Realizaram-se nos dias 24, 25 e 26/11 as eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE). A chapa “Para transformar o tédio em melodia” venceu com apertada margem de votos: 2.500, contra 2.445 da chapa “Reconquista”. Em terceiro lugar ficou a chapa ligada à atual gestão, “Nada será como antes!”, com 1.868 votos. Após a divulgação do resultado, os membros da “Reconquista” questionaram a impugnação de uma urna da FEA e a validação de outras urnas em que consideram que houve irregularidades. A chapa pretende recorrer do resultado na próxima reunião do Conselho de Centros Acadêmicos, no dia 12/12.

Oito chapas disputaram o DCE. A “Reconquista”, que afirma-se apartidária, representou a grande novidade no processo eleitoral. Tendo entre seus membros alunos que fizeram parte da Comissão de Defesa dos Interesses dos Estudantes (CDIE), grupo que articulou pela internet protestos contra a greve no 1º semestre, a chapa defendeu que “houve motivos para a ação da PM [em 9/6] devido aos excessos cometidos pelos manifestantes” e que, por uma questão de segurança, “a ronda ostensiva da PM se faz necessária no campus”. Declarou-se contrária a ocupações e piquetes; defendeu votações deliberativas realizadas on line e o incentivo ao “empreendedorismo estudantil” por meio de escritórios-pilotos e empresas juniores.

“A disputa com a direita foi uma coisa inédita na USP. O movimento estudantil tinha a avaliação de que eles estavam se fortalecendo, mas foi uma surpresa a força eleitoral deles, tendo em vista que eram uma chapa pequena, com poucos apoiadores”, avalia Bárbara Vazquez, da chapa vencedora. “Mas é preciso considerar que eles tiveram matérias amplamente favoráveis na Globo e no Estadão, o que deu-lhes muita visibilidade”.

“Segundo turno”?

O estudante Hugo Tavares, da “Reconquista”, afirma que o processo de apuração foi desorganizado, ainda que reconheça que os casos problemáticos são isolados. Segundo ele, uma urna de São Carlos teria ficado muito tempo sem acompanhamento entre uma apuração e outra, e uma urna da EACH só chegou depois do início do processo de apuração. Também questiona o fato de uma urna da FEA, impugnada por ter voltado com o lacre rompido, não ter sido substituída por uma nova urna, com nova lista, no dia seguinte. “Isso matou o voto de quem votou antes. Essas manipulações todas foram muito ruins para a democracia da eleição como um todo”, afirma.

Na avaliação da atual gestão, não houve fraude. "Para aferir isso, basta bater os nomes nas listas com os votos nas urnas, procedimento que deve ser adotado em todos os casos contestados", sustenta Júlia Almeida, da "Nada será como antes!". "Para nós o pior dos mundos é que o DCE fique na mão da Reconquista, mas se os estudantes decidiram isso nas urnas, deve ser respeitado e não levado a um segundo turno onde cada um fica tentando convencer os outros a impugnar urnas a partir de seus interesses políticos", diz ela, referindo-se ao CCA.

Na avaliação da chapa vencedora, é improvável que o resultado seja revertido. "No CCA o que vale é a decisão dos centros acadêmicos e aí a Reconquista está enfraquecida. Após reuniões e assembléias, pelo menos 20 CAs já se colocaram favoráveis à defesa da validade do processo", diz Bárbara.

Os números finais das eleições para o DCE são: Para trans­formar o tédio em melodia - 2500; Reconquista - 2445; Nada será como antes - 1868; Todo carnaval tem seu fim - 1602; Poder estudantil - 390; Respeitável público - 172; Amanhã vai ser outro dia - 121; Oposição e luta - 49; Brancos - 41; Nulos - 126.

 

Matéria publicada no Informativo n° 299