Breve história do Fórum das Seis.

Docentes e funcionários da USP, Unesp e Unicamp têm as suas entidades representativas que, embora atuem autônoma e independentemente umas das outras, em diversas circunstâncias e momentos realizam campanhas unitárias. 

Essas entidades atuam em diferentes frentes de luta. Por exemplo: nas campanhas salariais, quando negociavam com o governo do Estado (até fins de 1988) ou com as reitorias e o Cruesp (após o decreto estadual de 1989, que permitiu uma certa autonomia de gestão financeira nas universidades estaduais paulistas) nas lutas pela incorporação dos gatilhos e da URP; nas campanhas pela democratização das universidades, seja nas propostas de reforma de estatutos ou nas tentativas de eleição de dirigentes universitários; em defesa da universidade pública e gratuita, chegando a constituir o “SOS Universidade”, no bojo da greve de 1988; na luta em defesa da escola pública e por uma Lei de Diretrizes e Bases (LDB) voltada aos interesses da maioria da população brasileira; na construção dos Planos Nacional e Estadual de Educação; na interação com outros sindicatos e organizações na defesa dos interesses dos trabalhadores; na luta contra a privatização das universidades públicas, em particular, contra a atuação das fundações privadas “de apoio”. 

Em todas essas atividades as entidades respeitam as suas instâncias deliberativas (diretorias, conselhos e assembleias) para pautar suas atuações. Trata-se dos sindicatos dos trabalhadores da Unesp, Unicamp e USP (respectivamente, Sintunesp, STU e Sintusp) e das associações docentes destas universidades (Adunesp, Adunicamp e Adusp).

Essas entidades ou suas formas precursoras de organização estiveram presentes na vida universitária e na vida nacional em diferentes momentos, seja resistindo à ditadura militar, seja participando, principalmente a partir de 1979, das campanhas salariais do funcionalismo estadual. 

Em razão das semelhanças de função, do fato de atuarem nas universidades públicas estaduais e de defenderem a isonomia nas instituições públicas, em diversas ocasiões essas entidades participaram de iniciativas conjuntas. Isso levou a uma aproximação, visando a organização dessas campanhas, das entidades representativas dos docentes, de um lado, e das entidades representativas dos funcionários, de outro lado. Chegaram a se constituir dois fóruns: uma das três entidades de funcionários e outro das três entidades de docentes. 

Com o advento do decreto de autonomia de gestão financeira, precipitado pela greve de docentes e funcionários das três universidades em 1988, as negociações salariais saíram do âmbito do conjunto do funcionalismo estadual. Assim, a partir de 1989, o interlocutor direto para questões salariais passou a ser o Cruesp, independentemente do fato de que as pressões sobre o governo do Estado, bem como sobre a Assembléia Legislativa, continuarem a fazer parte da pauta conjunta de lutas, principalmente por ocasião da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), quando as entidades têm pleiteado maior dotação orçamentária para as três universidades. Esse conjunto de fatores acabou provocando uma aproximação maior entre as seis entidades, levando ao surgimento do Fórum das Seis, constituído pela Adunesp, Adunicamp, Adusp, Sintunesp, STU e Sintusp. 

Embora as entidades dos funcionários tenham sua forma particular de organização e participem em nível nacional da Fasubra, e as dos docentes tenham outra organização e outra entidade nacional, o Andes-SN, isso não impediu o amadurecimento político que permitiu a organização de lutas conjuntas e unificadas.

O Sinteps e os estudantes 
A partir de 1994 o Sinteps, Sindicato dos Trabalhadores do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (Ceeteps), passou a integrar o Fórum das Seis, dada a vinculação que há entre o Ceeteps e a administração da Unesp.


Os estudantes das três universidades estaduais paulistas participam, desde 2001, das reuniões do Fórum das Seis, por intermédio de seus Diretórios Centrais (DCE), e contribuem na elaboração da pauta de reivindicações conjunta e nas diversas campanhas de interesse da comunidade universitária. 

Fórum das Seis se constitui no pólo aglutinador dos docentes, funcionários e estudantes, por meio de suas respectivas entidades, na luta por melhores salários, condições de vida e trabalho, pela expansão do ensino superior público, gratuito e de qualidade, pela democratização do acesso à universidade pública, contra a privatização e a atuação das fundações privadas “de apoio” incrustadas nas universidades públicas. Certamente o Fórum das Seis também se constitui numa instância propícia para agilizar a luta em defesa de uma universidade que una a democracia de sua estrutura de poder e a competência de um trabalho universitário voltado para os interesses da maioria da população.