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Data-base: recompor salários e exigir do governo Alckmin maior aporte de verbas para os serviços públicos
A sobra de mês no final do
salário mais uma vez amplia-se à medida em que nos aproximamos do período
de data-base. A Figura 1 mostra que nossa mobilização em 2000
conquistou um acordo que entre abril/2000 e maio/2001 recompôs o poder
aquisitivo que possuíamos em maio/1995. Ao mesmo tempo a força daquele
movimento acabou repercutindo nas negociações dos anos seguintes, quando
conseguimos recomposições anuais essencialmente determinadas pelo
IPC-Fipe.
| Tabela
comparativa de Salários para um professor com título de
Doutor |
| USP,
Unesp,Unicamp |
Unimep |
| Atual |
Reajuste
16% |
Reajuste
49% |
Doutor-I |
Doutor-III |
| 4.776 |
5.540 |
7.111 |
8.320 |
9.173 |
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Ocorre que o índice Fipe,
por razões que já enunciamos diversas vezes (trabalha com média
geométrica, substitui na cesta de produtos aqueles que têm variação
excessiva no preço etc.), no médio e longo prazo acumula sempre
variações abaixo dos demais índices inflacionários disponíveis. Desta
forma, até maio deste ano, nossos salários deverão acumular uma perda
salarial de 10,5%, com base no ICV-Dieese (projetando-se para abril e maio a
inflação mensal nos últimos seis meses, ou seja, 0,6% por mês). Se
considerássemos o IGP-DI da FGV, por exemplo, esta perda chegaria a 22,6%.
A
planilha do comprometimento salarial acumulado das três universidades
estaduais paulistas em 2003 mostra que este atingiu o patamar de 91,28%. A
despeito das perdas salariais que acumulamos, o risco é de, novamente,
ouvirmos o discurso recorrente de que os salários de docentes e
funcionários estão por inviabilizar o funcionamento das universidades. É
fundamental, portanto, analisar esta situação, para enfrentá-la.
Evasão fiscal
Ocorre que o problema não
está nos salários, mas na arrecadação e no percentual definido para as
universidades. Pela Figura 1 pode-se perceber que o crescimento real
observado no ICMS nos anos de 1999 e 2000 vem sofrendo um decréscimo nos
anos subseqüentes. O governo não tem combatido uma evasão fiscal de cerca
de 50% do arrecadado. Enquanto compactua com a sonegação, contorna os
problemas de caixa aviltando o salário dos servidores públicos. No ano
passado o reajuste foi zero e ainda instituiu o confisco salarial de 5%, a
título de contribuição previdenciária, mas que está indo parar nos
cofres do Tesouro e, no caso das universidades, estão retidos internamente.
Figura 02
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A Figura 2 mostra a evolução do nosso salário real médio desde 1980
(deflacionado pelo ICV-Dieese). Neste caso considerou-se a depreciação do
poder aquisitivo no transcorrer do ano, o que é função da política
salarial a que estivemos submetidos em cada período. Fica evidente que,
após a fixação dos repasses para as universidades estaduais paulistas em
1989, sofremos uma grande perda salarial em relacão a janeiro de 89, que em
2003 ficou em 49%. A recuperação observada desde 2000 torna-se pequena
quando a referência é o período pré 1989.O tempo apenas torna mais
evidente aquilo que vimos falando desde 1989: a fixação do repasse para as
universidades em 8,4% da quota-parte do ICMS naquele ano, e posteriormente
elevado para 9% e 9,57% desde 1995, é insuficiente. A média nos quatro
anos precedentes ficava em torno de 12%. Por isso, regularmente temos
submetido uma emenda que propõe elevar este valor para 11,6%, o que tem
sido fortemente combatido por sucessivos governadores.Apenas este tipo de medida
já viabilizaria um reajuste salarial de 16%, ao mesmo tempo em que as
universidades teriam um patamar aceitável de recursos para despesas de
custeio e capital. Mas, obviamente, a maior margem de elevação da
arrecadação, com os necessários reflexos sobre as políticas públicas,
resultaria do combate à evasão fiscal, que possibilitaria dobrar o
montante recolhido pelo Estado. Devemos ter em conta que São Paulo (Estado
e municípios) tem recolhido só 12% de seu PIB em tributos e
transferências da União, o que é absolutamente insuficiente para garantir
serviços públicos de qualidade.A tabela no alto mostra
como ficaria o salário de um Professor Doutor, caso recebêssemos em
maio/2004 um reajuste de 16% (10,5% de correção inflacionária, mais 5% de
recuperação de perdas), ou de 49% (recuperar o salário médio de 1989,
pelo ICV-Dieese). Apenas para efeito de comparação, colocamos ao lado o
salário para um Doutor na Unimep (inicial=Doutor-I, final=Doutor-III). É fundamental, portanto,
que nessa campanha salarial agreguemos à nossa reivindicação salarial uma
pressão sobre o governo para que sejam viabilizadas as necessárias
condições de funcionamento para as universidades estaduais paulistas e
demais serviços públicos para a população do Estado. |
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