Declaração da Congregação da FFLCH-USP sobre o movimento dos estudantes em decorrência da falta de professores
A Congregação da FFLCHUSP, reunida no dia 9 de maio de 2002, vem a público declarar que considera urgente uma manifestação por parte da Reitoria da USP no que concerne o pedido encaminhado pelo CTA/FFLCH (contratação de 105 professores no período 2002-2004), no sentido de superar os graves problemas estruturais que a Faculdade enfrenta. O que se visa é a recomposição do quadro docente de forma a restabelecer a normalidade das condições de trabalho acadêmico — docência, pesquisa, extensão — como requisito fundamental e definidor para o padrão de qualidade inerente ao ensino público superior brasileiro.
A FFLCH tem hoje a pior proporção na relação professor/aluno. A média da USP é de 1/14, a média da USP, não computada a FFLCH, é de 1/12, ao passo que a da FFLCH é de 1/36. A FFLCH, que foi o núcleo formador da Universidade de São Paulo e que hoje atende a 20% da população universitária de graduação dessa instituição, contando apenas com 7,2% de seus docentes, necessita de um tratamento digno da sua importância histórica.
A contratação de professores temporários, ao invés de resolver, agrava ainda mais o problema estrutural vivido ao longo desses últimos anos em decorrência da diminuição do corpo docente da FFLCH.
O que está em jogo é a recuperação, a curto prazo, do sentido que norteou a fundação da USP, notabilizada por ser o melhor centro de pesquisa e docência do país e que forma quadros para as universidades públicas e privadas de todo o território nacional. Esta faculdade, sobretudo, ainda mantém aquela tradição de pesquisa de longa duração e de docência visando à formação séria dos estudantes.
A reposição do seu quadro docente é o mínimo que o poder central pode fazer para que a FFLCH volte a uma normalidade de 10 anos atrás. O fortalecimento dessa unidade significa também o fortalecimento da imagem da Universidade de São Paulo.
A constituição de um grupo de trabalho formado pelos integrantes da Comissão Permanente de Claros da FFLCH e de representantes da Reitoria aparece, neste momento, como um instrumento da mais alta relevância para a busca de soluções a curto e médio prazos.
Enquanto aguarda uma proposta desse grupo de trabalho, esta Congregação declara- se em reunião permanente (ou em estado de emergência) e reconhece o movimento dos estudantes como uma manifestação legítima, tomada em situação extrema, pois, pela falta de professores, sentem a precariedade das condições vividas por eles e pelos docentes e correm o risco de não concluir o curso no tempo normal, a despeito do notório empenho de todos os membros da comunidade da FFLCH em assegurar o bom nível dos cursos e a qualidade da sua produção intelectual. |