trabalhadores, UNE - União Nacional dos Estudantes, MST - Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra e a CMP - Central de Movimentos Populares. A estas entidades somam-se
partidos políticos, além de governos estaduais, assembléias legislativas e câmaras
municipais que vêm emprestando seu apoio institucional à iniciativa.
2º - O Plebiscito da Dívida Externa faz parte do calendário de
mobilizações da Campanha Internacional Jubileu 2000, iniciada pelo Vaticano, que prega o
cancelamento das dívidas dos países empobrecidos. Esta iniciativa reúne hoje em todos
os cantos do mundo igrejas cristãs, muçulmanas, afro-brasileiras e organizações não
governamentais que acreditam que o desenvolvimento da humanidade exige o desendividamento
dos países.
3º - O Plebiscito não é a promoção do calote das dívidas
financeiras, conforme afirma o ministro. Este movimento pretende acima de tudo estimular a
reflexão da sociedade brasileira sobre a questão do endividamento - um debate essencial
para a nossa cidadania.
4º - As entidades envolvidas na convocação do Plebiscito são
contrárias a qualquer calote, especialmente o calote das dívidas sociais das quais o
credor é o povo brasileiro. Até por isso fazemos questão de destacar que parcelas
substanciais de nossas dívidas externa e interna já foram pagas, mais de uma vez. Não
concordamos, portanto, com as diretrizes econômicas adotadas pelo governo FHC que
prioriza o pagamento das dívidas financeiras, desviando recursos da área social para
garantir que as metas estipuladas pelo FMI sejam cumpridas.
Ressaltamos que o Plebiscito é uma ação democrática. Esperamos que
todos se unam para engrandecer o debate sobre a dívida. Nós acreditamos que o povo
merece/pode/deve saber a gravidade das dívidas interna e externa. Acreditamos que é
importante que o povo saiba porque o Orçamento da União deste ano dedica R$ 144 bilhões
ao serviço e rolagem das dívidas interna e externa e apenas R$ 33 bilhões para a área
social. Também queremos entender como a dívida externa brasileira cresceu de 148
bilhões de dólares, quando FHC tomou posse em janeiro de 1995, para 241 bilhões de
dólares em dezembro de 1999, apesar de o Brasil ter pago, entre juros, amortizações e
rolagem, mais de 186 bilhões de dólares no período.
No Plebiscito, nossa campanha é pelo NÃO. Nosso lema é A VIDA ACIMA DA
DÍVIDA. Mas se o ministro da Fazenda e o presidente da República pensam diferente, que
tentem convencer a população a dizer SIM ao acordo com o FMI, ao pagamento
da dívida externa sem auditoria e à sangria de recursos do país para enriquecer aos
especuladores.
Por fim, lamentamos que o ministro Malan, tão vinculado à globalização
neoliberal, seja tão insensível à globalização de iniciativas que visem a redução
de desigualdades entre as nações e os seres humanos, como propõe a Campanha Jubileu
2000.Coordenação Nacional da Campanha pelo Plebiscito da Dívida Externa.
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