Governo FHC tenta intimidar Ildo Sauer
O governo FHC passou a ameaçar os críticos da sua política de energia. Pedro Parente, ministro responsável pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica resolveu pedir explicações ao Reitor da USP sobre os relatórios produzidos pela equipe do professor Ildo Sauer, docente do IEE.
O professor Sauer demonstrou irregularidades e indícios de improbidade nos contratos de compra de energia emergencial e nas compensações dadas às concessionárias por meio da Medida Provisória 14, de 21/12/2001. Esses estudos orientam o Ministério Público Federal na investigação aberta sobre o caso.
Parente e Mário Miranda, presidente interino da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (órgão federal), enviaram cartas respectivamente ao reitor Adolpho Melfi e ao diretor do IEE. As cartas são idênticas. O texto refere-se às “incontáveis manifestações” do professor contra a MP 14, e alude à “eventual propositura de ação judicial de reparação de danos”.
Parente pede ao Reitor que este “se digne a esclarecer se o Senhor Ildo Sauer expressa entendimento do colegiado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e se os juízos e alegações por ele levados a público podem vir a ser legitimamente atribuídos a essa mesma instituição de ensino superior”.
Defesa da autonomia
A Adusp emitiu a seguinte nota à imprensa, intitulada “Em defesa da autonomia do saber e da liberdade de expressão dos docentes”:
“A Associação dos Docentes da USP vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à tentativa de intimidação praticada pelo governo federal contra o professor Ildo Sauer, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, em função de seus estudos e relatórios críticos, relativos aos dispêndios governamentais para contratação de usinas emergenciais e benefícios às distribuidoras.
As cartas enviadas à Reitoria da USP e ao IEE, respectivamente pelo ministro Pedro Parente e por um de seus subordinados, em busca de subsídios para acionar judicialmente o professor Sauer, constituem demonstração inequívoca do autoritarismo típico deste governo, sempre e sempre interessado em perseguir, estigmatizar e punir autores de críticas, ao invés de preocupar-se em banir os responsáveis por atos que dilapidam o patrimônio público e violam os direitos elementares da população brasileira.
Truculenta, a atitude do ministro Parente ameaça a autonomia do saber e a liberdade de expressão dos docentes-pesquisadores da USP e da universidade pública em geral, merecendo desse modo a repulsa da comunidade científica. A Associação dos Docentes da USP solidariza-se firmemente com o professor Sauer e sua equipe, a quem comprometese a dar todo apoio, neste combate em defesa da dignidade e da verdade dos fatos.” |