A decisão da Reitoria da USP de orientar os diretores de unidades a somente permitir mediante compensação de horas a participação de funcionários técnico-administrativos no 7º Congresso dos Trabalhadores da USP — que se realizaria entre 22 e 25 de abril — é medida claramente restritiva, cuja finalidade é pura e simplesmente coibir a presença da categoria nessa importante atividade organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp).

Note-se que deveriam participar do congresso apenas 271 funcionários e funcionárias, cujos nomes foram devidamente encaminhados para a Coordenadoria de Administração Geral (Codage) e parte dos quais, por serem diretores do Sintusp ou delegados de base, já contavam com liberação.

A iniciativa da Reitoria, que terminou por levar o Sintusp a suspender a realização do congresso, é contraditória com o discurso de defesa da Universidade e defesa da democracia. Desestimula a participação dos funcionários em um fórum legítimo da categoria, mediante uma punição disfarçada (a compensação de horas), e atenta, assim, contra garantias de cidadania inscritas na Constituição Federal. Associa a represálias, na forma de sanção administrativa, o que deveria ser meramente o exercício de um direito.

A democracia deve contemplar todos os segmentos da Universidade, sem exceção. A Reitoria precisa contribuir na construção de um ambiente institucional verdadeiramente democrático, capaz de fazer frente às investidas de grupos ultraconservadores e de extrema-direita que pretendem destruir as universidades públicas e as ciências — basta ver a CPI em curso na Alesp.

Por tais razões, a Diretoria da Adusp exorta o reitor Vahan Agopyan a rever imediatamente sua decisão anterior e liberar a participação no 7º Congresso dos Trabalhadores da USP (quando se realize em novas datas), sem qualquer restrição, das funcionárias e funcionários inscritos nesse evento.

 

São Paulo, 23 de abril de 2019

A Diretoria da Adusp