foto: Arthur Aleixo

No dia 28/2, durante a primeira reunião da Congregação da Escola de Comunicação e Artes (ECA) realizada em 2018, os estudantes realizaram um ato contra o projeto “CRIATECA”, proposta da diretoria da unidade de reforma do espaço de Vivência estudantil. Segundo a diretoria da ECA, o projeto foi aprovado na reunião da Congregação de 13/12/2017. Os alunos, entretanto, contestam a idoneidade da ata daquela reunião (aprovada em 28/2), porque a votação para aprovar o projeto não foi concluída, por ter sido interrompida pelos estudantes, que ocuparam a sala da Congregação.

O projeto “CRIATECA” pretende “requalificar” o prédio onde estão os espaços do Centro Acadêmico Lupe Cotrim (CALC) e da ECAtlética e onde funcionava, até o ano passado, a sede do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). A diretoria da ECA pretende expandir o prédio, criar salas para as empresas júniores da unidade, além de construir um auditório, uma lanchonete e um espaço para coworking. Já os representantes do CALC e da ECAtlética consideram o projeto um ataque à autonomia e ao autofinanciamento estudantil.

Os planos do diretor da ECA, professor Eduardo Monteiro, sucedem-se a outros eventos traumáticos para os alunos da unidade. No final de 2016, a construção, por iniciativa do então reitor M.A. Zago, das grades que passaram a cercar a “Prainha”, praça que ao longo de décadas se firmou como território de convivência dos estudantes e onde se situa o prédio em questão. Posteriormente, a retirada das barracas de alimentação.

O conflito entre o corpo discente e a diretoria da unidade resultou na realização de duas “congregações” no dia 28/2: a reunião oficial do colegiado e a “Congregação Democrática”, nome dado ao ato estudantil, organizado pelo CALC, que contou com a presença de três ex-estudantes da USP: a cartunista Laerte Coutinho, a repórter Laura Capriglione, dos “Jornalistas Livres”, e o deputado estadual José Américo (PT-SP). Também compareceram representantes de entidades estudantis.

“Grades e muros”

“Eu fico muito chocada quando entro aqui e vejo a quantidade de grades, muros e construções isolacionistas, contruções segregacionistas que estão invadindo e permeando o campus com o sentido de destruir a vida social e essa interação das pessoas que é o grande produto da vida universitária”, lamentou Laerte durante a “Congregação Democrática”. “Querem transformar isto em uma coisa burocratizada. A política está ausente de tudo, satanizada e banida”.

“É muito confortável desmontar o movimento estudantil pela base, proibir que os estudantes se encontrem, proibir as áreas de vivência. Porque é nesses momentos de encontro que os estudantes se sentem parte da universidade e passam a defender a universidade para além da sala de aula. O que estão propondo aqui na ECA faz parte deste projeto de universidade”, disse Camila Ribeiro, diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A reunião oficial da Congregação ignorou a “Congregação Democrática” e aprovou a ata da reunião de 13/12, rejeitada pelos estudantes. Ao fim da Congregação oficial, porém, o deputado José Américo entrou na sala e leu uma carta redigida pelos estudantes contra o projeto “CRIATECA”. “Os discentes fizeram grande esforço de debate em torno da reforma e elaboraram uma contraproposta que contemplava as necessidades acadêmicas, mas também garantia a autonomia dos estudantes sob o espaço. Além disso, as entidades estudantis se posicionaram veementemente contra a ‘CRIATECA’, que supostamente lhes seria benéfica. Dito isso, não aceitamos esta reforma. Ela é ilegítima, antidemocrática e um ataque direto à livre organização dos estudantes”, conclui a carta.

O diretor da ECA retirou-se da sala antes da leitura da mensagem. “O mais importante é que aconteceu aqui um debate sobre a liberdade de pensamento e a liberdade de convívio em uma universidade”, destacou José Américo. “Chamarei o Eduardo [Monteiro] para depor na Comissão de Educação da Alesp, e o reitor junto, vai causar problemas para o chefe dele”, prometeu o deputado.

O Informativo Adusp procurou a Diretoria da ECA para que esta se manifeste a respeito do seu projeto e da mobilização estudantil que se opõe a ele, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.