“As denúncias sobre a ocorrência de violência sexual e de gênero na Universidade de São Paulo têm aumentado. A situação é muito grave. A ineficiência dos mecanismos de apuração e punição dos casos e a falta de proteção às vitimas são inaceitáveis. Para enfrentar o problema, constituímos a Rede de Professoras e Pesquisadoras pelo Fim da Violência Sexual e de Gênero na USP. A Rede é composta por cerca de 200 professoras e pesquisadoras de 23 unidades da USP”.

Assim se inicia o texto que será amplamente distribuído na universidade, nas próximas semanas, e que chama atenção para uma questão que ganhou enorme visibilidade em 2014, mas que continua sendo minimizada pelos diri­gentes da USP. A iniciativa de criar uma rede de mulheres para combater os abusos sexuais e de gênero é inédita na universidade.

“Desde sua fundação, em 23 de abril de 2015, funcionamos de forma independente, autônoma e auto sustentada”, explica o folheto. “Nosso objetivo é o reconhecimento da violência sexual e de gênero como problema importante no contexto da vida universitária, que demanda ações de toda a comunidade e efetividade dos mecanismos institucionais”.

Acolhimento

O texto elenca as ações que têm sido promovidas pela rede “Não Cala USP”: de educação e sensibilização, buscando o reconhecimento e enfrentamento da violência sexual e de gênero; criação de espaços de escuta, acolhimento e encaminhamentos para pessoas que sofrem e denunciam violência sexual e de gênero; elaboração de contribuições de aperfeiçoamento dos regulamentos e mecanismos institucio­nais que levem à responsabilização dos agressores; estímulo à criação de redes de solidariedade e à organização das mulheres.

“As maiores universidades do mundo estão se mobilizando para enfrentar a violência sexual e de gênero”, afirma o folheto. “É chegada a hora de a administração universitária uspiana incorporar plenamente o enfrentamento desses problemas como parte essencial de sua função educacional e cultural, baseando-se nos saberes produzidos por suas professoras e pesquisadoras e também por seus professores e pesquisadores”.

Contudo, adverte o texto, a construção de um ambiente democrático que não tolere violências e abusos sexuais e de gênero “é também responsabilidade de todos os membros da Universidade: docentes, funcionários e estudantes”. Reconhecer a violência e discuti-la abertamente, acrescenta, “é o início da construção de uma realidade acadêmica que respeite plenamente os direitos humanos”.

Estupros

O folheto apresenta dados impressionantes. Segundo o Mapa da Violência 2015, entre 2003 e 2013 o número de mulheres mortas em condições violentas registrou um aumento de 21%. Somente em 2013 foram registradas 4.762 mortes de mulheres (13 homicídios femininos por dia). Quanto à violência sexual, a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima que 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil. Dos casos atendidos no SUS, 88,5% das vítimas eram do sexo feminino.

Universidades apresentam problemas graves de violência sexual, em todo o mundo. Nos EUA, calcula-se que 30% das alunas tenha sofrido algum tipo de abuso sexual ao final da graduação. No Brasil, dados de 2014 indicam que 3 em cada 5 jovens mulheres já sofreram violência em relacionamentos afetivos.

“Nos últimos anos, houve na USP casos de estupro planejados (a vítima foi dopada e abusada por colegas) e casos de estupro em que os agressores abusaram de colegas que não podiam reagir por estarem dormindo, alcoolizadas ou tendo feito uso de outras drogas”, registra o folheto. “A universidade ainda tem problemas de assédio sexual entre professores e alunas, além de denúncias de machismo, racismo e homofobia nas salas de aula e outros espaços de convivência”.

Informativo nº 412

Privatização / Conflito de interesses / Fundações

  • Recurso de Gualano empata (40 a 40) e “voto de minerva” do reitor endossa parecer da CLR

    A reunião do Co de 21/11 apreciou dois recursos de docentes contra decisões de suas respectivas congregações: do professor Bruno Gualano, da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE), e da professora Marilda Ginez de Lara, da Escola de Comunicações e Artes (ECA).
  • Estudantes de Medicina e Enfermagem entram em greve por contratações no HU

    foto: Daniel Garcia Reunidos em assembleia no dia 13/11, os estudantes da Faculdade de Medicina (FMUSP) decretaram greve em defesa do Hospital Universitário (HU), a primeira greve estudantil do curso desde a Ditadura Militar (1964-1985). No dia seguinte, os estudantes da Escola de Enfermagem (EEUSP) aderiram à greve.
  • Curso de Biotecnologia para quem?

    Foto: Imprensa EACH Em 5/9/2017, data dedicada ao maior patrimônio natural do planeta, a Amazônia, houve o lançamento do curso de Biotecnologia da USP. Sediado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), a USP Leste, a partir de 2018, o curso foi aprovado em meio a várias crises, entre elas a dita financeira (mas que sabidamente é de financiamento), que impediu, por exemplo, que o corpo docente e funcional tivesse aumento salarial em 2017.
  • Comissão Sindicante da EEFE vê “fortes indicativos” de assédio moral de Lancha Jr. contra Bruno Gualano

    Grupo sugere à direção da unidade “imediata deflagração de processo administrativo disciplinar” contra o autor das “graves irregularidades” A Comissão Sindicante instaurada pela Portaria 22/2017 da Diretoria da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) para apurar assédio moral na unidade concluiu “haver indicativos de que o servidor docente Prof. Dr. Antonio Herbert Lancha Jr. adotou condutas irregulares”, “razão por que sugerimos a imediata deflagração de processo administrativo disciplinar [PAD], com o objetivo de garantir ao referido servidor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa (art. 5o, LV, CF/88)”.

A pedido do reitor, tropa de choque da PM agride manifestantes

Ato de repúdio à violência institucional e policial na USP

Discussão sobre a aposentadoria dos docentes - parte 1/2

Discussão sobre a aposentadoria dos docentes - parte 2/2